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Posts Etiquetados ‘violencia urbana’

Camisinha com textura não pode

13/02/2009 4 comentários

camisinhas com textura

Dia desses me surpreendi com o Supremo Tribunal Federal (STJ) “coisando” (help me lawyers) jurisprudência ao dizer que um acusado de homicídio (assassinato, cabeção) deveria aguardar o processo em liberdade até que se esgotassem os recursos. Boa. Na mesma semana, até ontem, fomos bombardeados com notícias relatando as fugas das prisões. Em 60 em Florianópolis, 16 em Itapema, mais trocentos poraí afora, até aqui em Indaial escapuliram 2, entre eles um ex-vizinho traficante de quem já falei (por aqui durmo com a famosa Espiga22 ao lado da cama). Nessa semana, com a chegada do carnaval e a preocupação da polícia com as festas, certamente haverá nova onde de fugas. Fiquei pensando que em um país onde as leis tão legais dificultam barbaridade à ida de criminosos para a cadeia, também está ficando cada vez mais fácil sair dela. Em 44 dias o presídio de Blumenau teve 6 fugas. Depois disso tudo, fizeram uma confusão e soltaram presos por engano.

O seriado Prision Break fez um sucessão nos USA, aqui seriado de gente que foge da cadeia é filminho pra sessão da tarde. Ai ai, eu me divirto.

E essa é para os aposentados, pensarem. O lula deu um reajuste maior pra quem tem valor de aposentadoria menor com a desculpa da igualdade. Para quem ganha até um salário mínimo o reajuste é de 12,5%, razoável, mas pra quem ganha acima, 2, 3 reais a mais o reajuste é de apenas 5,9%. Não sou economista, fiquei pensando com as minhas moscas e cheguei à conclusão que o aposentado que durante anos contribuiu com mais e que daqui a pouco vai ganhar igual ao que contribuiu com menos, vai ser penalizado com a igualdade dos desiguais. Pensa se isso faz sentido pra você. Faz?

Você, assim como eu vimos alguns barrigões de grávidas nos jornais, e não foram barrigas carnavalescas. Os pocotós que tiveram oportunidade de estudar queimaram a moça grávida e conseguiram corroborar minha a tese de que escola não representa necessariamente boa educação, que deve vir de berço, de família. Família que anda em falta por aqui. A imprensa se deleitou em mostrar casos de trotes violentos e medievais, mas a boa notícia é que eles são minoria.

Quase que ao mesmo tempo, na Suíça, os últimos indícios de que a falta de valores morais minimamente decentes não são privilégios só nosso parecem estar indo por água abaixo. Segundo especialista de lá, a história da brasileira é bem à brasileira. Brasileiríssima a ponto de outros brasileiros desistirem de colocar as suas mãos no fogo pela advogada, e cancelarem as manifestações. Tá com dó, pega pra você. O pai dela, também advogado, correu ligeiro pra pra Suíça, me fez lembrar um dos últimos casos cuti cuti da imprensa em que um pai advogado saiu em defesa do filho, você lembra?

A pergunta que fica é, a Globo levou o Celso Amorin e o lula a meterem os pés pelas mãos (novas, aham) porque saiu noticiando em tv, jornal, net sem checar nada antes, fazendo jornalismo de 5ª categoria. E fica assim?

Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Berlusconi (na chamada fazendo referencia ao Mussolini, quanta criatividade) lá da Itália querida alterou com aprovação do Senado deles, a legislação que regula a imigração para o país. A idéia geral é dificultar a vida de estrangeiros ilegais morando na Itália. Quer um exemplo revertido do discontrário? Lá vai: Se você, italiano ilegal morando no Brasil, for pego e desobedecer à ordem de deixar o país estará sujeito a prisão, capicce? Teve gente gritando, até o DO que assim como eu não gosta de discriminação, gritou. Tem até gente dizendo que vai começar tudo de novo. Menos, pessoal, menos. Na minha humilde opinião ZéRuela, acho cuti cuit imigrantes legais. Mas se forem ilegais pau neles. Manda de volta com os custos para o país de origem, pegou pela segunda vez, porrada. Se quer imigrar pro meu país será bem vindo, olha aqui o nosso processo de imigração, siga-o, aham. Faça de acordo com as leis do pais que vai te receber, aham. O cabra vem viver no meu país e começa por desrespeitar as leis de imigração não vai respeitar mais porra de lei nenhuma. (ia linkar direto o post do DO, mas alguém funhanhou os permanent link dele, imagina se vai ter pingback, tadinho).

