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Fotos de Mulheres de Biquini

03/03/2009 10 comentários

Quando eu dizia que me mudaria para o sul era comum rebaterem:

“Vais mudar para o primeiro mundo, pena que lá seja tão frio”

Descobri mais tarde as 2 inverdades dessa frase, em Santa Catarina se sente tanto calor quanto no nordeste, ou mais; E o sul é tão terceiro mundista quanto o restante do brasil, ou mais, se observarmos bem.

onda de calor no sul em blumenau

Frio por aqui é algo tão raro quanto mulheres de biquíni tomando sol nos parques. Tudo bem, os parques também são raros, já que a natureza emoldura qualquer paisagem.

Eu já passei um inverno aqui e quase congelei, contei pra você quando falei sobre Ibirama, por aqui o frio intenso é intenso mesmo, mas não passou de 2 semanas. O restante do inverno é parecido com os dias de frio em São Paulo, por exemplo, algum agasalho médio te protege.

imagens e fotos de raios

Já o calor, esse nos acompanha pelo ano todo. Quase sempre suportável, mas beirando o insuportável em muitos períodos, já que por aqui, uma simples brisa é tão comemorada quanto à chuva em algumas cidades nordestinas. Quando venta as pessoas saem a rua pra ver, e sentir.

imagens e fotos de raios

O vocabulário também muda, trovão é trovão mesmo, mas tempestade se chama trovoada, vai entender. Às vezes a chuva rodeia toda a cidade e por horas todo o horizonte ao redor fica constantemente iluminado por relâmpagos e raios, um cenário da “Guerra dos Mundos”, mas a chuva teima em não cair por aqui para amenizar nossa sensação de 50 graus.

mulheres de biquini fio dental

É mesmo uma região de extremos, e nos finais de semana quando o carlozão bate os rios e ribeirões ficam cheios de banhistas e eu não posso pescar nem lambari no fly, mas a paisagem ainda é longe da paisagem de biquíni (ou bikini) no Parque Ibirapuera, afinal, é só a natureza que costuma ser extremista por aqui.

Post Scriptum: Essas galinhas nem estavam de biquíni e morreram de calor. via Sereia

As imagens dos raios são do Santa e as das gostosas de biquíni são da Folha de São Paulo.

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enfim, o mundo aos meus pés

16/01/2008 19 comentários

enfim, o mundo aos meus pés from frigideira on Vimeo.

Enfim, o ano tem de começar um dia não é mesmo? O meu ano já começou há alguns dias, mas o ano no frigideira só começa hoje. Nada melhor do que começar com o mundo aos nossos pés, com assuntos leves.

Vou falar sobre o dia em que eu e a Bianca fomos conhecer o mirante do edifício Altino Arantes, a torre do Banespa, um cartão postal da cidade de São Paulo. O prédião foi inaugurado em 1947 e lá de cima a gente tem uma puta panorâmica de sampa. Pra chegar ao mirante da torre a gente se sente num puta filme de suspense no farol do penhasco à beira do mar revolto, é bem legal. Mas atenção, você só pode subir lá em cima de 2ª à 6ª no horário comercial, e fique esperto porque só pode ficar 5 minutos no mirante, sem choro nem vela, puta sacanagem. A visita foi legal, mas depois foi mais legal, nós 2 enchemos a cara de brejas num puta botequim bacana que tem ali ao lado (mas lá embaixo).

Também vou aproveitar pra falar sobre o Vimeo, onde esse vídeo está hospedado. É um site bacana que hospeda vídeos em qualidade muito superior ao youtube, além de permitir fazer o download do vídeo no formato original. Fuçando no site, descobri que a adesão de brasileiros ao Vimeo é quase nula, percebi também que os vídeos são quase todos caseiros, ou pessoais, como queiram. É muito raro encontrar material com copyright comercial, ou seja, parece que a galera, por enquanto, entendeu o objetivo do brinquedo, divulgar material próprio e não pirataria. Postar vídeos de própria autoria é bem legal. Vida longa ao Vimeo.

a minha cowparede

27/11/2007 15 comentários

Pessoal, não estou de saco cheio de blogs, estou meio distante pois tô com pouco tempo mesmo.

No post anterior, não fiquei surpreso com comentários sobre ser difícil para que mora longe imaginar Sampa com pássaros e verde, já que até mesmo quem mora aqui chamou a cidade de cinza. Acho que as pessoas vêem o que querem ver, uma espécie de visão que aplaca as expectativas pré-formadas.

