bomba, olha a bombáá

Semana complicada pra mim e ao que parece, para o papa da vez também. Sei que pode ser desinteressante para muitos, mas eu gostaria de registrar as minhas impressões aqui no meu repositório filosófico Frigideiristico, sobre um assunto que me chamou atenção, prometo que farei de forma breve para não cansá-los com meu blá blá blá.

Ainda a pouco, no fogão às voltas com o meu já famoso penne alla bolognesa, cujo preparo guarda alguns segredos que remontam dos mais primordiais tempos culinários da minha existência, criava a linha de raciocínio deste texto. Passaram pela minha cabeça coisas como liberdade de expressão, de credo, liberdade cultural entre outras. Decidi que antes da retórica, precisava falar sobre a minha admiração pela cultura árabe, que me desperta fascinação. Adoro esse povo, acho mesmo que posso ter sido árabe em outra vida, se é que isso existe. Eu conheci a Bianca pela internet e ontem, quando conversávamos sobre o assunto do qual vou falar e eu esquentava meus neurônios, ela lembrou que o meu primeiro investimento para conhecê-la, foi exatamente uma mensagem escrita em árabe. Eu nem tinha atentado para isso. Entenda-se porem, que me refiro aos povos árabes, originários da península arábica, e não somente a Arábia Saudita.

Reparem como pode ser interessante observar como os muçulmanos reagem. O papa faz uma declaração infeliz e eles reagem à bomba. Já noticiaram várias igrejas atacadas, algumas delas nem são católicas vejam só a ironia.

Eu nem gosto desse papa, geralmente não gosto de papas, tinha simpatia pela pessoa Carol Voitila, mas esse bento nem a minha simpatia consegue despertar. Não quero discutir a legitimidade da declaração papalina, não quero bombas esburacando meu jardim recém transformado em pista de pouso de ovni. É um assunto interessantíssimo que merece muito esmero ao ser tratado, talvez em outra oportunidade. Só para resumir, o papa da vez equivocadamente sugeriu que o islã foi difundido pelos predecessores do profeta Maomé, os chamados khalīfas, através da violência, os muçulmanos ficaram indignados com tal ofensa e responderam à bomba. O vaticano se apressou em se desculpar para conter a crise. Onde está o equivoco, na declaração papal ou na reação muçulmana?

O povo árabe fala bastante, sabemos disso, é bem divertido vê-los conversando, um querendo falar mais que o outro e todos ao mesmo tempo. Falam muito, mas cadê o diálogo? É claro que esse radicalismo não é generalizado mas as pessoas nas ruas sabem disso? As coisas estão chegando a um ponto em que fica fácil compreender atitudes discriminatórias com essa cultura tão linda. A discriminação começa a ser explicável, mas nunca será justificável é claro.

Quem aí já viu uma família árabe num shopping, por exemplo, com as mulheres usando hijab e os homens, com menos freqüência claro, usando kaffiyeh? Eu fico impressionado com a beleza da cena, com a elegância, com o respeito às tradições, acho lindo. Mas sabem o que pode acontecer com isso? Pode não, já está começando a despertar medo até por aqui, na terra da indiferença étnica. Só porque uma parte desse povo não consegue conversar, mas adora um molotov, acham que com ele seus problemas se acabaram-se.

Isso me parece censura, algo do tipo: ninguém pode pensar ou manifestar um pensamento contrario ao meu, senão eu mando bomba. Teria eu medo de publicar este texto para em seguida, levar bomba? Vamos lá, não é uma generalização, grande parte das manifestações mundiais ao incidente até podem ser chamadas de pacificas, mas porque dessas bombas? Gente, bombas não. Radicalismo e intolerância existem em praticamente em todas as religiões em maior ou menor intensidade, mas a tudo à que impor limite e esse limite deveria ser de responsabilidade dos lideres religiosos já que esta violência está de alguma forma ligada à fé. Teriam os kaliphas, em algum momento da história, perdido controle sobre seus fiéis ou concordavam que essa era a melhor maneira de à sua fé respeitada?

Reparem que eu não estou falando de terrorismo, que é outra historia ainda mais delicada. Estou comentando uma coisa normal, que é a reação muçulmana à declaração de outro líder. As reações precisam mesmo ser assim? Uma cultura tão interessante sendo manchada pelo radicalismo de poucos. Tem algum árabe em meio aos leitores? Alguém que consiga nos explicar como essas reações poderiam ser justificadas?