Antes de terminar, vamos premiar quem chegou até aqui falando de sexo nos USA. Lá tem um estadinho chamado Georgia onde por força de lei, é proibido sexo anal e oral em qualquer circunstancia e sexo antes do casamento é chamado de fornicação. Piercing em genitália feminina dá 20 anos de prisão, mas pra homem pode; Agora com uma nova lei também não pode qualquer aparelho de estimulo genital, a lei também proíbe camisinhas texturizadas. Para aqueles que adoram falar mal dos vizinhos de América, fiquem tranquilos, isso é só no estado da Georgia e por isso acabei de riscar esse estado da minha lista de prováveis destinos de fuga, eu seria enforcado num estado assim. Felizmente na maioria dos USA, a libertinagem ainda rola solta. Brincadeiras à parte, você imagina se por aqui o estado (pensei no Sarney e nos Collors) tentasse, por força de lei, interferir na sexualidade brasileira pocotó?

Agora sim, pra terminar, uma dica de viagem pro Carnaval, que tal passa-lo em um lugar hiper onde não existe carnaval? Onde você pode andar de bike, fazer trilhas, nadar nas represas tomar banho de rio, andar a cavalo e pescar, se gostar. Enfim, que tal conhecer os Encantos de Rio dos Cedros? O Meu carnaval será em Sampa, mas logo logo eu volto pra lá pra pescar igual o Brad Pitt.

Imagens de acidentes de transito

11/02/2009 19 comentários

Por que somos tão pudicos?

imagens de acidentes de transito

Todo ano é a mesma coisa, com a proximidade do carnaval algumas campanhas acabam aparecendo com mais frequência na TV. Campanhas que vão do incentivo ao uso da camisinha ao cuidado com o consumo de álcool, principalmente quando vai dirigir. Claro que sou a favor das campanhas, considero válida qualquer forma de educar.

Civilidade no transito, no entanto, é um assunto que na minha modesta opinião Zé Ruela, merece atenção especial no método educacional. Algo mais ao modo Laranja Mecânica do Kubrick, não é isso que tenho visto na TV.

No pouco tempo que dedico a ela, vi comerciais da atual campanha “se for dirigir não beba”, “bebida e direção não combinam” ou algo assim, todas subliminares demais para o meu gosto. Os comerciais chegam a ser bonitinhos. Não os acho adequados, mas esse é o jeito de se comunicar do brasileiro, que prefere uma abordagem menos chocante para as coisas. Sempre dizendo que podemos transmitir idéias sérias sem precisar apelar para o grotesco e coisas do gênero. Os comerciais parecem que foram bolados pela Luma, sempre educativa de forma suave e generosa. Temos Luma demais e Kubrick de menos.

Não sei quanto à você, mas eu não acho que deva ser assim com educação no transito, seja pra falar sobre álcool, velocidade ou cinto de segurança. Penso que tem mais efeito confrontar as pessoas com as tragédias do transito, em qualquer idade, mas principalmente se for jovens e adolescentes em idade de cair ao volante (com trocadilhos). E acho que isso pode ser feito com arte e maestria.

Coincidentemente, tenho guardado alguns comerciais do estrangeiro tratando exatamente desse assunto, civilidade no transito. Observem como eles vão direto ao ponto, como são objetivos, mostram as coisas acontecendo, as pessoas sofrendo, seja dentro do carro ou no tribunal. Mostram as consequências dos atos inconsequentes como elas são, porque assim faz as pessoas sentirem a experiência desagradável de morrer, de matar, de sofrer ou pagar por isso. Segundo os psicólogos isso é como a música “atirei o pau no gato”, serve pra construir uma memória emocional que vai evitar que o adulto mal trate os animais (deixo pra você os comentários sobre essa música). Vamos aos filmes, e se achar que pode valer a pena usar seu blog para educar mais que as TVs, pegue mais alguns vídeos do Y2Be e publique, pode ter certeza que eles farão mais efeito na galera que os filmes da TV.