Imaginem uma pessoa que passa a vida vendo a São Paulo dos Jornais, que quando chega aqui, com a expectativa de ver a “selva de pedras” violenta, poluída e cinza, só tem olhos pra isso. Ela é capaz de percorrer toda a marginal do rio pinheiros observando somente os prédios e a poluição do rio, comentando sobre o transito, é claro. E olha que quem, assim como eu, diariamente faz o trajeto bairro-centro na marginal pinheiros, tem uma das mais belas visões de “verde urbano” de Sampa, ainda vou fazer umas fotos.



a minha cow parede de verdade


yes, nós temos represonas


a vista do apto que eu morei até 2 anos atrás


a rua da minha casa, em frente ao apto

Outra idéia que me ocorre agora é a do turista normalmente trafegar por corredores rápidos, as avenidas como Paulista, JK, Santo Amaro, Consolação, e afins. São avenidas sem arborização, sempre muito poluídas. Poluição que deteriora as fachadas dos prédios, deixando tudo mais feio. Mas as vias rápidas não servem de referencia. Se você está pela horrorosa Washington Luiz provavelmente estará achando tudo muito feio, mas se sair dela e andar uma quadra pelo bairro encontrará ruas totalmente cobertas por árvores, muitos pássaros, enfim, você se surpreenderá.

Bom, é claro que em Parelheiros, por exemplo, tem poucas árvores, na Vila Maria também, mas se eu planto verde no meu quintalzinho, porque os moradores, cada um deles não planta uma árvore em frente a sua casa? Sei lá, falar que a prefeitura não faz nada é fácil, mas é mais fácil ainda plantar uma “árverezinha”. O viveiro de mudas do parque do Ibirapuera, assim como vários viveiros públicos na cidade, doa mudas. Sem contar o fato de muitos lugares terem sido ocupados à base do desmatamento total, as pessoas chegaram e derrubaram tudo pra construir seus barracos, sem preservar nada. É um assunto bem amplo, eu sei, mas vale a velha máxima, por aqui, sentar e esperar do “estado” é a máxima, pior é que alguns gestores incentivam isso.



rua de sampa, saindo das vias expressas


outra rua de sampa


alameda santos, paralela à av paulista


rua aqui perto de casa

Mas voltando a marginal do Rio Pinheiros, deixei aí encima uma foto que tirei dia desses, parei e fotografei bem rápido porque tava começando a maior chuvona fortona. Mas essa foto foi tirada em uma região considerada central, não na periferia onde se encontra de tudo, mas ao lado do hotel Transamérica, onde se hospedam os pilotos de F1 e tals. Eu sempre vi essas vaquinhas passeando por ali, mas nunca tinha conseguido fotografá-las antes. Apurei que somente um casal foi trazido para o local, todo o restante (e são muito mais do que aparecem na foto) nasceu ali mesmo. Parecem viver bem, pasto bom. E ainda estão ao lado de uma das represonas (nos temos 2) que temos dentro da cidade.

Como podem ver, meus olhos me mostram uma São Paulo muito diferente dos Jornais, posso dizer que é um complemento. Os jornais mostram só uma faceta, eu vejo muitas outras.

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São Paulo que eu conheço

07/11/2007 24 comentários

Diariamente ando bastante pela zona sul de São Paulo, ou pelo menos, por uma parte da zona sul. Vou tentar mostrar algumas imagens que vez ou outra dou sorte de captar. Uma casinha para pássaros, que vivem na redondeza. Esta casinha fica no jardim de uma empresa aqui perto de casa. Nos arbustos do jardim de uma casa próxima, um ninho de Sabiá-Laranjeira, ave símbolo de São Paulo, com a mãe cuidando dos ovos de forma bem dedicada. O Sabiá-Laranjeira tem um canto “próprio” muito gostoso de ouvir, ave esperta que é, pode aprender o canto de outras aves se crescer com elas. Por isso temos uma boa variação de cantos por aqui, restando-nos tentar decifrar as influencias de cada pássaro. É bem verdade que estou cercado de animais, há alguns dias um sagui passava despreocupadamente pelos postes de eletricidade, indo provavelmente para o parque aqui ao lado.


imagens da São Paulo que eu conheço

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perolas aos porcos

07/05/2007 31 comentários

Eu que pouco assisto a tv por assinatura aqui de casa, ainda reclamava da péssima qualidade da tv aberta. Hoje eu penso que a tv aberta dá ao povo aquilo que eles merecem, exatamente o que eles conseguem assimilar e eles se regalam. Não querem nada além disso.

