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Clube de Caça e Tiro e o Rei do Dia

14/03/2009 10 comentários

Na última hora, eu que só estava ali para disparar a máquina fotográfica, fui convocado a substituir um atirador com cólica renal na equipe de tiro da Sociedade Recreativa Indaial, a qual já fazia parte a Bianca, o sogro Schubert, o cunhado Ismael (Keko) e a prima Henriette Martina (Neca). Uma família de atiradores consagrados.

medalha de caça e tiro

Desconfiança e desanimo numa equipe desfalcada de um atirador treinado substituído por um forasteiro vindo de São Paulo e “que nunca atirou na vida”, como diziam muitos.

caca e tirocubo de fotos

Após 19 anos sem atirar com armas longas e sem nenhuma explicação prévia, sem que eu tivesse sequer a oportunidade de conhecer o equipamento antes, um Rifle SuperMach calibre 22 da Anshultz, fui colocado na minha posição no estande com “meu” rifle, “Sua vez rapaz, o alvo está lá, à 50m, acerte-o 3 vezes”. Com toda essa “concentração e preparo” fui colocado entre 72 atiradores experientes, o resultado só poderia ser um:

Com a melhor sequencia de tiros, fui o Rei do Dia.

cubo de fotoscubo de fotos

O Schubert também levou a sua faixa de 1º Cavaleiro. Não foi o dia dos outros participantes da família que apesar dos bons tiros, não chegaram a premiações.

Um azarão? Nem tanto assim. O que a maioria das pessoas não sabia é que eu já tinha conseguido ótimos resultados em competições de tiro quando era militar a muitos anos, inclusive em modalidades mais complexas.

Pausa pra lembrar você que o tempo passa rápido e é melhor começar a pensar no Presente do o Dia dos Namorados, ok?

Os Clubes de Caça e Tiro e as Competições

Os Clubes de Caça e Tiro são uma forte tradição em Santa Catarina. Cada cidade tem dezenas deles competido entre si em vários torneios. São clubes familiares como os que temos em São Paulo, me fazem lembrar os clubes de regatas. São completos, vários eventos sociais, sedes, salões de baile, áreas de lazer com piscinas e várias modalidades esportivas sendo a principal as modalidades de tiro. Ao invés de clube de regatas, é clube de caça e tiro.

cubo de fotoscubo de fotos

Mas caça-se? Não. Há muitos anos a caça deixou de ser praticada e hoje é proibida por aqui. Ficou somente o nome, o que leva os clubes serem vistos com certo preconceito por pessoas que não conheçam as tradições locais. Eu poderia ter sido um desses preconceituosos, se a família da Bianca não fosse integrante de um desses clubes. Uma família de atiradores campeões, incluindo ela própria sendo várias vezes Rainha do Tiro em diversas competições, uma atiradora forte.

9ª Festa Municipal para Disputas de Rei e Rainha do Tiro

Esta competição faz parte das comemorações dos 75 anos da cidade de Indaial e aconteceu na sede da Sociedade Recreativa Warnow, um clube de caça e tiro com 136 anos.

As competições são extremamente familiares e os competidores são pessoas normais, muitas vezes as equipes contam com várias gerações de uma mesma família, Opa (avô), Oma (avó) filhos e netos. A equipe da Sociedade Recreativa Indaial estava competindo com mais 8 clubes de caça e tiro da cidade. Cada equipe de adultos com 8 atiradores no masculino e 8 no feminino, num total de 72 atiradores homens e 72 mulheres.

As modalidades principais são Tiro por Equipe masculina e feminina, onde se soma os pontos feitos por todos os 8 atiradores da equipes de cada clube. O Rei e Rainha do Tiro, que é o considerado melhor tiro do dia, seguido pelos Cavaleiros ranqueados por pontuação. E o Rei do Dia, melhor tiro do dia em uma segunda arma do mesmo modelo.

