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Santa Catarina esbofeteia o Brasil

13/04/2009 15 comentários

Se você mobilizou-se em prol do povo catarinense quando fomos abatidos pelo que ficou conhecido como a Tragédia de Santa Catarina no final de 2008, considere-se agredido pelo estado que você ajudou.

codigo ambiental estadual de santa catarina

Hoje o governador Luiz Henrique da Silveira, que está prestes a ser caçado por irregularidades de campanha, sancionou a lei aprovada pela Assembléia Legislativa de Santa Catarina, criando assim o Código Ambiental Estadual de Santa Catarina.

O Código Ambiental Estadual é considerado inconstitucional pelo ministro Minc e por muitos outros órgãos federais superiores. Todos os argumentos apresentados pelos seus defensores são facilmente jogados por terra quando comparamos Santa Catarina com outros estados com as mesmas características e que se adaptaram ao Código Ambiental Federal. Se outros estados e cidades podem se adaptar, porque Santa Catarina não? Incompetência e ganância catarinense que impede o estado de buscar o desenvolvimento sustentável.

Os defensores da lei são os 1,9% de produtores que detém 50% de toda a área produtiva do estado, são os latifúndios catarinenses, nas palavras de Luis Eduardo Souto, promotor de Justiça e Coordenador-Geral do Centro de Apoio Operacional do Ministério Público de Santa Catarina.

Num momento em que o mundo discute maneiras de reverter as suas agressões ao meio ambiente, Santa Catarina dá uma lição de como andar na contra mão. O povo catarinense se calou diante de uma lei que estadual, entre outras agressões ao meio ambiente, reduz de 30 para 5 metros a área de preservação permanente às margens dos rios.

Se puderem me fazer um favor, quando acontecer a próxima tragédia no nosso estado, não se mobilize, não publique anúncios de solidariedade , não mande dinheiro, não mande mantimentos, não mande uma meia sequer. Eu estou aqui lhe pedindo sem bairrismo (não suporto bairrismo) e sei do que estou falando. Infelizmente a única preocupação que Santa Catarina merece de você é por estar, da mesma forma como sempre fez, trabalhando para destruir o que resta do seu meio ambiente.

E nem adianta falar que o povo atingido não tem culpa, pois tem sim, além de serem eleitores coniventes, são ferrenhos agressores da natureza a sua volta, pensando somente no hoje, no ganho que terão agora.

Nas suas próximas férias, ou quando sobrar um dinheirinho para uma viagem, boicote Santa Catarina, não venha para Florianópolis. Boicote o Oktoberfest de Blumenau, não deixe seu dinheiro com quem só pensa em destruir o que resta da Mata Atlântica. Se você tem algum amor ao meio ambiente, divulgue o que está acontecendo aqui.

Alô William Bonner, alô Ana Maria Braga, alô imprensa nacional, cadê vocês que estiveram aqui na época da tragédia de 2008? Está acontecendo outra tragédia em 2009, cadê vocês?

Post Scriptum:
(I) Com a palavra, professor Lauro Bacca, mestre em ecologia na FURB.
(II) Nessa outra matéria o Agricultor diz que a 70 anos a sua família produz peixe e suínos numa área de 10 hectares herdada do pai. Ele alega que se aplicar o código nacional a produção fica inviável, e fica mesmo, se ele quiser produzir como o seu pai produzia há 70 anos atras. É disso que eu estou falando, aprovar um código como esse é voltar ao passado ao invés de investir em técnicas modernas de produção. Existe como se tornar mais produtivo com menos espaço, basta querer.
(III) Um texto do Maicon Tenfen raciocina de forma clara como o Governador Luiz Henrique põe lenha na fogueira do bairrismo e separatismo catarinense, incentivando o povo a julgar-se “diferente” do restante do Brasil. Eu já morei em vários lugares do Brasil e agora moro aqui, pelo que vejo, o catarinense é diferente sim, ainda não conhecia um povo tão bom em passar uma falsa imagem de “diferente”.
(IV) O Oeste Catarinense passou os últimos 10 anos batendo recordes nacionais de desmatamento, agora o Oeste de Santa Catarina sofre com a seca recorrente.
(V) Esse cara falou tudo que eu sempre digo, essa lei é resultado da omissão do estado de Santa Catarina em promover a modernização da produção rural.
(VI) O Oeste Catarinense desmatou tudo que pode e agora colhe os frutos da sua ganância amargando uma seca terrível que provocou até fechamento de unidades do Frigorífico Aurora

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Lei Maria da Penha

13/04/2009 7 comentários

O susto que custa caro.

