Museu do Futebol
Quando eu escrevi que “football é um pé no saco?”, alguns acharam graça do trocadilho, outros torceram o nariz para minha crítica, que era dirigida a “instituição” futebol profissional, e não ao esporte. Eu falava também sobre cultura e comportamento, se é que me entendem. Pois a profissionalização excessiva do futebol, transformando clubes em empresas visando mais recursos para adquirir melhor qualidade técnica trouxe a tiracolo outra instituição nacional, o gestor corrupto profissional.

Nessa toada, o futebol brasileiro (mas não somente ele) que está tão arraigado em nossa cultura, passou a contar com uma legião de torcedores de engodos. Muitos dos torneios e campeonatos de hoje são engodos, e muitos clubes (ou seria mais correto dizer times?) também.
É isso tudo que eu acho um pé no saco. Tudo isso me faz ter vergonha do futebol brasileiro como ele é hoje, me faz ter vergonha do povo que morre por isso em detrimento de questões tão mais importantes para sua vida. E nem adianta dizer que isso é balela minha, ou você não acredita que “poderes políticos” utilizem o calendário dos torneios de futebol para mudar os rumos do país enquanto o povo se distrai?
Futebol “também” é esporte
Mas o futebol não é só política, não é mesmo Jr? Claro que não, futebol é acima de tudo, esporte. Tudo bem que eu nunca fui lá um grande fã de futebol, assim como nunca fui muito admirador de esportes coletivos. A minha preferência pessoal pelo tênis nunca me impediu de admirar a capacidade de encantamento do futebol, acho belas as jogadas e geniais alguns de seus autores, dentro de campo. Só não tenho lá muita paciência para ficar assistindo uma partida inteira de times (ou seria mais correto dizer clubes?) menores, e nem dos maiores.
Posso dizer que gosto de futebol, mas não gosto do mercado em que ele está envolvido. Gosto de pessoas que utilizam o futebol para manter crianças, carentes e abastadas, longe das encrencas típicas das fases do amadurecimento. E gosto também de pessoas que utilizam o tênis pra isso, ou o vôlei, ou a natação, enfim, esporte é esporte e sempre é bom. Futebol é mais um deles.

É por isso que eu queria tanto conhecer o Museu do Futebol, pra ter contato com o futebol esporte. Queria tirar uma foto ao lado da foto do Friedenreich, que sempre foi contra a profissionalização do esporte. Queria chegar aqui e dizer a você: Vá conhecer o Museu do Futebol e sinta-se orgulhoso por tê-lo em seu país.
Legal não é? Foi assim que eu me senti no museu, orgulhoso pelo futebol, orgulhoso pelo museu e orgulhoso pelo brasil. Você percebe como é fácil me fazer sentir-se como você? Basta me dar algo de qualidade. E o Museu do Futebol a tem em quantidade suficiente.
Apesar de o museu ter iniciativas públicas do Estado de São Paulo e da Prefeitura de São Paulo, a concepção e realização são da Fundação Roberto Marinho com apoio do Ministério da Cultura. Essa parceria para conceber espaços culturais tem dado certo, a exemplo do sensacional Museu da Língua Portuguesa, e deveria ser copiada por outras instituições e fundações da iniciativa privada. Você pode, assim como eu, não gostar da programação ou do jornalismo da Rede Globo, mas seria prudente não confundir alhos com bugalhos.
Eu busco separar bem as coisas, afinal, este Museu foi capas de me despertar orgulho por duas coisas que normalmente me causam vergonha, o futebol e seu seguidor mais fiel, o brasileiropocotó. Visite-o, fotografe-o, divulgue-o, você certamente tem mais motivos pra isso que eu.
Eu poderia ter escrito um post inteiro sobre a beleza e o excelente estado do Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu, com suas colunas imponentes e seus canteiros de flores rodeando o gramado, mas preferi me ater ao museu, visite-o e me fale sobre ele e o estádio.
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