Par que se entenda, todos os 72 atiradores competem com a mesma arma, na mesma posição do estande, para o premio de Rei do Tiro e seus cavaleiros. Uma segunda arma do mesmo modelo, em uma segunda posição do estande é destinada a competição do Rei do Dia, onde os mesmos 72 atiradores atiram, obviamente cada um em seus alvos. Essa configuração é duplicada, uma para o masculino e outra para o feminino.

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Fotos de Mulheres de Biquini

03/03/2009 10 comentários

Quando eu dizia que me mudaria para o sul era comum rebaterem:

“Vais mudar para o primeiro mundo, pena que lá seja tão frio”

Descobri mais tarde as 2 inverdades dessa frase, em Santa Catarina se sente tanto calor quanto no nordeste, ou mais; E o sul é tão terceiro mundista quanto o restante do brasil, ou mais, se observarmos bem.

onda de calor no sul em blumenau

Frio por aqui é algo tão raro quanto mulheres de biquíni tomando sol nos parques. Tudo bem, os parques também são raros, já que a natureza emoldura qualquer paisagem.

Eu já passei um inverno aqui e quase congelei, contei pra você quando falei sobre Ibirama, por aqui o frio intenso é intenso mesmo, mas não passou de 2 semanas. O restante do inverno é parecido com os dias de frio em São Paulo, por exemplo, algum agasalho médio te protege.

imagens e fotos de raios

Já o calor, esse nos acompanha pelo ano todo. Quase sempre suportável, mas beirando o insuportável em muitos períodos, já que por aqui, uma simples brisa é tão comemorada quanto à chuva em algumas cidades nordestinas. Quando venta as pessoas saem a rua pra ver, e sentir.

imagens e fotos de raios

O vocabulário também muda, trovão é trovão mesmo, mas tempestade se chama trovoada, vai entender. Às vezes a chuva rodeia toda a cidade e por horas todo o horizonte ao redor fica constantemente iluminado por relâmpagos e raios, um cenário da “Guerra dos Mundos”, mas a chuva teima em não cair por aqui para amenizar nossa sensação de 50 graus.

mulheres de biquini fio dental

É mesmo uma região de extremos, e nos finais de semana quando o carlozão bate os rios e ribeirões ficam cheios de banhistas e eu não posso pescar nem lambari no fly, mas a paisagem ainda é longe da paisagem de biquíni (ou bikini) no Parque Ibirapuera, afinal, é só a natureza que costuma ser extremista por aqui.

Post Scriptum: Essas galinhas nem estavam de biquíni e morreram de calor. via Sereia

As imagens dos raios são do Santa e as das gostosas de biquíni são da Folha de São Paulo.

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Lixo humano, lixo urbano

27/09/2008 32 comentários

Vocês já sabem que eu pratico fly fishing e to sempre me metendo em enrascadas por conta disso.

Aqui em Indaial (SC) tem o Parque Ribeirão das Pedras. O parque tem lá seu pavilhão de eventos, um kartodromo bacana e uma das melhores pistas de MotoCross do Brasil. Tem também uma coisa lá que eles chamam de complexo esportivo que nada mais é que um gramado rodeado por uma pista de brita. Não vou falar da cara de pau dos políticos que o inauguraram. Nada disso é o motivo do texto.

A lagoa

O que me interessa no parque é a sua lagoa, onde é permitido pescar.

É uma lagoa de bom porte com uma boa extensão de margem gramada até e água. Mas eu gostei mesmo foi da margem oposta cercada pela mata alta e de difícil acesso. Difícil pra quem não tem nada pra fazer desse lado, mas pra quem pesca, nada é tão difícil que impeça alguma incursão. E lá fui eu e a Bianca (já pensaram nos seus presentes de natal?), que nunca havia se aventurado por aquelas bandas.

O lixo humano

Mas o que era pra ser uma prospecção para futuras pescarias se transformou em uma ação de limpeza. Vocês ficariam impressionados com a quantidade de embalagens de salgadinhos, sacolas de supermercado e garrafas PET que encontramos nas margens menos frequentadas.