Lembro-me de quando era guri e perto de casa tinha uma família “desestruturada”, nas palavras de meu pai. O marido que bebia além da conta, descontava suas frustrações espancando a pobre esposa (contra a vontade dela, diga-se, já que em alguns casos, espantosamente isso é consensual). A esposa muitas vezes passava uma semana inteira dentro de casa escondendo as marcas deixadas pelas agressões.

Mas então, chegou o momento em que os irmãos da moça cansaram da situação. Lembro de um dia que os 2 chegaram à casa da irmão e enfiaram o maridão no carro por livre e espontânea pressão. Saíram com ele para um passeio e o marido voltou pra casa somente no final da tarde, trazido de taxi do pronto socorro. Lembro claramente que ele aparentava alguma dificuldade de locomoção. Nas palavras de meu pai, ele havia levado uma boa coça.

Apesar de ser avisado pelos irmãos que a frequência das suas visitas dependeriam exclusivamente do seu comportamento, os irmão ainda precisaram espancar o rapaz por mais 2 vezes até ele desistir de espancar a esposa. O casal passou a viver em harmonia e o rapaz parou até de beber no bar.

Lembro também de outro casal com o mesmo “problema” de lar desestruturado que moravam perto de um tio. Estes não tinham parentes na cidade e a moça acabou na delegacia por algumas vezes até que o marido foi detido. Até onde ficamos sabendo bastaram 2 detenções por por ter agredido a esposa, bastaram apenas 2 noites em companhia dos outros detentos e o marido acabou por aprender a fazer melhores escolhas de comportamento.

E hoje, lendo o jornal, vi que pós o endurecimento da Lei Maria da Penha, apenas 2% dos processos iniciados chegam ao final. O restante das ações é arquivada a pedido das esposas. Segundo o Conselho Nacional de Justiça, isso acontece porque na maioria dos casos após 1 ou 2 sustos o marido muda de comportamento. Ele percebe que se não parar de agredir a esposa pode sofrer as consequências.

Claro que passarão por aqui pessoas dizendo que tudo isso está longe de ser simples assim. Que as mulheres pedem o arquivamento dos processos por vários outros motivos que vão do medo e ameaças por parte do marido até por vergonha, fiquem de olho nos comentários só pra ver. Acontece que eu to falando sobre a matéria do jornal, onde um orgão oficial (CNJ) diz que elas fazem isso porque os maridos mudam de comportamento. Se isso não for verdade então essa lei é inócua?

Que lição podemos tirar disso?

Isso me leva a algumas reflexões. O combate a impunidade é relevante para a diminuição de comportamentos inapropriados, de qualquer ordem. Apesar de a lei ser boa, somente a certeza das punições leva a mudança de comportamento. Se essa certeza se replicasse às nossas outras leis, precisaríamos de bem menos delas. E por fim, esses processos todos que são arquivados a pedidos das esposas talvez sejam um excesso de recursos públicos desperdiçados para dar “um susto” nos maridos, quando talvez 1 ou 2 irmãos “das antigas” fizessem o mesmo efeito.

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Fotos de Mulheres de Biquini

03/03/2009 10 comentários

Quando eu dizia que me mudaria para o sul era comum rebaterem:

“Vais mudar para o primeiro mundo, pena que lá seja tão frio”

Descobri mais tarde as 2 inverdades dessa frase, em Santa Catarina se sente tanto calor quanto no nordeste, ou mais; E o sul é tão terceiro mundista quanto o restante do brasil, ou mais, se observarmos bem.

onda de calor no sul em blumenau

Frio por aqui é algo tão raro quanto mulheres de biquíni tomando sol nos parques. Tudo bem, os parques também são raros, já que a natureza emoldura qualquer paisagem.

