Santa Catarina esbofeteia o Brasil
Se você mobilizou-se em prol do povo catarinense quando fomos abatidos pelo que ficou conhecido como a Tragédia de Santa Catarina no final de 2008, considere-se agredido pelo estado que você ajudou.

Hoje o governador Luiz Henrique da Silveira, que está prestes a ser caçado por irregularidades de campanha, sancionou a lei aprovada pela Assembléia Legislativa de Santa Catarina, criando assim o Código Ambiental Estadual de Santa Catarina.
O Código Ambiental Estadual é considerado inconstitucional pelo ministro Minc e por muitos outros órgãos federais superiores. Todos os argumentos apresentados pelos seus defensores são facilmente jogados por terra quando comparamos Santa Catarina com outros estados com as mesmas características e que se adaptaram ao Código Ambiental Federal. Se outros estados e cidades podem se adaptar, porque Santa Catarina não? Incompetência e ganância catarinense que impede o estado de buscar o desenvolvimento sustentável.
Os defensores da lei são os 1,9% de produtores que detém 50% de toda a área produtiva do estado, são os latifúndios catarinenses, nas palavras de Luis Eduardo Souto, promotor de Justiça e Coordenador-Geral do Centro de Apoio Operacional do Ministério Público de Santa Catarina.
Num momento em que o mundo discute maneiras de reverter as suas agressões ao meio ambiente, Santa Catarina dá uma lição de como andar na contra mão. O povo catarinense se calou diante de uma lei que estadual, entre outras agressões ao meio ambiente, reduz de 30 para 5 metros a área de preservação permanente às margens dos rios.
Se puderem me fazer um favor, quando acontecer a próxima tragédia no nosso estado, não se mobilize, não publique anúncios de solidariedade , não mande dinheiro, não mande mantimentos, não mande uma meia sequer. Eu estou aqui lhe pedindo sem bairrismo (não suporto bairrismo) e sei do que estou falando. Infelizmente a única preocupação que Santa Catarina merece de você é por estar, da mesma forma como sempre fez, trabalhando para destruir o que resta do seu meio ambiente.
E nem adianta falar que o povo atingido não tem culpa, pois tem sim, além de serem eleitores coniventes, são ferrenhos agressores da natureza a sua volta, pensando somente no hoje, no ganho que terão agora.
Nas suas próximas férias, ou quando sobrar um dinheirinho para uma viagem, boicote Santa Catarina, não venha para Florianópolis. Boicote o Oktoberfest de Blumenau, não deixe seu dinheiro com quem só pensa em destruir o que resta da Mata Atlântica. Se você tem algum amor ao meio ambiente, divulgue o que está acontecendo aqui.
Alô William Bonner, alô Ana Maria Braga, alô imprensa nacional, cadê vocês que estiveram aqui na época da tragédia de 2008? Está acontecendo outra tragédia em 2009, cadê vocês?
Post Scriptum:
(I) Com a palavra, professor Lauro Bacca, mestre em ecologia na FURB.
(II) Nessa outra matéria o Agricultor diz que a 70 anos a sua família produz peixe e suínos numa área de 10 hectares herdada do pai. Ele alega que se aplicar o código nacional a produção fica inviável, e fica mesmo, se ele quiser produzir como o seu pai produzia há 70 anos atras. É disso que eu estou falando, aprovar um código como esse é voltar ao passado ao invés de investir em técnicas modernas de produção. Existe como se tornar mais produtivo com menos espaço, basta querer.
(III) Um texto do Maicon Tenfen raciocina de forma clara como o Governador Luiz Henrique põe lenha na fogueira do bairrismo e separatismo catarinense, incentivando o povo a julgar-se “diferente” do restante do Brasil. Eu já morei em vários lugares do Brasil e agora moro aqui, pelo que vejo, o catarinense é diferente sim, ainda não conhecia um povo tão bom em passar uma falsa imagem de “diferente”.
(IV) O Oeste Catarinense passou os últimos 10 anos batendo recordes nacionais de desmatamento, agora o Oeste de Santa Catarina sofre com a seca recorrente.
(V) Esse cara falou tudo que eu sempre digo, essa lei é resultado da omissão do estado de Santa Catarina em promover a modernização da produção rural.
(VI) O Oeste Catarinense desmatou tudo que pode e agora colhe os frutos da sua ganância amargando uma seca terrível que provocou até fechamento de unidades do Frigorífico Aurora





Vejam essa outra foto aérea do Bairro Progresso, também central, olhem ao fundo e me digam o que vêem.
Mas agora é hora de repensar a nossa ocupação da cidade e seus arredores. Não é simplesmente uma questão de respeito à natureza, mas de revisão e respeito das leis de zoneamento e respeito ao código florestal. Em tempo de reconstrução, nunca é demais lembrar, são 78.000 desabrigados e desalojados que não sabem quando e se poderão voltar para suas casas, no caso de elas ainda existirem ou não estarem condenadas. 