Algumas coisas foram claramente depositadas ali provavelmente por quem se aventurou praqueles lados seja para pescar ou qualquer outra coisa. Mas muita coisa havia sido obviamente carregada até lá pelo vento. Tá certo que o parque não tem lixeiras, mas se eu levo o meu lixo pra casa, porque os outros não fazem o mesmo me obrigando a levar o meu e o deles?

Seja como for, em menos de 2 minutos havíamos feito 2 boas pilhas de lixo humano e já tínhamos percebido que não conseguiríamos limpar o que faltava e teremos de voltar lá com vários sacos pra recolher toda aquela sujeita. Eu e a Bianca ficamos envergonhados por diversas razões. Gente assim, além de nos envergonhar não merece aquele parque. Não merecem que se faça muito por eles. Talvez seus filhos merecessem ser arrancados dos pais através da educação.

O lixo urbano

Fala-se muito sobre o destino do lixo urbano coletado das nossas residências, mas pouco se fala do lixo que não é coletado. O Oceano Pacífico tem 2 gigantescas plataformas de lixo boiando, praticamente 2 ilhas de lixo no oceano. Os animais estão morrendo por comê-la (trash vortex). Se você tiver estômago, veja a autópsia de um deles, veja a quantidade de plástico que ele comeu.

Canso de ver gente jogando lixo nas ruas, pelas janelas dos carros, muitas vezes dos seus carrões modernos e caros. Gente porca, gente atrasada, gente que nos envergonha.

Post Scriptum I: Vejam como foi minha pescaria no local.

Post Scriptum II: A idéia nem é uma blogagem coletiva, mas acho legal escrevermos sobre o assunto, já aderiram: O Xará, a Flávia, Luci, antes ainda o Cirilo Veloso

que venha o frio

18/06/2008 13 comentários

Ontem eu tava no msn papeando rapidamente com meu amigo deputado num dos seus raros momentos em se dispões a conversar com raros privilegiados através dessa ferramenta tão modernamente irritante (ufa).

Ele dizia: Que venha o frio!

Eu gosto de frio e ontem fez 4° aqui. Mas eu gosto de frio acompanhado da lareira, meias de lã, do vinho e de fondue. Pra algumas outras coisas o frio é uma fria.

Mas depois de voltar da padaria, eu resolvi o frio com um remedinho bom, um feijãozinho gordinho no fogão à lenha (e não “fogão de lenha”, Norma, porque se o fogão for de lenha ele queima), e pau na imprensa, sempre ela.
feijoada

O pessoal por aqui ama o frio, eles ficam na maior expectativa da geada, do meio da tarde pra frente é aquele comentário, o céu tá limpo, se parar o vento tem chiada. E quando ela chega (quase) todo mundo adora e comenta o dia inteiro. Nos finais de semana sobem a serra torcendo pra ter chiada. Nos jornais é matéria para cada edição, com imagens do branco sobre a relva, entrevistas com turistas nordestinos encantados com o frio de gelar a alma.

Eu, que sempre cri que a imprensa, assim como a Dilma, é manipuladora, tenho certeza, assim como tinha certeza que a seleção pocotó perderia pro Paraguai, que a imprensa manipula o gosto do pessoal daqui. Porque não é possível gostar tanto assim de frio.

Explico. Geada não é uma coisa boa, queima plantações levando os pequenos produtores, abundantes por aqui, a amargar prejuízos. Pessoas com menos recursos que nós, sofrem com o frio. Eu sofro com o frio, a enorme maioria das pessoas sofre com o frio. E eu vou parando de falar do lado mau do frio, continuem lendo e entenderão por que.
por do sol

Vamos lá. Eu, do alto da minha mania soberana de achar que tudo é uma conspiração, porque é, vos digo:

Imaginem se além de todos se foderem com o frio, a imprensa mostrasse que o frio fode à todos?