Os Filmes Indicados

Bem dirigido aos jovens, esse comercial bem ao estilo Matrix (Andy e Larry Wachowski que se cuidem) fala sobre a importância do uso do cinto de segurança também no banco de trás, reparem como a gravação do vídeo é elaborada, coisa de cinema. Não temos campanhas assim porque custam caro? Tudo bem, cuidar de acidentados pelo SUS deve ser mais barato. Gosto da música, se souberem qual/quem é, deixem nos comentários.

vídeo com ótima direção (quero saber qual é a música)

Já esse tem enredo, tem história. Coisa de gente grande, para o sujeito bem sucedido que comprou seu primeiro carro e a startup tá fazendo sucesso, mas também é legal para o Playboy filhinho de papai. Parece um filme com Tom Cruise, Demi Moore e Jack Nicholson, entre outros, com direção de fotografia apurada e corte preciso, excelente pedida pra assistir com a namorada (não esqueça o presente do dia dos namorados).

vídeo sensacional (com história)

Surpreendentemente simples e objetivo. Esse filme vai deixar a sua cabeça cheia de outras cenas e lembranças que podem ser de você mesmo ou de seus amigos. Traz a realidade daquele profissional que será obrigado a “lidar com você” caso insista na burrice de beber e dirigir.

vídeo com final inesperado

Update em 12/12/2011: Vi no face do amigo Lula e resolvi que cabia neste, antigo e na minha opinião, atual post.

vídeo que mudou o comportamento australiano

Como arrombar nossa cidadania

15/01/2009 27 comentários

No final de ano saímos em viagem e quando voltamos descobrimos que a nossa casa havia recebido visitas indesejáveis. Sim, é verdade, o Crack chegou a Indaial (SC).

policia criminal

Eu poderia escrever por horas sobre cada detalhe desse episódio, desde a vizinha que algo viu, mas que de nada desconfiou, ao vizinho que prefere manter a sua cabeça enterrada para nada ver, passando é claro, pelo nosso C.S.I. Pocotó.

Vou poupar os vizinhos e falar um pouco sobre o CSI Pocotó.

Assisti a muitos episódios dos CSI, CSI Miami e NY, acostumei-me com investigadores minuciosos que nas cenas dos crimes recolhem material aparentemente inocente que talvez, com o decorrer das investigações possa ser útil. Reconheço que uma parte do que mostram nos seriados é exagero, ou que nem sempre é tudo aquilo, como queiram.

Mas no caso do nosso CSI, o exagero é ao contrário, aqui exageram na imperícia. O pobre tirou algumas poucas fotos com uma Mavica toda remendada com esparadrapo (sim, você leu direito), daquelas máquinas fotográficas digitais que gravavam as fotos VGA (600×460) em disquetes, se você não sabe do que eu to falando não se preocupe, isso provavelmente nem é do seu tempo, eu conheço porque tive uma. De qualquer forma seria mais bonito esboços desenhados a mão com carvão, ao invés dessas fotos.

Bom, marcas de sapato sujo de barro e bitucas de cigarro encontradas onde não deveriam? Nem isso chama atenção do nosso perito.

Na verdade, queridos leitores, você já viu algum caso de arrombamento e furto em residência sem vítima que a polícia tenha deslocado um perito de outra cidade em menos de 1 hora do boletim de ocorrência?

Sim, é verdade, pelos padrões investigativos da nossa polícia, essa pericia nem deveria ter acontecido. Só aconteceu porque alguém da família é amigo de um Delegado da cidade, que mesmo da praia tomou alguns “devidos providenciamentos” pra que acontecesse.

Mas então. Computadores e demais eletrônicos, já era. Outras coisas também “já era”. É meio foda, mas é assim.

Mas e aí? A polícia, alguns dias depois, prendeu alguns viciados (que também traficam) e encontraram algumas jóias que foram reconhecidas por uma juíza da cidade. Sim, é verdade. Na virada de ano, quando a cidade de 40 mil habitantes estava somente com um plantonista na delegacia e uma única viatura da polícia militar fazendo ronda (pra que mais se todo mundo foi viajar? Dããã), os viciados aproveitaram pra “fazer” várias casas e deram o azar de uma delas ser a casa de uma juíza. Não fosse isso, sabe quando a polícia teria feito algo?

Você sabe? Jura? Eu não sei.