Eu não ia escrever sobre esse assunto porque eu não tenho muito limite ao me expressar, principalmente em um espaço tão pouco democrático como o frigideira, mas depois que vi o post da Magui (não consegui link direto para o post, mas é o “classificação certa”) resolvi falar um pouco, ela acha que os humanos são diferentes e eu concordo.

A partir das 20h de toda sexta-feira o Teatro Municipal exibe excelentes concertos de música clássica custando entre 5 e 10 pilas. Às vezes eu fechava os olhos e imagina os desenhos do Walt Disney.

E o show da Praça da Sé na Virada Cultural de 2007 foi aberto pelo Alceu Valença e encerrado pelos Racionais MC e seus convidados, tem gosto pra tudo. Dá uma olhada na pratéia (tem um cara com os pés no lugar da cabeça) e vejam mais imagens aqui. Querem me chamar de preconceituoso? Podem chamar sim, mas estarão sendo injustos, não tenho conceito pré-formado, tenho conceito muito bem embasado, lido todos os dias com essa pratéia. Trabalho voluntário em alguma favela? Não me faça rir.

Alguém algum dia disse que você pode tirar o homem de dentro da favela, mas não consegue tirar a favela de dentro do homem, é dessa favela que eu falo, da favela que é o espírito dos pobres diabos condenados. Eu sou pobre de grana, mas não de espírito. Por isso não adianta pegar a minha grana suada pra tira-los da favela. Não adianta pegar a minha grana pra fazer showzinho gratuito pra eles. Eles não querem deixar a favela sair de dentro deles. Vejo isso todos os dias.

Não ligo se você me ama ou me odeia, quem vem sempre aqui já percebeu que eu sou bem realista, utopia não é comigo. A questão não é a música mas os anseios. Nunca esperei que essa gente se interessasse por música erudita, se eles fossem ao teatro municipal seriam capazes fazer o que fazem de melhor, depredá-lo. A essa gente, Praça da Sé com Racionais tá bom demais.

Mas você pode chegar aqui e dizer que essa gente precisa de cultura, diga sim. Faça mais, vá lá e de cultura a eles, mas faça isso com as suas pérolas, não com as minhas que são suadíssimas.

08/05/2007: O Ronaldo também escreveu bem sobre o assunto e também falou da música, muito esclarecedor. Meu comentário por lá foi de que eu não acredito muito que música defina caráter, pra mim define, além de bom ou mau gosto, “inteligência social”. As músicas dos racionais são músicas sobre violência, sectarismo e guerra de classes. Quem é fã dessas músicas idéias não tem, em minha opinião, inteligência social. Não é capaz de conviver comigo, por exemplo. Isso distingue sim pessoas e dizer o contrário é a maior hipocrisia. Fãs de outros estilos de música se importam mais com a música que com o que ela incita, você pode ser fã de black sabbath (eu sou) e não vai sair fazendo sacrifícios à satã, porque você tem inteligência social. Sacaram?
09/05/2007: Picharam um prédio da Praça da Sé, como se não bastasse a depredação, os pobres diabos voltaram pra emerderar as paredes pra se desculpar com o líder dos Racionais, vocês acham que ta faltando alguma coisa?

Trashumanismo e as novas palavras de ordem

24/03/2007 23 comentários

O título não está errado e este pode ser um texto de difícil digestão.

Vocês poderiam achar que eu estava prestes a falar sobre o transhumanismo, mas teriam se enganado. Inspirado no termo criado pelo Huxley o adaptei a uma nova tendência humana identificada por mim mesmo. O trashhumanismo de que falo é paralelo ao desencaminhamento dos nossos atos ecológicos, é o desencaminhamento de nós mesmos, os humanos.

Posso contar uma história pessoal?

Há algumas semanas eu perdi meu celular na rua, quando voltei pra casa liguei para a operadora e o bloqueei. No dia seguinte, um amigo me ligou e disse: Junior, um tal de fulano de tal me ligou dizendo que encontrou seu celular na rua, ele disse que pegou o meu número na agenda do seu celular e me ligou para eu pedir para você ligar no seu próprio celular pra falar com ele. Entenderam? Tentem de novo, parece complicado, mas é simples.

