dia do saco cheio

Dia de post comunitário sobre a violência, chamado Dia do Saco Cheio, idealizado pela Laura, fortemente divulgado pela Luma e imediatamente aderido por uma legião de excelentes bloggers. Eu como quase sempre, me atrasei. Nada demais, já que quase semanalmente publico algo haver com o tema, por pura indignação mesmo. Até por isso não poderia deixar de participar desse dia, mesmo que atrasado.

A violência. De qual estamos falando? Da violência das guerras sectárias e intolerantes? Da violência infantil, doméstica? Narcotraficantes? Juros escorchantes? Seqüestros relâmpagos ou não? Racismo? Discriminação social? Balas perdidas? Pais que matam filhos e filhos que se matam?

Enfim, de que estamos falando afinal? Do que queremos falar? Do que queremos nos safar?

Toda violência a que estamos reféns é fruto da nossa própria quietude.

Da nossa falta de fazer mais que escrever para aqueles que pensam como nós, a fazer mais do que sair as ruas vestidos de branco com faixas e cartazes pela paz com caras de coitados.

Devíamos falar mais a sério, nos organizar mais a sério. Boicotar impostos em massa mesmo, não era brincadeira. Boicotar as eleições, ninguém comparece as urnas, não vai mudar nada mesmo se um ou outro ganhar, então ninguém comparece, votação zero. Já fomos notícia pelo mundo afora por ter eleições modernas, seriamos também por dar essa lição � classe política.

Um dia eu falei que a violência nos estádios acabaria se todos deixassem de consumir o football, não indo a estádios, não assistindo aos jogos e programas pela tv, não comprando os periódicos que se dedicam ao assunto. Eu disse que a máfia que se alimenta do football, vendo a mina de ouro secar, se encarregaria de acabar com a violência. É a mesma coisa pessoal. Parem de subsidiar a política, parem de fornecer dinheiro para os corruptos e corruptores, parem de gerar ganância.

Você acha que essa não é a solução? Pode ser que não mesmo, mas proponha alguma coisa pra valer, de impacto, pode ser fora da lei desde que pacífica, ainda assim seriamos melhores que os nobres do parlamento, que nos violentam dia após dia. Ainda assim seriamos melhores que o nosso presidente que é aleijado dos olhos e ouvidos, mas que fala ainda mais merda (de improviso) num dia, do que eu em um ano (me esmerando).

Nós estamos aqui usando a filosofia da vaca pra lidar com a situação, e de quando em quando (ou algo assim) soltamos brados de indignação. E continuamos assim, indignados. Pra mim, não é assim não. Não é por esse caminho que a vaquinha anda, não é assim que a banda toca.

Eu espero, e sempre espero poder fazer as pessoas pensarem, não gosto da idéia de gastar o meu tempo escrevendo para o leitor sair do texto do mesmo jeito que entrou, gastando assim o seu tempo também. Gosto de provocar algum tipo de emoção, que pode ser até raiva de mim.

Esteja � vontade pra ficar com raiva de mim. Imprima uma das minhas fotos (de preferência uma que eu esteja sozinho, sem a Criadora de Presentes) e coloque na sua boad de dardos aí na sua sala de jogos. Imprima esse texto com a sua impressora, rasgue e jogue no lixo, ou de para o cachorro… mas por favor proponha alguma coisa pra colocar esse país nos trilhos, por mais absurda que seja e eu vou gostar ainda mais de você.

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Publicado em brasil, política
24 comentários em “dia do saco cheio
  1. Fala, Seu Júnior! Beleza?

    É, sempre rola uma indignação quando o assunto é violência, corrupção, etc. Mas temos que lembrar de uma coisa. Antes do crime ser organizado ele foi um dia desorganizado. Ninguém nasceu sabendo andar, nem bater e nem roubar. O problema da violência e da corrupção no Brasil é educacional. Embora eu não vá votar no Cristovam, eu estou com ele nessa. O país precisa de uma Re-educação Já! E as pessoas que querem isso devem ir para as ruas seguindo o exemplo das Diretas Já! Mas acho isso difícil de acontecer, pois antes de tudo isso que disse acima só creio realmente numa coisa: O grande problema das mazelas do mundo são as pessoas do mundo.

    Desculpe a demora para comparecer aqui no Frigideira, a explicação da minha ausência eu já deixei lá no BN. É a vida!

    Abraço dôtô!