Mas como também roubaram a casa da juíza, a polícia fez, prendeu 2 caras com umas porcarias da meritíssima. Dos 2, o “dimaior” com antecedentes ta preso por receptação e trafico, não lembro os artigos. O “dimenor” (na linguagem da polícia e de alguns fazedores de documentários meiaboquééérrimos) entregou quem nos roubou, foi solto no dia seguinte à tarde, roubou outra casa a noite e foi preso logo em seguida e solto no dia seguinte pela manhã, duas prisões e duas liberdades em menos de 48 horas. Papai do céu, eu queria agradecer por que no brasil a gente pode fazer o que quiser enquanto é “dimenor” e ninguém faz nada com a gente e depois que a gente fica “dimaior” ninguém vai saber que a gente matou e roubou.

Hoje ele veio aqui, pra me dizer que não foi ele, pois é meu vizinho. Disse que não “faz casa” na área dele, que só “faz casa” em outros bairros. Disse que sabe quem foi que nos roubou e onde as nossas coisas estão e perguntou se eu quero saber. Lógico que eu disse que não, se ele contou pra polícia, e contou mesmo porque eu tava lá na delegacia e vi, e a polícia não fez nada, de que me interessa essas informações? Sim é verdade, Santa Catarina também é brasil.

Outra hora eu vou escrever sobre as minhas respostas para quando as pessoas (daqui) perguntam o que eu estou achando de sair de São Paulo pra morar aqui, numa cidade pequena e tão diferente. Diferente? Como assim Bial?

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narizes sujos

13/12/2008 11 comentários

To vendo muita gente, especialmente os amigos cariocas, revoltadinha com o julgamento do puliça que matou aquele guri João Roberto no Rio de Janeiro.

Tá, vamos, lá, 1…2.. testando: Sou solidário à dor dos pais do garoto.

criança cheirando

Mas (e sempre tem um mas) sejamos honestos, porque honestidade é bom e eu gosto. Alguém tem de ser solidário também ao policial, e esse alguém foi o meritíssimo e sei jure popular.

Imaginem o meritíssimo lá sentadão todo enfadonho na caderona estofadona dele, os jurados lá, quase dormindo, olhando aquela cena de julgamento, tipo a que vemos nos filmes. Olham pro policial ali sentado e deixam o pensamento correr…. pensando….

…esses caras que ganham uma merda de salário deixam mulher e filhos escondidos em casa pra ninguém saber que são filhos de policial, vão pra rua sem treinamento adequado, sem armamento adequado, viram alvo de criança vestindo trapos com AK47 que mete chumbo neles dando risada… …então lembram do secretário de segurança pública que na época dos tiros disse no programa da Ana Maria Braga que dava treinamento para os policiais via internet…. pensam…. pensam…. vamos colocar esse sujeito na cadeia? Quem deveríamos colocar na cadeia? Ele? O Secretário? O Governador?

Trik trak boom boom para todo lado…. Acorda gente. A família desse policial está escondida, porque se os traficantes encontram passam fogo.

É lamentável?

É sim, eu lamento, tu lamentas, ele lamenta.. blá blá blá vamos nos dar as mãos… vamos cantar juntos… … ♫ ♪ vem, vamos embora que esperar não é saber ♫ ♪ quem sabe faz a hora não espera acontecer… ♫ ♪ (2x)

Lamentável é um monte de coisas, mas só lamentar não adianta.

Quando a sociedade carioca vai dar um basta nessa merda?

¿ Porque, quando essa cagada se deu e o secretário de segurança foi lá na Ana Maria dizer que treinava policial pela internet, a classe média carioca cuti cuti cheia de medinhos não acampou de panela nas mãos em frente a assembléia legislativa lamentando e claro, pedindo a cabeça do secretário e do governador?

¿ Porque a classe média não foi lá? Estavam ocupados demais limpando a cocaína das narinas dos seus filhos? Ou porque o secretário pediu desculpas?

Porra, o policial também já pediu desculpas, cacete.

Post Scriptum: Se você gosta de achar que tudo é lindo, olha como os policiais trabalham no Rio de Janeiro, veja mais uma amostra de como é a Guerra no Rio de Janeiro. Sabe porque é assim? Por 2 motivos, 1) a sociedade carioca coloca armas nas mãos dos traficantes quando consomem a droga que eles vendem e 2) a classe média carioca acha lindo os protestos como entupir as praias de cruzes ou cocos e andar cantando vestidos de branco mas se julga boa demais pra ir bater panelas em frente à casa do governador.

Taí, os cariocas vêem as suas mais belas festas sendo canceladas e ficam quietos, acho pouco, logo vão cancelar o carnaval também.