Eu já passei um inverno aqui e quase congelei, contei pra você quando falei sobre Ibirama, por aqui o frio intenso é intenso mesmo, mas não passou de 2 semanas. O restante do inverno é parecido com os dias de frio em São Paulo, por exemplo, algum agasalho médio te protege.

imagens e fotos de raios

Já o calor, esse nos acompanha pelo ano todo. Quase sempre suportável, mas beirando o insuportável em muitos períodos, já que por aqui, uma simples brisa é tão comemorada quanto à chuva em algumas cidades nordestinas. Quando venta as pessoas saem a rua pra ver, e sentir.

imagens e fotos de raios

O vocabulário também muda, trovão é trovão mesmo, mas tempestade se chama trovoada, vai entender. Às vezes a chuva rodeia toda a cidade e por horas todo o horizonte ao redor fica constantemente iluminado por relâmpagos e raios, um cenário da “Guerra dos Mundos”, mas a chuva teima em não cair por aqui para amenizar nossa sensação de 50 graus.

mulheres de biquini fio dental

É mesmo uma região de extremos, e nos finais de semana quando o carlozão bate os rios e ribeirões ficam cheios de banhistas e eu não posso pescar nem lambari no fly, mas a paisagem ainda é longe da paisagem de biquíni (ou bikini) no Parque Ibirapuera, afinal, é só a natureza que costuma ser extremista por aqui.

Post Scriptum: Essas galinhas nem estavam de biquíni e morreram de calor. via Sereia

As imagens dos raios são do Santa e as das gostosas de biquíni são da Folha de São Paulo.

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Reerguer repensando

01/12/2008 13 comentários

Se as coisas pararem de dar errado, hoje, dia primeiro de dezembro de dois mil e oito é o dia seguinte a tragédia. O dia em que Blumenau, Itajaí e outras cidades afetadas pela grande enchente de 2008 começam, de verdade, buscar a volta para normalidade. Começam um difícil retorno que vai durar muito tempo, pelo menos 2 anos.

crianca desabrigada blumenau

foto: Adriana Franciosi, Jornal de Santa Catarina

Porque aconteceu a tragédia de Santa Catarina?

Agora, além de reerguer, é prudente repensar. Esta é uma ocorrência recorrente e previsível para a região do Vale do Itajaí, se observar o quadro do Pico das Enchentes em Blumenau verá que desde a sua fundação, o Rio Itajaí-Açu sobre nessa época e todo o vale até Itajaí e Navegantes é afetado pela cheia dos rios. O que nunca havia acontecido com essa intensidade foram os deslizamentos nos morros, responsável pela grande maioria das vítimas. O Eloy, conversando no MSN, me disse:

Os empresários, agricultores, políticos e boa parte da população reclamam das leis ambientais, principalmente do código florestal, que estipula a distância da margem de rios que tem que ser preservado e não pode ser ocupado, normatiza a ocupação de encostas com base na inclinação do terreno e proíbe a ocupação no terço superior dos morros. Se tudo isso fosse respeitado o desastre seria bem menor. Afinal os desastres naturais só são desastres por que atingem o homem. Quando ocorre algum deslizamento de terra em algum lugar da serra que não atinge ninguém diretamente, não é “desastre” é um processo natural.

O meu amigo geólogo geógrafo, tem razão. Em Blumenau é difícil (mas não impossível) não edificar próximo a algum morro ou rio. Veja uma foto aérea do maior shopping da cidade, que fica numa das principais avenidas do centro de Blumenau. Olhe ao seu redor e veja se é fácil se manter longe dos morros? Os morros e os rios estão por toda parte, são lindos e graças ao fato da nossa região ser tão montanhosa ela não foi devastada para virar plantações de cana de açúcar, milho ou soja, apesar de ter as remanescentes de mata atlântica as margens dos rios quase que totalmente devastada (ninguém é santo). Quem já nos visitou sabe do que eu estou falando, os que não conhecem especulam a respeito. shopping blumenau Vejam essa outra foto aérea do Bairro Progresso, também central, olhem ao fundo e me digam o que vêem. progresso blumenau Mas agora é hora de repensar a nossa ocupação da cidade e seus arredores. Não é simplesmente uma questão de respeito à natureza, mas de revisão e respeito das leis de zoneamento e respeito ao código florestal. Em tempo de reconstrução, nunca é demais lembrar, são 78.000 desabrigados e desalojados que não sabem quando e se poderão voltar para suas casas, no caso de elas ainda existirem ou não estarem condenadas. Continue arrecadando, faça campanhas no seu prédio de condomínio, na sua rua, na sua escola, no trabalho. Roupas, água mineral, comidas prontas para o consumo como biscoitos, barras de cereais, leite, pães. Tudo pode ser levado até a uma agência dos Correios e endereçada à Defesa Civil de Santa Catarina, os Correios trazem de graça.

Post Scriptum 02/12/2008: A Dra. Mônica Lopes Gonçalves da Univille teve um texto sucinto, mas muito explicativo, falando sobre algumas das causas da gravidade do que ocorreu, dentre eles a Desobediência do Código Florestal, vale a pena.