  2. Silvia disse:

    Junior, minha maneira muito particular de combater a violência é não dando ibope p/ ela. Claro que uma andorinha não faz verão. Mas, enfim… E tb adorei ter justificado o meu voto nas últimas eleições. Não acredito nos políticos, tampouco. Abraços.

  3. Tina disse:

    Oi J´niorr1

    “De qual estamos falando? Da violência das guerras sectárias e intolerantes? Da violência infantil, doméstica? Narcotraficantes? Juros escorchantes? Seqüestros relâmpagos ou não? Racismo? Discriminação social? Balas perdidas? Pais que matam filhos e filhos que se matam?”

    Meu querido: isso diz TUDO… não precisa mais, com certeza!

    Beijo com carinho,

  4. Flávio disse:

    Júnior, já sei pq vc demorou pra postar… queria fazer o melhor, não é? Belo post, parabéns!!! 🙂

  5. DriScully disse:

    fala sério!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Parabéns senhor JUnior 😉

  6. Claudio disse:

    Atrasado, mas um post inteligente como sempre. Mas não sabia que vc tinha 85 anos….hehehe

    abração

  7. Norma Sueli disse:

    Júnior, meu querido mano, você sempre tem razão, mas nós somos produto de uma colonização, que desde os primórdios foi sempre corrupto, coitado dos nossos índios pré-colonização, foram os primeiros seres corruptíveis, e eles eram, e ainda são “fassim, fassim”.
    Hoje os índios somos nós, (não deixamos de ser “fassim fassim”) numa sociedade medíocre, hipócrita, e alienada, a valores que foram herdados por mais de quinhentos anos..
    Mudança é possível? Sim! Mas em longo prazo !!..
    Com mudança radical de educação, saúde pública decente!
    E que a verba destinada salubridade do povo, seja destinada exatamente para este fim!
    Só espero que não dure mais quinhentos anos!
    Beijos.

  8. Luma disse:

    Poderia falar das diretas, já!! Como movimento utópico que resultou no coroamento do capitalismo no Brasil. Acabaram-se os sonhos!! Não vamos sair as ruas que nada mais adianta!! Vamos agir nas bases. Essa moçada que tá indignada, está chegando ao fundo do poço e vai começar a despregar a bunda da cadeira, sair da zona de conforto que os pais lhe deram e começar a manipular a massa cinzenta. Porque foi por descaso que a população deixou o governo agir vontade. Se tiver algum plano me conte! (rs*) Beijus

  9. Luciane disse:

    Oi, Júnior! Eu acho que discutindo o assunto nas bases da sociedade, votando, cobrando daqueles em quem nós votamos já estamos fazendo algo de concreto. Mas claro que concordo contigo, precisamos demonstrar um pouco mais de coragem civil.
    Beijo pra ti.

  10. Roby disse:

    Olá Junior…
    A um tempo atrás estive aqui…
    Mas não retornei, pois fomos de férias..
    Agora voltei e li seu comentário em um dos Blogs em que temos amigas em comum..

    Gostei de te reencontrar.

    Abraço grande…vou te adicionar.

  11. Ficticia disse:

    Eu proponho não andar de carro por uma semana. Só caminhar e andar de bicicleta: economiza, boicota e emagrece !! Abraço!

  12. Valérie disse:

    Junior, a Luma e Romullo lembraram das Diretas Já. Acho que foi nosso último grande movimento. O povo brasileiro se perdeu entre a Liberdade de Expressão e a Falta de Expressão.

    Não soubemos criar esta nova geração que pode falar abertamente sobre tudo, mas que não consegue lutar ou ter uma ideologia. São todos usuários da Nike e da Puma, que comem Mc Donalds e jogam PSP. Eleições? NAum Sei! Eles não conseguem diferenciar a sua mão esquerda da sua mão direita, vão saber o que é uma esquerda e direita política?

    Restam aos remanescentes da Ditadura (como nós que por certo tem mais de 28,30 anos) lembrando e lutando para que entre alguma coisa a mais na cabecinha desta turma além de Rebeldes (a banda nosense que o SBT divulga) e Orkut.