O cão Ozzy não me protegeria de reações a esse texto, essa semana ele foi assaltado vejam só que bunda-mole, levaram a sua já famosa correntinha de bicheiro, olha a situação, é ou não é pracabá? É a violencia chegando ao nível e ao reino animalístico, jotaerrísticamente falando.

Update: Dêem uma olhada na gravidade nessa notícia.

Em tempo, as imagens que ilustram este texto foi retirada deste site, bacana para quem tem interesse no assunto. Outra coisa, até me passou pela cabeça colocar pra tocar a música que inspirou o título, sou grato ao meu senso estético por me impedir.

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Publicado em cultura
25 comentários em “bomba, olha a bombáá
  1. Claudio disse:

    Junior, eu também não tolero qualquer tipo de ação que me remeta a censura. Parece-me também intolerância, nesse caso.

    Fico radiante quando vejo as misturas. Um negão abraçado com uma japinha, um judeu andando de mãos dadas com uma baiana e por aí vai.

    Como disse Jorge Mautner, a solução para esse problema é a mulata, que representa a mistura de tudo. Enquanto existir a mulata, o planeta terá sempre uma esperança de não cair nessa ridícula (e preocupante) intolerância.

    abração

    PS: Se jogarem uma bomba no meu comentário, quem vai ser atingido será o Frigideira. Me desculpo de ante-mão se ocorrer, ok?

  2. Lara disse:

    Ácido, mas correto, como sempre.
    Saudades de passar por aqui. No meio da semana já estarei com meu sujinho e poderei passar aqui sempre!
    bjus T

  3. Lara disse:

    De fato. Qualquer um nessa vida tem uma penca de coisas irritantes aos demais, é o maravilhoso dom humano (a diversidade) né? De qualquer forma tudo dá certo no final…ou todo mundo morre (pelo menos isso iguala todo mundo num mundo pacífico rsrsrsrrs)… 🙂
    Bjim (Naum resisti passar aqui de novo heheheh)

  4. Flávio disse:

    Grande texto, Junior! Infelizmente as religiões pregam o amor, mas preferem difundir-se pela espada!… 😦

  5. Douglas disse:

    Ih, verdade amigão, cuidado que desse jeito você vai acabar sendo bombardeado (ou pelo menos o seu quintal vai, rs)!
    Olha, convivi 1 ano e 2 meses com árabe, nascida lá mesmo, e…
    E…
    …complicado amigo, esse negócio de preconceito, censura, intolerância…hum…â assuntinho complicado, ainda mais quando se trata daquelas bandas…queria ter comentado algo mais pertinente e mais direto, mas tenho medo de ser ameaçado (rs), já que esse (ameaças, bombas e etc) parece um meio de “justiça” mais correta, segundo a visão de algumas pessoas.

    Muito interesante o texto.
    Bom domingo pra você!

  6. Clara disse:

    Medo….é isso que sinto! Sinto medo do que o mundo tem se transformado! Vc bem descreve em seu post, toda essa pasmaceira, e enqto eu lia, aqui dentro de mim, uma sensação estranha se formava!

    Li a noticia que vc colocou no link, e fico imaginando do que serão capazes esse grupo iraquiano! Fico pensando a qual tragédia iremos assistir! E de novo me dá medo!

    Concordo com tudo que vc falou… até mesmo sobre o tal papa. Qdo ele foi nomeado, estava deitada no sofá assistindo a tv, e senti um calafrio, uma sensação estranha que não gostaria de sentir outra vez!

    Enfim, cada religião prega aquilo que lhe convém, mas agora, é que aguentem as consequencias…

    Bom final de semana pra vc tbem..

    Beijo.

  7. Meu caro júnior, belíssimo texto mas, permita-me uma pequena correção: quando vc diz que “a violência está de alguma forma ligada à fé” eu devo discordar. Essa violência, sobre a qual vc tão bem discorre no texto, está sim TOTALMENTE ligada à fé. Se mata em nome de Alah, Jeová, D’us”… todo santo (sem trocadilho) dia! Sou judeu, filho de pai e mãe judeus, embora não sejamos totalmente seguidores de todos os preceitos religiosos. Eu diria que somos “light”. Acompanho sempre com muita atenção essas notícias e vejo com muita tristeza toda essa confusão e conflitos criados em nome de uma tal “guerra santa” que de santa não têm nada. O banho de sangue no Oriente Médio, infelizmente, faz parte da vida de árabes e judeus e, agora, se o Bento (cuja cara tbm não simpatizo, por motivos óbvios… ou já esqueceram que ele fez parte da juventude nazista daquele porco austríaco que matou até gente da minha família?) não desfizer a lambança que causou com esta declaração infeliz, temo que o banho de sangue chegue sim ao Vaticano como sugere a notícia do link que vc colocou final do texto. E pior: quem estiver na missa de domingo, em qualquer pacata Igreja Católica mundo a fora, vai estar sim correndo um sério risco de ser abençoado com um coquetel Molotov. É triste, muito triste!