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hipótese

04/10/2007 19 comentários



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Hipótese. Aprendi há bastante tempo o significado dessa palavra, é uma coisa que não é, mas a gente finge que é pra ver como seria se fosse. Então vejamos se por hipótese…

Todos os camelôs de Sampa resolvessem ao invés do trabalho honesto de vender mercadorias ilegais, roubadas, falsificadas, em boa parte alimentando o crime organizado, o contrabando e a sonegação fiscal, entulhando as calçadas, interrompendo o transito, destruindo espaços públicos, explorando crianças, concorrendo injustamente com comerciantes que pagam impostos, registram seus funcionários, vendem com nota…

Suponhamos que por hipótese a título de reflexão, ao invés de toda essa honestidade, por falta de emprego eles resolvessem cair na criminalidade.

Será que os cidadãos igualmente honestos consumidores dos ótimos produtos de ótima procedência dos honestíssimos camelôs sem oportunidades ficariam mais ou menos felizes do que são hoje?

Não se aflijam, tudo isso foi só hipótese. E quando eu penso nessas hipóteses fico com a impressão de que não existem mais bandidos que mocinhos, muito menos pelo contrário.

O texto termina no parágrafo anterior, mas resolvi colocar o meu comentário sobre o meu próprio texto. Se você fizer uma pesquisa na net encontrará algumas dezenas de estudos – de cabeções bem menos Zé Ruela do que eu – sobre o assunto. Vi um dizendo que o sonho dos camelôs que vivem com menos de 300 pilas por mês é voltar pro trabalho formal. Eu tô tempo todo com a placa de “precisa-se” aqui na fachada e não aparece nenhum, Por quê? Porque como camelô ele ganha pouco e trabalha idem. É o problema de pesquisas e estudos feitos por acadêmicos que vivem a quilômetros de distância da realidade. Bléeh! Aparecerão também aqueles pra dizer que eu não devo generalizar, que entre os camelôs tem gente de bem, blá blá blá… Eu posso e devo generalizar sim, porque só gente tonta não sabe que para toda regra existem exceções e eu não preciso ficar repetindo isso o tempo todo, além de eu não escrever pra gente tonta. Tá na hora de sermos mais pragmáticos com nossas ideologias, não temos mais espaço pro meio certo ou meio errado, certo é certo errado é errado. Os camelôs vão na tv pistolas da vida dizendo que não conseguem pagar as contas depois que o prefeito devolveu as calçadas pros pedestres, porra, a calçada é do pedestre (quem mandou votar no lula? rá rá). O Cacciola também ta pistola da vida porque foi preso, ele e os camelôs não são tão diferentes. Não é porque o cabra é pobre diabo que ele pode tudo. O discurso igualitário tinha de ser mais igualitário.

Quebra-quebra em Sampa, caminhão da prefeitura queimado, grana saindo do nosso bolso

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perolas aos porcos

07/05/2007 31 comentários

Eu que pouco assisto a tv por assinatura aqui de casa, ainda reclamava da péssima qualidade da tv aberta. Hoje eu penso que a tv aberta dá ao povo aquilo que eles merecem, exatamente o que eles conseguem assimilar e eles se regalam. Não querem nada além disso.

Eu não ia escrever sobre esse assunto porque eu não tenho muito limite ao me expressar, principalmente em um espaço tão pouco democrático como o frigideira, mas depois que vi o post da Magui (não consegui link direto para o post, mas é o “classificação certa”) resolvi falar um pouco, ela acha que os humanos são diferentes e eu concordo.

A partir das 20h de toda sexta-feira o Teatro Municipal exibe excelentes concertos de música clássica custando entre 5 e 10 pilas. Às vezes eu fechava os olhos e imagina os desenhos do Walt Disney.

E o show da Praça da Sé na Virada Cultural de 2007 foi aberto pelo Alceu Valença e encerrado pelos Racionais MC e seus convidados, tem gosto pra tudo. Dá uma olhada na pratéia (tem um cara com os pés no lugar da cabeça) e vejam mais imagens aqui. Querem me chamar de preconceituoso? Podem chamar sim, mas estarão sendo injustos, não tenho conceito pré-formado, tenho conceito muito bem embasado, lido todos os dias com essa pratéia. Trabalho voluntário em alguma favela? Não me faça rir.