Se a imprensa não conspirar a favor do frio, as indústrias fechariam as portas por falta de funcionários, ninguém mais sairia de casa por depressão térmica. Pessoas se auto-suicidariam a si mesmas, se matando. É verdade, pensem a respeito. A imprensa tem de fazer todos acreditarem que o frio e as geadas são cuti-cuti, e ela consegue, pura conspiração. Por isso eu vou voltar pro meu feijão.

Volto, mas depois de deixar vocês com algumas fotos (você pensava o que tinha que ver essas fotos com esse assunto, rs) que acabei de tirar quando voltava da padaria. Saca só o meu fim de tarde, e cuidem que esse não é o maior rio da minha cidade (nossa, sou fascinado por rios). Você vai ver algumas nuvens lindas que baixaram o moral do pessoal aqui, porque indicam que hoche nom tem chiada.
por do sol

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Dica de Passeio para o Dia dos Namorados

12/06/2008 12 comentários

Update: Vídeo da Bianca cantando em alemon na Eisenbahn

Hoje é aquele dia heim, ô dia gostoso. Podem dizer que é só mais um dia, ou que todos os dias são “o” dia, podem até dizer que é data pra vender mais que tudo bem, eu adoro vender mais. Podem dizer o que quiserem, mas que é gostoso acordar nesse dia, como é gostoso acordar em todos, isso é, se é que vocês me entendem. Entendem?

E depois daquela acordada, nada melhor que continuar bem “esse” dia, como como é bom continuar bem todos os dias. Vou contar pra vocês qual foi a sugestão dela para o nosso dia dos namorados.

Uma tarde tranqüila pescando (eu praticando fly fishing) no ribeirão, curtindo o sol, o friozinho e a água chelada, porque ela “ainda” não tem o próprio wader…
wading
…para depois, mais a noite umas dunkel, pile ale e rohwurst, kochwurst, brühwurst, bratwurst e outras wursts ali na Eisenbahn….

De manhã? Ahhh não conto mesmo, rssss
Pois é, essa é a Minha Vida
minha vida
Agora se nos dão licença…

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A river runs through it

25/05/2008 16 comentários

Ontem eu fui pescar de vadeio no Ribeirão Encano, no Encano Central (eu pesco na modalidade fly fishing. A Bianca, fotógrafa da vida selvagem e minha padawan, não quis pescar, ao invés, passou o tempo fotografando, comendo “tanjerinas” selvagens, filmando e explorando os locais, além de ser a minha fotografa oficial.

Quando eu já tinha capturado (fotografado e soltado) o primeiro lambari, apareceu o Sr. Fritz local, que se chama Fritzke, mas essa pronuncia também é só o que a Bianca entendeu, pra mim continua sendo só Fritz, rs. O tal homem chegou no rio cheio de marra, dizendo que não se podia pescar ali, que pegaria a placa do meu carro e ligaria para a “Ambiental” e tudo mais. Bom, argumentei que tenho licença do Ibama, que estava praticando Catch & Release e que tinha sim o direito de pescar naquele local, afinal, margem de rio é de acesso público. Claro que argumentei com muito tato e educação. Mas nunca vou esquecer que quando eu disse que tenho licença do Ibama ele soltou: “Ahhhh mas vai dizê!” com aquele tom de deboche. Sensacional.

Mas ao perceber que eu falava sério, o Sr. Fritz deu meia volta e resolveu prosear mais com a gente antes de tomar atitudes tão radicais. Apontando para uma curva mais acima no rio, nos contou sobre uma cobra que mora por lá, que tem por baixo uns 12 metros e só a cabeça já era maior que um dos seus porcos de 300kg, contou a história de como um dia ela veio descendo o rio para se levantar 3 metros fora d’água e engolir numa só bocada uma capivara de mais de 20kg. Era realmente muito perigoso andar por aquelas bandas.

No meio da prosa com a Bianca, porque eu já tava caminhando ao encontro aos lambaris (e da monstruosa serpente devoradora de capivaras), o Sr. Fritz ofereceu “feijon” colhido 2 dias antes, e claro, “uns tanjerinas” da sua “plantaçon”. A Bianca combinou que queríamos sim, pegaríamos depois.