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como ajudar as vítimas da enchente

27/11/2008 12 comentários

Por favor, me avisem se eu estiver sendo injusto e esquecido de alguém (ou não ter visto mesmo, as coisas andam corridas por aqui). Mas de coração, Carol, Lula, Lula, Flávia, Luma, Lucy, Cirilo, Yvonne, Raquel, Carla, Lya, Janaina e Bender, obrigado.

como ajudar blumenau

(nesse momento tá chovendo forte novamente)

enchente em blumenau, estamos mais vivos do que nunca

26/11/2008 6 comentários

Pessoal, queridos leitores, amigos que deixaram suas mensagens de força e apoio, muito obrigado.

Não estamos mais ilhados pela enchente, mas a situação no Vale o Itajaí ainda é critica. Milhares de desabrigados e dezenas de mortos, vocês estão vendo nos jornais. Ainda há muitas localidades isoladas e alimento, água e remédios só chegam de helicóptero. Assim como só de helicóptero quem precisa pode ser retirado. O trabalho no socorro das vítimas está sendo cansativo, claro, mas o povo de Blumenau e região são incansáveis na ajuda às vítimas.

Mas nem tudo é boa vontade com o próximo, temos padarias vendendo a unidade do pão francês à R$3, postos vendendo gasolina à R$4. E tem gente aplicando golpes, uma senhora recebeu uma ligação aqui de Indaial pedindo doação em dinheiro em nome da prefeitura municipal, dá pra acreditar? Sinal que o inferno tem de ser mesmo muito grande, pois não canso de ver gente merecedora dele.

Peço desculpas a quem esperava um relato maior, de coração, não quero expor mais o sofrimento que as pessoas daqui estão passando. Vou preferir falar em breve sobre como o desrespeito às leis ambientais e ao meio ambiente provocam tragédias como essas. Só tenho mesmo a agradecer as orações e aos pensamentos positivos que todos nos enviaram. Obrigado.

De qualquer forma, deixo aqui algumas informações úteis que me foram repassadas para divulgação para quem quiser ajudar com doações de dinheiro, já que é muito difícil fazer mantimentos e roupas chegarem até aqui.

Os interessados podem depositar qualquer quantia nas contas:

Banco do Brasil
Agência 3582-3
Conta corrente 80.000-7

Besc
Agência 068-0
Conta Corrente 80.000-0.

O nome da pessoa jurídica é Fundo Estadual da Defesa Civil, e o CNPJ, 04.426.883/0001-57.

Segundo o governo estadual, o dinheiro arrecadado será usado para compra de mantimentos que serão distribuídos entre os moradores das cidades que tiveram alagamentos e deslizamentos.

Quem quiser doar alimentos e roupas deve procurar as prefeituras dos municípios prejudicados pelas cheias e deslizamentos. Entidades públicas e privadas também estão promovendo campanhas e recolhendo material, como a Assembléia Legislativa de Santa Catarina.

A Prefeitura de Blumenau, uma das cidades mais atingidas, divulgou os números de três contas bancárias para doações em dinheiro. Veja o site da prefeitura.

ilhados em santa catarina

23/11/2008 27 comentários

Um pouco antes do meio do ano eu me mudei para o estado de Santa Catarina, agora moro no Estado de Emergência. Em 2 dias tivemos 468mm de chuva acumulada.

enchente em santa catarina

Já tivemos uma explosão de gasodutos na BR-470 ontem, hoje temos relatos de mais explosões, a enchente em Blumenau (Santa Catarina) piora a cada hora. Pessoas relatam que ouviram estrondos, viram os clarões e sentiram tremores, mas a defesa civil ainda não conseguiu chegar no ponto da estrada onde isso aconteceu.

ilhados em santa catarina

Hoje tentamos sair de Indaial, conseguimos chegar no máximo em Timbó, resolvemos voltar enquanto era possível e as águas do Rio Benedito já invadiam a estrada. Fomos uns dos últimos a conseguir passar pela estrada. No momento em que escrevo não temos mais como sair de Indaial e segundo as previsões não dá pra saber quando conseguiremos sair novamente, mas deverá ser antes da terça.