Alguém algum dia disse que você pode tirar o homem de dentro da favela, mas não consegue tirar a favela de dentro do homem, é dessa favela que eu falo, da favela que é o espírito dos pobres diabos condenados. Eu sou pobre de grana, mas não de espírito. Por isso não adianta pegar a minha grana suada pra tira-los da favela. Não adianta pegar a minha grana pra fazer showzinho gratuito pra eles. Eles não querem deixar a favela sair de dentro deles. Vejo isso todos os dias.

Não ligo se você me ama ou me odeia, quem vem sempre aqui já percebeu que eu sou bem realista, utopia não é comigo. A questão não é a música mas os anseios. Nunca esperei que essa gente se interessasse por música erudita, se eles fossem ao teatro municipal seriam capazes fazer o que fazem de melhor, depredá-lo. A essa gente, Praça da Sé com Racionais tá bom demais.

Mas você pode chegar aqui e dizer que essa gente precisa de cultura, diga sim. Faça mais, vá lá e de cultura a eles, mas faça isso com as suas pérolas, não com as minhas que são suadíssimas.

08/05/2007: O Ronaldo também escreveu bem sobre o assunto e também falou da música, muito esclarecedor. Meu comentário por lá foi de que eu não acredito muito que música defina caráter, pra mim define, além de bom ou mau gosto, “inteligência social”. As músicas dos racionais são músicas sobre violência, sectarismo e guerra de classes. Quem é fã dessas músicas idéias não tem, em minha opinião, inteligência social. Não é capaz de conviver comigo, por exemplo. Isso distingue sim pessoas e dizer o contrário é a maior hipocrisia. Fãs de outros estilos de música se importam mais com a música que com o que ela incita, você pode ser fã de black sabbath (eu sou) e não vai sair fazendo sacrifícios à satã, porque você tem inteligência social. Sacaram?
09/05/2007: Picharam um prédio da Praça da Sé, como se não bastasse a depredação, os pobres diabos voltaram pra emerderar as paredes pra se desculpar com o líder dos Racionais, vocês acham que ta faltando alguma coisa?

rbd, bandidões e a vida aos 16

30/04/2007 39 comentários

Nesse final de semana o lulalelé recebeu os RBD (what a hell?) prum churrasco, pago com o nosso dinheiro? Não vou falar nada, mas pensem a respeito, pensem nas carnes e bebidas, pensem na partida de futebol, pensem em toda aquela alegria com os mexicaninhos. Seria o presidente uma pessoa com comportamento de um adolescente de 16 anos fã do RBD?

Eu nem procurei link, mas vocês devem ter visto que em algum lugar do nordeste (esqueci onde) um bandidão entrou numa farmácia e manteve 3 pessoas sendo 2 crianças reféns por várias horas. Depois de alguma negociação o bandidão se rendeu. Os populares que acompanharam a parada juntamente de alguns puliça imediatamente entraram na farmácia e descobriram que o bandidão tinha atirado em todos os reféns, além de outras agressões. As 2 crianças morreram. Pensem um pouco nisso antes de continuar a leitura.

Tudo foi acompanhado pela imprensa e mostrado quase que ao vivo por redes noticiêntas nacionais. De quem é a culpa? Pergunta com resposta complexa, mas eu credito grande parte dela à imprensa. Acredito que a imprensa deveria ter dados as costas para o fato logo no início, desligado as câmeras e os microfones, deveria ter ajudado a afastar os curiosos, principalmente quando a polícia decidisse “render” o bandidão. Acho que me fiz entender, mas se não entendeu pode perguntar no seu comentário que eu conto o meu plano mirabolante em detalhes.

Mudando um pouco de assunto, os RBD são adolescentes e pelo andar da carruagem a festa da malandragem juvenil levará um duro golpe. Eu gosto da idéia, mas tem muita gente que não gosta. Gosto de gente que não gosta das idéias que eu gosto, gosto de ouvir seus argumentos.

O principal argumento de muitos que não gostam da redução da maioridade penal me delicia. Eles adoram usar a pobreza e a ausência do estado pra justificar o ingresso dos jovens na violência. Bullshit; Até me permito concordar que a vida que os pobres diabos excluídos levam pode gerar alguma tentação de entrar na criminalidade, mas a pobreza não é a grande responsável.

