
click e ria
O Márcio escreveu um texto super bonito sobre a CPMF, sociólogos, instituições formais e comportamentos informais. Achei o texto bem escrito, é a visão dele e eu ia adorar papear com ele na mesa de um boteco, reforçando mais uma vez o convite. Mas então eu me inspirei a falar o que penso sobre o tal imposto, sobre quem paga e quem é beneficiado. Eu que não sei escrever tão bonito, peço desculpas pelo mau jeito.
O governo fala que ao acabar com a CPMF o pobre vai ficar sem benefícios como as bolsas e a saúde (isso é mentira), eu não to nem aí pra isso (isso é verdade). Vamos aos meus argumentos.
Quando eu falo que o pobre compra produtos piratas e ta fodendo a economia, entre outras coisas, como colocar dinheiro nas mãos do crime organizado, roubar os direitos autorais dos artistas, receita das gravadoras e tals, o pobre diabo me responde que não está nem aí pra isso, ele é pobre (só ele, coitadinho), as coisas custam caro e se ele não comprar pirata ele não poderia tê-las.
Aos meus olhos, o pobre diabo está sendo egoísta, não está nem aí pros outros (e nem aí pro país) desde que ele, coitadinho, possa assistir ao dvd pirata do zeca pagodinho no seu dvd player comprado pelo dobro do preço em 24 vezes nas casas bahia. É o informal querendo ser beneficiado pelo formal. É o informal querendo que só eu seja formal. Se isso não é egoísmo, então eu sou um duende (ou gnomo, dependendo do que você consumiu) que mora embaixo de um cogumelo.
Eu não recebo bolsas do governo, não sou usuário da saúde pública, nunca seria beneficiado por programas de moradia popular do governo. A única coisa que eu faço pro governo é pagar impostos, muito mais que os pobres diabos.
Pago imposto quando encho o tanque do carro, quando pago ipva, quando pago iptu (o pobre é isento, eu pago pra limparem a rua dele) quando compro vinho, quando compro queijos, quando pago o seguro do carro, o seguro saúde (porque não uso a pública), a conta da cantina napolitana, o restaurante oriental, coisa que o pobre diabo não faz. Eu pago imposto pro pobre diabo receber benefícios e ele não ta nem aí pro certo e pro errado, não ta nem aí se o pato é macho, ele quer é ver o ovo. Formal e informal? Ele caga e anda pra isso, é a filosofia da vaca.
Repararam que não é só a CMPF, se eu olho pro lado, puft! tô pagando imposto. Quando eu falo que pago mais imposto que as classes mais pobres que a minha, tentam me convencer que não, não conseguem. É muita desigualdade fiscal.
Se isentassem todos dos outros impostos e deixassem somente a CPMF, a desigualdade seria menor, mas ainda assim eu pagaria mais. Tomem, por exemplo, que eu pago meus funcionários em dinheiro exatamente porque eles não querem pagar CPMF. Eles não pagam, mas eu paguei quando saquei o salário deles no banco. Então vem o sindicalista (espécie em risco de extinção, ainda mais agora que o lula deu mais uma paulada nele, rsrs) dizendo que eu tenho mais é que me foder porque sou patrão e o coitadinho é empregado. Ahãm, sei, to acostumado.
Resumindo, eu pago imposto pra outros receberem os benefícios (sejam eles pobres diabos ou banqueiros) e esses não estão nem aí pra ninguém a não ser pra eles mesmos. Posso até estar consolidando meu lugar no inferno, mas não quero pagar a CPMF. Você pode até não concordar comigo, mas pense a respeito. Você também pode achar que eu sou egoísta. Gostaria de ser, os egoístas não estão pagando impostos.
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