Liguei na operadora e solicitei o desbloqueio. Liguei para o meu próprio número e o fulano de tal atendeu, disse que é motoboy, morava na zonal sul (a mesma que eu) e que entre um trabalho e outro poderia passar aqui pra me entregar o aparelho. Claro que eu fiquei grato, pensei imediatamente que aquela atitude merecia uma gratificação. Cheguei a comentar com a Bianca e ela disse: Ahh que legal, que pessoa mais boa. Respondi que tinha certeza de que não era uma pessoa boa. Existem poucas delas vagando pelo mundo, pensei. Mais tarde o jovem fulano de tal apareceu, nem desceu da motoca e me disse:

Eaê? O que nóis converrrsa?

Eu ergui uma sobrancelha, fiz que não entendi e ele continuou:

Quero 100 pau, senão vô fica com o telefone.

Eu que já tinha reparado na tatuagem que ele ostentava no braço, daquelas que não se faz em estúdios de tatuagem se é que me entendem, dei as costas e voltei pra dentro pensando: Ele encontrou algo que não é dele, sabe de quem é e recusa-se a devolver? Isso é roubo, esse cara é um ladrão, na cara dura.

Bom, isso foi só pra ilustrar. Eu que já vinha me sentindo bem decepcionado com o ser humano em geral, resolvi assistir ao jornal mais assistido da plin-plin, eis que vejo uma reportagem sobre um protesto pacífico nas escadarias de um órgão de justiça no Rio de Janeiro em que os transeuntes, mesmo com toda cobertura da imprensa, nem se importavam. A reportagem era exatamente sobre isso, sobre a banalização do mal.

É por esse caminho que a nossa vaquinha vem andando até chegar ao brejo; As pessoas não se importam mais, elas até sabem que as coisas estão indo de mal a pior, mas se conformam. Isso é o trashumanism, the next generation. A nossa evolução é a adaptação ao lixo em que estamos nos transformando.

Tudo bem, concordo que existam rincões onde aparentemente o bem prevalece sobre o mau, mas eles não são suficientes para abalar o meu ceticismo. No século retrasado, durante o naturalismo (não confundam com naturismo) imaginava-se que o humano fosse regido por variáveis alheias à sua vontade. Ainda hoje muitos parecem pensar assim quando colocam a culpa de tudo no meio onde as pessoas estão inseridas, eu não acredito nisso.

Um estilo de vida sobrevivencialista (não sei se essa palavra já existia) se fortalece a cada dia e o sentido das palavras bem e mal passaram a ser cada vez mais subjetivos, adaptados a necessidades preocupantemente individuais. Existem vários exemplos, sobre tudo exemplos onde individualismo sobrevivencialista impera impiedosamente sobre o bem coletivo. Vemos isso todos os dias. Muito se discute o capitalismo, o socialismo, comunismo e outros ismos, agora vivemos o sobrevivencialismo.

Nasce um sentimento coletivo de individualidade onde só importa aquilo que nos afeta diretamente, e pior, no momento. É o famoso salve-se quem puder, quase um clima de guerra sem estarmos em guerra. Existe meia dúzia de gatos pingados nadando contra a maré? Sim, em especial aqueles que já foram abatidos por alguma tragédia, acompanhados de mais meia dúzia de utópicos. De resto é hipocrisia pura, outra especialidade humana aperfeiçoada com esmero a cada nova demonstração de degradação social a que nós mesmos nos presenteamos.

Não quero falar sobre política, é só mais um exemplo ilustrativo. Vejo pessoas descendo a frigideirada nos políticos, nas autoridades, nos poderes constituídos… Mas o que eles refletem já que são os nossos representantes, saídos do nosso meio através das nossas escolhas? Condenamos o individualismo dessa gente em detrimento da grande massa aparentemente querendo isentar a massa de culpa.

Condenamos as ações dos lideres para esconder o fato de que agimos igual a eles, eles nos refletem e nós a eles. Mas existe uma diferença sutil, eles se organizaram em um coletivo, nós não. Qualquer união é mais forte que qualquer indivíduo. O mais estranho é que apesar de sermos indivíduos desorganizados, o coletivo acima nos vê organizado num coletivo permissionista.

Eu sei, estou chovendo no molhado, perdoem-me por sempre fazer esse blog chover no molhado, é final de semana e eu aqui com essas conjecturas pessimistas e tristes com o cão Ozzy dormindo ao meu lado, preocupaaado. Mas daqui a pouco, depois que eu carregar um caminhão, vou pra casa da minha irmã visitar minha sobrinha e sua filha. Sei que não deixarei de ser uma pessoa esquisita, mas por algum momento vou parar (ou não) de me perguntar coisas do tipo: Para onde nós estamos levando a nossa vaquinha?

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