Já comentei aqui que no século retrasado, durante o naturalismo (não confundam com naturismo heim safadinha(o)s) imaginava-se que o humano fosse regido por variáveis alheias à sua vontade. Ainda hoje muitos parecem pensar assim quando creditam a violência ao meio onde as pessoas estão inseridas. Eu não acredito nisso. Conheço dezenas de pessoas que viveram suas vidas miseráveis enfavelados em becos cheirando a merda que corria a céu aberto; A grande maioria delas cresceu, viveu e criou seus barrigudinhos sem nunca ter cometido um crime, pagando rigorosamente em dia o carnê das casas bahia. Poucos deles, bem poucos mesmo optaram por outro caminho.

Acredito no triunfo do mau caráter passado de pai pra filho, na falta de valores morais; ou na ausência dos valores morais passados de pai pra filho, whatever. E acredito em punição a quem comete crime. As pessoas raramente ficam sem opções, é uma questão de escolher uma delas. Se eu fosse contra a redução da maioridade deveria ser igualmente contra dar ao cabeça de ovo (tô bonzinho hoje) a opção de escolher quem senta nas cadeiras.

Tinha mais alguma coisa que eu queria comentar, mas não lembro agora.

Gosto de tecnologia como ferramenta, como um meio e não como um fim para as coisas. Gosto de blogs porque eles permitem, ao menos no meu caso, expressar minhas opiniões a respeito das coisas sem ser agredido fisicamente. Quase nunca abordo tecnologia mas não entendo como funciona o ranking do BlogBlogs. No technorati o frigideira tem mais de 2 centenas de links, o site pocotó indica 15. Não ligo muito pra isso, mas fiquei curioso e agradeço explicações, quem sabe eu volto a valorizar algo pocotó.

Ainda sobre tecnologia, a inauguração do mês (como se elas sempre acontecessem, rs) fica para o novo item no sidebar, a lista dos 10 ++ plus gold ultra commentators. Aquela boa e velha lista dos leitores que mais comentam. Encontrei o plugin em algum blog que não consigo lembrar agora no Lino, mas é tão facilicíssimo de instalar que até eu consegui.

03/05/2007: Tem muita gente achando que a redução da maioridade é uma ferramenta para redução da violência. Eu não vejo assim. Acho que seria preciso um conjunto enorme de mudanças e medidas, sociais, legais, penais, correcionais, blá, blá, blá. Reparem que os autores do Freakanomics atribuem a redução de mais de 40% nos índices de violência nos USA à legalização do aborto nos anos 70 (eles não discutem o aborto em si). Quando eu olho o cenário político/econômico/social que se desenvolve atualmente chego a uma conclusão triste, que reduzir a violência é uma coisa muito além das nossas capacidades pocotós. A redução da maioridade penal em minha opinião é uma modernização legal, uma adequação contemporânea. Os jovens de hoje estão longe de ser o idiota bobalhão que eu era com 16 anos, ou como eram os de 16 anos a 30 anos atrás, eles são muito mais donos do seu nariz, muito mais informados, muito mais capazes de tomar decisões. Não estamos falando em decidir se compra uma calça azul ou camuflada, mas se pega uma arma e atira numa pessoa ou não.

O Antonio Rayol, Polilical Federal de Niteroi deu detalhes sobre o sequestro nordentino e o Carlos Emerson também falou a respeito.

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Trashumanismo e as novas palavras de ordem

24/03/2007 23 comentários

O título não está errado e este pode ser um texto de difícil digestão.

Vocês poderiam achar que eu estava prestes a falar sobre o transhumanismo, mas teriam se enganado. Inspirado no termo criado pelo Huxley o adaptei a uma nova tendência humana identificada por mim mesmo. O trashhumanismo de que falo é paralelo ao desencaminhamento dos nossos atos ecológicos, é o desencaminhamento de nós mesmos, os humanos.

Posso contar uma história pessoal?

Há algumas semanas eu perdi meu celular na rua, quando voltei pra casa liguei para a operadora e o bloqueei. No dia seguinte, um amigo me ligou e disse: Junior, um tal de fulano de tal me ligou dizendo que encontrou seu celular na rua, ele disse que pegou o meu número na agenda do seu celular e me ligou para eu pedir para você ligar no seu próprio celular pra falar com ele. Entenderam? Tentem de novo, parece complicado, mas é simples.

Liguei na operadora e solicitei o desbloqueio. Liguei para o meu próprio número e o fulano de tal atendeu, disse que é motoboy, morava na zonal sul (a mesma que eu) e que entre um trabalho e outro poderia passar aqui pra me entregar o aparelho. Claro que eu fiquei grato, pensei imediatamente que aquela atitude merecia uma gratificação. Cheguei a comentar com a Bianca e ela disse: Ahh que legal, que pessoa mais boa. Respondi que tinha certeza de que não era uma pessoa boa. Existem poucas delas vagando pelo mundo, pensei. Mais tarde o jovem fulano de tal apareceu, nem desceu da motoca e me disse:

Eaê? O que nóis converrrsa?