    Se aparecer uma grande idéia estou dentro.

    ps- AMEI o trabalho da Criadora de Presentes! MAravilhoso

    bj

  13. Pedro disse:

    Quando eu crescer quero escrever bem assim…hehe

    Agora dando uma pausa na rasgação de seda…rsrs
    É impressionante como nós somos estáticos né, como a gente desvia das coisas fisica ou mentalmente , pensando: “num é comigo”. E quando for com a gente? VAmos fazer o q? Olhar pro lado esperando ajuda? É só esperando pq ela não virá, por que todos temos medo de agir.
    Sem contar a sindrome do “zé ninguém” que atinge a todos nos tempos de hoje. Sabe a quele negócio de “ah eu sozinho não faço diferença”.

    Resumindo….. Belo post Junior, vou aderir no meu Blog. Posso?

    Falow, ABS

  14. Carol disse:

    Adorei sua sugestão. Mas infelizmente vivemos no país do coronelismo, em que pessoas votam em troca de óculos, de merenda, de chapinha a 1 real…
    Os “esclarecidos” sozinhos não fazem nada, porque infelizmente somos poucos. E a “massa” vai votar no establishment, na manutenção de políticas assistencialistas absolutamente ridículas e eleitoreiras.

  15. Caro amigo Júnior (acho que já posso lhe considerar amigo né?), estou mais uma vez, com vc e não abro. Não existe nada mais deprimente que ver Lula da Silva falando e fazendo besteira dia após dia. Nada me irrita mais que as notícias de corrupção sem freio que os “nobres” de Brasília e locais também (por quê não?) cometem sem que sejam alançados pelos chamados “rigores da lei”. Não há violência maior! Sabendo disso, aqueles que são considerados bandidos, no sentido literal da palavra, aprontam todo tipo de absurdo e violência porque sabem que nada vai lhes acontecer. No máximo alguns anos de cadeia e olhe lá. Apóio a idéia de se abster s eleições. Embora acho que muita gente não tenha consciência do que isso acarretaria. Seria realmente muito bom se todos os brasileiros se vestissem de um sentimento de revolta e praticassem este ato de “violência” contra a democracia. Seria uma bela lição a essa corja toda que transformou a política neste país em um meio de vida fácil. Eu, por exemplo, não vou votar em ninguém. Sei o que isso representa. Sou jornalista, alfabetizado e, antes que digam que sou um estúpido por pregar o voto nulo, digo que maior estupidez é manter essa gangue de mensaleiros, sanguessugas e ladrões vivendo s nossas custas.

    Um grande abraço.

  16. DO disse:

    Jamais ficaria com odio,JUNIOR.
    Penso como vc.
    Vou mais longe ,aliás : como não tem mais jeito este país,ANARQUIA JÁ!!!

    Poderia estender-me demais aqui,mas ando extremamente cansado em pregar no deserto…

    Abraços!!

  17. Jana disse:

    E eu só me pergunto onde vamos parar

    Beijos

  18. Ricarda disse:

    nossa…. vc se atrasou, mas com certeza seu texto foi o melhor dessa blogagem coletiva…
    foi o que mais me fez pensar..
    no tanto que sou ignorante, que não penso e não proponho nada… NADA! ò God!!!
    beijos

  19. cristiano disse:

    Abaixo violência desmedida!

  20. propor alguma coisa?
    postemos.
    é a nossa arma.

  21. Matilda disse:

    Alguma coisa de imediato, impactante, que mostre que estamos indignados?
    Parar o país inteiro por um dia, todos em casa mesmo, sem rádio, televisão, jornal, só em casa, sem produzir, sem pagar nada nesse dia, enfim, algo assim é ilusão, quase ninguém iria aderir, não funcionaria tanto quanto passeatas nas ‘ruas vestidos de branco com faixas e cartazes pela paz com caras de coitados’, como você escreveu, enfim, boicotar alguma coisa, mostrar que estamos contra, mas organizadamente, todos mesmo..
    Ah! Mas o quê?

  22. Dono do Bar disse:

    É isso mesmo, Júnior. O negócio é colocar o dedo na ferida! Não dá mais pra aguentar tudo calado, assistindo a violência tomar conta, o cidadão de bem preso em sua casa e o crime organizado assumindo o papel de governo paralelo. Disso sim eu estou de saco cheio! Aqui no Brasil as coisas só funcionam na base do atrito, infelizmente.

    Sempre alertas!

    Abraços,

    DB.

  23. Paulo Sempre disse:

    Gostei.
    Depois volto

  24. Ellen disse:

    Há algum projeto? Podemos aderir. Mas com infelicidade, não tenho nenhum :o)

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