  8. Matilda disse:

    Tudo que não seja exatamente como se quer é lido como ofensivo, a troca de idéias e o ouvir opiniões diferentes inexiste e a censura brota cada vez mais forte, e o mundo fica cada vez menor e mais perigoso de se estar, até para o Ozzy, coitado, levaram a correntinha de bicheiro dele? Que horror, não se respeita opinião contrária, não se respeita religiões, não se respeita o reino animalístico, não se respeita mais nada e paz, tranqulidade, sociedades justas passam pelo respeito a opiniões contrárias, ou não?
    Enfim, religião é algo pessoal, devia ser intranferível também, algo assim…

  9. cilene disse:

    Sinceramente…vou ser curta o que falta a esse povo…e aprender que eu posso pensar diferente deles,,e que o deus deles pode nao ser o meu Deus

  10. Herika disse:

    É complicado falar dos costumes de um povo com uma cultura tão diferente da nossa.
    O que nos parece um absurdo, pra eles é tão normal que eles é que não entendem nossa indignação. Concordo com seu ponto de vista mas… será que estamos certos?
    Eu tbm conheci meu marido pela net, num chat :p
    Beijos!!!

  11. Aldemir Silva disse:

    É impressionante o poder que a fé religiosa tem sobre as pessoas…

    Fatores socio-culturais não podem ser deixados de lado mas sabe-se que há uma relação intríseca entre violência, política e religião. Os homens bombas não são apenas movidos pela fé… A questão vai além. Nos países mulcumanos os líderes religiosos são líderes políticos que defendem interesses e justificam suas barbaridades em nome Deus e o povo é apenas conduzido pelo motor da fé.

    Dizem que política e religião não se discutem. Enganam-se, vide a hitória da humanidade.

    A religião é o ópio do povo, Disse Marx. E acho que ele estava certo.

    Abraço.

  12. DO disse:

    O Papa errou. Pra variar,é verdade.Mas nada justifica estes doidos fanáticos religiosos que ,parece,só sabem resolver as coisas soltando bombas à torto e direito.
    É o que venho dizendo: o mundo já está de cabeça pra baixo, e nem o Papa se salva.
    Aliás,Junior,este Papa é o que de pior há.
    Abração!

  13. Lula disse:

    Quanta imbecilidade, né meu!? Um fala q o outro é violento e o outro se ofende e fica. Ironia. Vc sabe q a Bíblia dá uma explicação sobre o porquê deste povo viver assim, né? Qdo Pilatos perguntou “o que devo fazer com o sangue deste inocente” a turba raivosa respondeu “joga sobre nós, sobre nós e nossos filhos“.
    Mas gostei de saber q seu jardim ja está preparado pras visitas cósmicas, e não gostei de saber q roubaram a corrente de ouro branco puríssimo e maciço q o Ozzy ganhou do bicheiro.
    Abraços JR.
    Update: Se um disco voador pousar no seu jardim vc me avisa? Vou junto procurar um lugarzinho mais tranquilo.

  14. JUNIOR,
    não gosto de papas.
    Só de mamas.
    …:) 🙂 😉 😀
    Sorry, foi in-fa-me…

  15. Junior, não gosto desse radicalismo arabe. Aliás, não gosto de radicalismo nenhum. Nem acho interessante a cultura deles. Mas respeito quem goste. E o papa? Para que papa?
    O Ozzi roubado e não reagiu? Coitadinho dele.
    Liliane de Paula

  16. Jacque disse:

    Esse povo tá bosecessivo e compulsivo demais pro meu gosto e com baixa tolerância às frustrações e críticas. Todos eles precisam de psicoterapia, ansiolíticos, estabilizadores do humor, neurolépticos e tudo mais, hehehehehe! Ou seja, é tudo doido mesmo!
    Religiões não passam de disseminação de discriminação, ódio e preconceitos; por isso as guerras não acabam, porque atrás delas vem o poder que cada um quer ter sobre o outro.
    Beijos.