Eu ergui uma sobrancelha, fiz que não entendi e ele continuou:

Quero 100 pau, senão vô fica com o telefone.

Eu que já tinha reparado na tatuagem que ele ostentava no braço, daquelas que não se faz em estúdios de tatuagem se é que me entendem, dei as costas e voltei pra dentro pensando: Ele encontrou algo que não é dele, sabe de quem é e recusa-se a devolver? Isso é roubo, esse cara é um ladrão, na cara dura.

Bom, isso foi só pra ilustrar. Eu que já vinha me sentindo bem decepcionado com o ser humano em geral, resolvi assistir ao jornal mais assistido da plin-plin, eis que vejo uma reportagem sobre um protesto pacífico nas escadarias de um órgão de justiça no Rio de Janeiro em que os transeuntes, mesmo com toda cobertura da imprensa, nem se importavam. A reportagem era exatamente sobre isso, sobre a banalização do mal.

É por esse caminho que a nossa vaquinha vem andando até chegar ao brejo; As pessoas não se importam mais, elas até sabem que as coisas estão indo de mal a pior, mas se conformam. Isso é o trashumanism, the next generation. A nossa evolução é a adaptação ao lixo em que estamos nos transformando.

Tudo bem, concordo que existam rincões onde aparentemente o bem prevalece sobre o mau, mas eles não são suficientes para abalar o meu ceticismo. No século retrasado, durante o naturalismo (não confundam com naturismo) imaginava-se que o humano fosse regido por variáveis alheias à sua vontade. Ainda hoje muitos parecem pensar assim quando colocam a culpa de tudo no meio onde as pessoas estão inseridas, eu não acredito nisso.

Um estilo de vida sobrevivencialista (não sei se essa palavra já existia) se fortalece a cada dia e o sentido das palavras bem e mal passaram a ser cada vez mais subjetivos, adaptados a necessidades preocupantemente individuais. Existem vários exemplos, sobre tudo exemplos onde individualismo sobrevivencialista impera impiedosamente sobre o bem coletivo. Vemos isso todos os dias. Muito se discute o capitalismo, o socialismo, comunismo e outros ismos, agora vivemos o sobrevivencialismo.

Nasce um sentimento coletivo de individualidade onde só importa aquilo que nos afeta diretamente, e pior, no momento. É o famoso salve-se quem puder, quase um clima de guerra sem estarmos em guerra. Existe meia dúzia de gatos pingados nadando contra a maré? Sim, em especial aqueles que já foram abatidos por alguma tragédia, acompanhados de mais meia dúzia de utópicos. De resto é hipocrisia pura, outra especialidade humana aperfeiçoada com esmero a cada nova demonstração de degradação social a que nós mesmos nos presenteamos.

Não quero falar sobre política, é só mais um exemplo ilustrativo. Vejo pessoas descendo a frigideirada nos políticos, nas autoridades, nos poderes constituídos… Mas o que eles refletem já que são os nossos representantes, saídos do nosso meio através das nossas escolhas? Condenamos o individualismo dessa gente em detrimento da grande massa aparentemente querendo isentar a massa de culpa.

Condenamos as ações dos lideres para esconder o fato de que agimos igual a eles, eles nos refletem e nós a eles. Mas existe uma diferença sutil, eles se organizaram em um coletivo, nós não. Qualquer união é mais forte que qualquer indivíduo. O mais estranho é que apesar de sermos indivíduos desorganizados, o coletivo acima nos vê organizado num coletivo permissionista.

Eu sei, estou chovendo no molhado, perdoem-me por sempre fazer esse blog chover no molhado, é final de semana e eu aqui com essas conjecturas pessimistas e tristes com o cão Ozzy dormindo ao meu lado, preocupaaado. Mas daqui a pouco, depois que eu carregar um caminhão, vou pra casa da minha irmã visitar minha sobrinha e sua filha. Sei que não deixarei de ser uma pessoa esquisita, mas por algum momento vou parar (ou não) de me perguntar coisas do tipo: Para onde nós estamos levando a nossa vaquinha?

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