Fiquei feliz pela atitude do homem, que mais tarde se desculpou por ter chegado “ralhando” daquela forma. Explicou que tem muita gente que chega ali com suas tarrafas e mata tudo, ele achou que eu poderia ser um deles. Não sei qual é a graça em pescar com tarrafa, além de ser permitida somente para pesca profissional em algumas regiões, visa somente a produtividade, pegar o peixe e nada mais.

Pescar esportivamente – expressão que eu não gosto muito, mas que ainda é a única que se encaixa no que fazemos – não prioriza o fim, que é o peixe, prioriza o meio, que é a maneira de pegar o peixe e tudo relacionado a isso. Compreende o estudo das espécies, seus hábitos de reprodução e alimentares, o estudo do clima e ecossistemas das regiões, passando pelo estudo das fases da vida de tudo aquilo que serve de comida dos peixes pretendidos durante o ano. Isso só pra simplificar as coisas, no caso da pesca com mosca (fly fishing) tem muito mais. Caminhar pelo rio revirando pedras na tentativa de fotografar e posteriormente identificar ninfas de insetos e compreender o ciclo de eclosão durante o ano, entre outras coisas, também faz um bom pescador. Tudo isso proporciona ao cabra um extremo convívio com a natureza, o faz respeitá-la, e consequentemente desperta uma vontade incontrolável de preservá-la. Ninguém se interessa muito em preservar aquilo que pode, aparentemente, não lhe fazer falta, e é complicado de convencer alguém da falta que vai fazer o mico-leão-dourado ou o caranguejo real do Alaska. Sacaram como pescar é, além de prazeroso, muito educativo?

Mas voltando ao Fritz, depois de mais uma horinha pescando e antes de partir para outro ponto do rio, resolvemos subir até a casa do homem pra buscar o feijão recém colhido a 4,50 pilas o quilo. Minha nossa, o homem fala mais que a mulher da cobra e pobre na chuva juntos. Ele me mostrou seus porcos e o chiqueiro quase caindo, explicou que não consegue arrumá-los porque “a ambiental” quer cobrar 20 pilas por árvore que ele derrubar para usar a madeira, e isso porque ele vai plantar outras no lugar. “Mas eu não to roubando, to tirando da minha propriedade”. A “Ambiental” pelo visto prefere que ele compre a madeira pra arrumar o chiqueiro de porcos, isso lhe faz algum sentido? De onde viria a madeira que ele compraria? Heim? Fiquei pensando no que pode passar pela cabeça do pobre quando vê que a Amazônia ta indo pro saco, ta virando ainda mais grana na mão de milionário amigo de político, mas resolvi nem comentar.

Achei mais recompensador brincar com o piá loirinho de olhos azuis Willian, que o homem pronunciava algo como “VirrrRãm”, segundo eles eram 9 netos, e todos começavam com “V”, rs.

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sobre saídas, chegadas e vieldankeschön!

23/05/2008 8 comentários

Eu me mudei, vocês já sabem. Mas nem cheguei a contar como foi a partida e a chegada na nova cidade. Parti depois do brother (valeu mesmo irmão, te amo um monte) me ajudar a “colocar umas coisinhas na mala do carro”. O cão Ozzy estava junto, e foi um ótimo companheiro nos 700km de viagem.

A chegada, depois de um dia inteiro na estrada, foi muito show, teve fogos e faixa de boas vindas pra mim e pro cão Ozzy, com direito a espumante só pra mim.

Bom, depois disso, vocês já sabem pouco né. Mas no final de semana passado eu fui na Festa do Encano Baixo, teve “pandinha” e “churasco”. Depois eu coloco o link pro vídeo que eu fiz.