Pessoas da família estão presos na casa de campo sem saber quando conseguirão sair de Rio dos Cedros. Estão sem energia elétrica e não tem como comprar mantimentos, foram preparados somente para 2 dias.

ilhados em indaial

Podemos ouvir no rádio que em várias cidades da região estão completamente às escuras e com as ruas todas alagadas já decretaram estado de calamidade. E olha que o pessoal por aqui tem experiência com enchentes. Morrem de medo delas, mas tem experiência em lidar com a situação, afinal, já passaram por várias enchentes muito grandes.

A diferença que eu estou vendo para as situações de enchente em São Paulo é que aqui as chuvas não param e as águas não baixam. Uma vez que a água sobe, não baixa mais, ou leva muito tempo para baixar. Outra diferença é que a água não invade uma rua ou um pequeno bairro, ela invade uma cidade inteira, é assustador. Aqui em Indaial as pessoas estão começando a ir aos supermercados para estocar comida.

A Criadora de Presentes também tem o que dizer.

Vejam a reportagem do Bom Dia Brasil.

Acabei de receber mais algumas fotos, do nível da água no rio Itajaí Açu e das explosões, onde os bombeiros e a defesa civil ainda não conseguem chegar.

nivel do rio itajai

explosões do gasoduto

Vou sair novamente pra continuar no trabalho do resgate de famílias inteiras que estão ilhadas, na esperança que outras pessoas estejam ajudando a nossa família, onde não conseguimos chegar.

os avestruzes não vão à praia

19/11/2008 9 comentários

Em 2007 escrevi sobre o feriado da Consciência Negra em São Paulo, e sobre as justificativas da vereadora Claudete Alves do PT de lá, autora do projeto. Agora volto aqui pra escrever sobre o mesmo assunto, o projeto para tornar esse dia feriado aqui em Blumenau.

consciencia negra

O projeto que foi aprovado no legislativo é de autoria da vereadora Maria Emília de Souza (que tem a maior cara de brava), adivinhem qual é o partido dela.

Não quero ser repetitivo e se quiserem saber o que eu acho da data leiam o texto do ano passado, mas só pra resumir, com todo respeito aos negros, acho que esse dia é racista e representa o preconceito dos negros contra eles próprios.

Voltando ao assunto de ser ou não feriado nessa data, as justificativas da vereadora de São Paulo eram de chorar de rir, ou chorar de vergonha, dependendo de quem você é.

Já no caso de Blumenau, a vereadora Maria Emilia acha necessário um feriado pra que pensemos sobre a importância dos “afro-descendentes” naonde mesmo? Ahhh, na construção da nossa própria história. Clap clap clap…

Quem mais contribuiu pra nossa própria história põe o dedo aaaquí !!!

“É fila sim minha gente. Índios primeiro, portugueses logo atrás, fila por ordem de chegada no país, pessoal; Negros, amarelos… Nada de tumultuar, vai ter feriado para todas as consciências, ok?”

Quer ver mais justificativas para o feriado? Aqui tem o movimento Cisne Negro de Consciência Negra em Blumenau. Por mim, que sou democrático, podem ter o movimento que quiser, mas veja a justificativa do presidente para defender o feriado que vai marcar o dia do Zumbi dos Palmares, ele disse:

“Muita gente pensa que foi a Lei Áurea que deu aos negros a possibilidade de lutar pela igualdade de direitos. Mas ela só permitiu que eles saíssem da senzala, muitas vezes para viver em uma situação ainda mais miserável.”

Viram a pérola? O cara acha que a lei Áurea foi ruim pros negros, pode? Claro que pode, ele pode achar o que ele quiser, mas não é estranho?

Não leitor amigo, não é estranho. É triste, mas nada disso é estranho. Somos todos brasileirospocotó, eu você e o presidente do tal movimento e a vereadora, adoramos um feriadinho pra matar o trampo. No caso da vereadora e seus colegas que aprovaram o projeto, tenho a opinião (e opinião é como cu, cada um tem o seu) de que são também hipócritas e preconceituosos por considerarem os negros tão diferentes a ponto de precisam de feriados pra comemorar a sua consciência, enquanto ninguém mais precisa.

Mas e aí? Fica assim? Fica não. O prefeito da vez de Blumenau sabiamente vetou o projeto. Em 2008, em plena crise financeira mundial, a cambada vai ter de ir trampar, produzir, gerar PIB. Regozijo-me ao ver isso acontecer.

Em tempo, antes das salsinhas irem direto pra caixa de comentários pra descer a frigideirada em mim, leiam esse editorial do Jornal de Santa Catarina, que diz exatamente o que eu penso.

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