E agora babem, eu dei um pulinho ali no clube às margens do rio Itajaí, que corta a cidade. Fui dar uma pescadinha e a natureza se escancarou (em minha homenagem) pras lentes da Bianca. Veja mais. Eu tava ali, pequenininho querendo que o mundo literalmente acabasse em “baranco”.

Ahh pessoal, só pra lembrar, o domínio frigideira.net vai sair do ar em breve e ninguém mais vai conseguir acessar o escalafobético através dele, por isso, cuidem de guardar o endereço novo que ta aparecendo na barra de endereços aí encima, apesar de que, é muito mais fácil você assinar novo feed.

Ahh (de novo) pessoal, a Luma (sempre ela, a sensacional Luminha) fez um post sensacional que todos devem ler sobre peixes, pesca predatória, pesca comercial, meio ambiente e tals. Repito, o post é sensacional, e tem um comentário meu em destaque (vieldankeschön Luminha). Mas vamos combinar, nem precisa ler meu comentário, vai direto pro post, vale muito mais a pena.

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lixa na mão, mão inglesa na direção

11/05/2008 9 comentários

Pois é, pouco mais de uma semana de SC. Muito trabalho.

Passei a semana trabalhando numas encomendas que a Bianca tinha.

Passei a semana aprendendo. Pinta o fundo de branco, lixa tudo bem lixadinho pro toque ficar agradável. Primeira demão de tinta na cor criada exclusivamente para aquela peça, que é exclusiva praquele cliente, feita especialmente praquela ocasião tão especial. Lixa novamente, segunda demão da tinta, sente com os dedos se precisa lixar novamente, terceira demão? Sim, porque tudo tem de ficar perfeito. Mesmo tendo acompanhado à distância o trabalho da Bianca por todo esse tempo, não imaginava o trabalho que dá pra produzir as suas tão famosas e exclusivas peças.

Como a Bianca tinha muitas “artes” pra fazer, passei bastante tempo sozinho no atelier. Tive tempo de sobra pra pensar em como tudo estava diferente, pensar em mim ali com um pedaço de lixa nas mãos, os dedos deslizando pelas bordas das peças, sentindo a madeira, quem diria? Justamente eu que nunca lixei nem as unhas. Aquele silêncio, um puta visual, os pássaros fazendo algazarra, galos cantando e galinhas cacarejando crescendo soltas no bosque… A Bianca chegando com uma caneca de café quentinho e um pedaço de cuca de nata. Gostou? Eu adorei.

O cão Ozzy também gostou, depois de uma semana ele e a Ballerina estão acostumados um com a outra (ou o contrário, como queira). Já são raros os arranca-rabos dos primeiros dias, mas ele ainda corre atrás das galinhas e seus pintinhos.

Depois de só uma semana eu já tô falando “passear com o cachoro”, “subir o moro”, “dirigir o caro”, “morer de fome”, “fazer churasco”. To até chamando lâmpada de “foco”. Até falo “tu uma fez” no final de todas as frases. Rss

Aqui tem mão inglesa, a gente ta dirigindo normalmente e ao virar uma esquina, topa com uma placa indicando que aquela rua tem mão-inglesa. É engraçado, mas a gente anda com o carro pelo lado esquerdo da rua, só que sentado do mesmo lado esquerdo do carro. O resultado disso é que não dá pra ultrapassar. To até pensando numa invenção nova, um assessório novo pra instalar nos carros e facilitar as ultrapassagens nas ruas de mão inglesa, chamarei de frontevisor.

Tenho muitas fotos bem legais, vou colocar depois, ainda não consegui nem mesmo ligar meu pc e até esse post não está saíndo como eu gostaria, faltam fotos. Também está difícil de escrever, além de ser quase impossível comentar os posts de vocês. Mas passamos o domingo pintando as paredes do nosso futuro “studio”. Sim sim, como se não nos bastase o atelier, teremos também um studio, chiq não é mesmo?

Não tenho mesa, mas tenho 2 cavaletes usados e um projeto. Conversei com o Seu Adão, um dos marceneiros que fornece peças sensacionais para Bianca, ele disse que eu posso dar uma revidara no “pinguero” da marcenaria, que é uma pilha de taboas usadas ou velhas, ou ainda sem uso. Assim, minha mesa será construída por mim mesmo usando materiais usados, e vai ter aquela cara de improviso despojado que eu gosto tanto. Aguardem.

Estive tão ocupado essa semana que também não consegui sair pra pescar. Mas têm muitos ribeirões de água cristalina há 10 minutos qualquer lado que eu vá, lugares sensacionais pra eu poder pescar com fly. Sim eu pesco com fly. E também pratico o catch & release, solto praticamente tudo que capturo. Vai ser engraçado quando o pessoal daqui me vir lá no meio do ribeirão, com água quase pela cintura, pescando daquele jeito diferente, com aquela linha grossa voando pra frente e pra trás sobre a cabeça.

A Bianca disse que eu vou virar atração turística, falou que ao passar de carro pela beira do ribeirão a Frida vai falar pro Fritz:

Nei, nein, nein, hast du gesen? Das farechkte Man ess schon vieder da in das fluss mit zeine komishe fishange!
(Não, não, não, tu viu? O homem maluco está lá no rio novamente com a sua varinha de pesca esquisita).

Rsss. Será que é legal ser atração turística? Não sei, mas daí eu conto pra vocês.

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às margens do rubicão

01/05/2008 22 comentários

Eu sabia que esse dia chegaria, e chegou. Além de dar ao Frigideira um novo endereço e um novo nome, despeço-me da cidade onde morei os últimos 20 anos, não sei se ad eternum, nem por quanto tempo.

saidas

Andei falando aqui que deixaria o brasil pra trás e muita gente achou que eu iria para o exterior. Não, aquilo foi só pra provocar, uma brincadeira com uma coisa que eu ouvi há 2 anos atrás quando uma pessoa em cidade de do sul onde o comércio funcionava normalmente numa terça-feira de carnaval disse: Carnaval? “Ahh isso é uma festa que acontece lá no brasil.”

O estado é Santa Catarina, a cidade é Indaial.

Há tempos eu estava pensando em levar uma vida mais leve, mesmo que isso não signifique menos trabalho ou menos responsabilidades. Com certeza significará menos stress, menos preocupações com coisas as quais definitivamente não deveríamos nos preocupar. A vida é muito mais simples sem algumas coisas que temos numa megalópole.

São Paulo é uma cidade fascinante e eu sou apaixonado por ela, mas o seu povo deixou de me fascinar. As pessoas estão em guerra, umas contra as outras. As classes sociais estão em guerra. Quem tem menos declarou guerra contra quem tem mais, quem tem mais se defende atacando quem tem menos. Onde está a cordialidade? Onde está o respeito ao próximo? A educação? Os sorrisos? Essas coisas não cabem numa cidade monstruosamente grande ou essas coisas não cabem na vida do brasileiro? Do paulistano?

Fico pensando se Indaial ou qualquer outra cidade pequena, no brasil ou não, crescesse como São Paulo, esses valores também deixariam de ter espaço na vida das pessoas? Não sei, mas quero espaço para essas coisas na minha vida e quero conviver com pessoas que também tenham esse espaço nas suas.

Eu e a Bianca pensávamos que uma evolução lógica do nosso relacionamento seria a sua mudança para Sampa, por alguns anos, talvez. Mas eu não quero que ela se torne o que eu me tornei, quero ser mais parecido com ela, não a suportaria se ela se parecesse comigo.

Falar que estava deixando o brasil foi só uma brincadeira com uma lembrança de uma terça de carnaval, uma lembrança que me motivou a vender minha empresa e recomeçar em um lugar mais tranqüilo. Nada melhor que fazer isso ao lado de quem se ama, seja lá onde for, mas por enquanto, é aqui em Indaial, por quanto tempo? Não faço a mínima idéia. O que farei por aqui? Menos idéia ainda.

chegadas

Mas está feito, alea jacta est.

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