  17. Van disse:

    Gosto muito da cultura Árabe… mas são pessoas extremistas né?!

    Talvez tenham mania de perseguição já que são sofridos tb…

    Beijos e boa semana pra ti 🙂

  18. Luma disse:

    As palavras que Bento XVI proferiu, nem eram dele, ele apenas citou um imperador bizantino, Manuel II, uma parábola em que conversava com um persa sobre as suas religiões (cristianismo e islamismo) a respeito do Jihad. Acho que os paquistaneses não gostam dessa parábola! (rs*)
    Manoel II diz: «mostre-me que novidade trouxe Mohamed, e encontrará apenas coisas más e desumanas, como o seu mandamento para espalhar a fé pela espada»
    Terrível o Papa sabendo da intransigencia islâmica desenterrar o defunto. Infelizmente os católicos também são intransigentes ao pensarem ser o cristianismo a religião de Cristo, como se bastasse essa religião para criticar as outras.
    Esse Papa também quer ser pop, sabia?? Viu o blogue do papa linkado lá no luz??
    Certamente encontrará algo lá.
    Em tempo, o parlamento paquistanês aprovou uma resolução condenando as declarações do papa e exigindo um pedido de desculpas formal.
    Diga-se de passagem, que esse pedido pode querer pressupor que a parábola assuma papel fictício.
    Boa semana! Beijus

  19. Beth disse:

    Pôe ai embaixo do texto! BETH!
    ASsino em baixo, em cima, do lado!
    As pessoas esquecem o quao dificil é fazer, e nao pregar paz!
    Todos os colegas ai de cima já espressaram, em sabias palavras, o que eu, e mais meio mundo de gente(ainda bem por isso) pensamos.
    Maaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaas, mudando de assunto, e já pelo adiantado da hora,
    PARABENS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Que o Deus te conceda bençãos sem medidas, e que vc viva, com toda a intensidade que ela já tem, essa linda história de amor com a Fôfa!!!!!!
    Um cheiro!

  20. Roby disse:

    Junior meu amigo..de-me lincença…mas não vou comentar este seu fascínio pelos árabes…mesmo porque, minha opinião é bem outra.
    Portanto, quero saber mais como tu estás, e como passastes o final de semana!
    Ótimo eu imagino..

    Abraço carinhoso meu amigo.

  21. Ligian disse:

    Pois é, às vezes fico pensando porque esse tipo de coisa existe e acho que tem a ver com um outro post seu daqui… tudo é uma questão de preconceito (seja ele de qualquer espécie…).
    Qual seria o consolo pra isso? Sinceramente, não sei…
    Bj

  22. Matam o semelhante e ainda se dizem religiosos em busca da paz, adoradores de Alá, ou seja lá quem for.

    O princípio básico de toda religião é a tolerância, aceitar o próximo como ele é, e outras coisas altruístas do tipo. Agora, basta a menor das provocações, uma pequena faísca, para que todo esse discurso bonito fique em segundo plano, e um deseje a cabeça do outro simplesmente por pensarem diferente. E isso vale para TODAS as religiões.

    O câncer do mundo é a religião. O ser humano precisa de algo para se sustentar, e consegue isso através de deuses e assemelhados. Infelizmente, o sustento não basta; tem que haver discórdia, tem que haver conflito, tem que haver briga. É um querendo impor sua religião ao outro, numa discussão infundada e estúpida. É nojento, degradante, uma vergonha.

    Ainda vou colocar os que eu gosto ao meu lado, e mandar o resto do mundo à merda, como já pensei outrora…

    []’s (e desculpe o tom inflamado).

  23. Luciane disse:

    Oi, Júnior! Então somos dois a admirar a cultura árabe e mais ainda a culinária deles. Minha mãe!
    Aqui na Suécia, onde o povo se diz tão tolerante e “muderno”, fazem o maior auê por causa do hijab. Por exemplo, mulheres que usam hijab muito dificilmente conseguem emprego. Volta e meia tem gente querendo até proibir o uso dele em escolas primárias.
    Esse papa definitivamente não é pop! (Mais uma infame pra coleção.)
    Abraço

  24. Pedro disse:

    O que mais eu posso falar dos seus (sempre ótimos) textos?
    Quanto ao conteúdo do mesmo, realmente uma cultura linda e rica, cheia de particularidades que os acidentais infelizmente desconhecem, e tendem a nunca conhecer, por medo e preconceito. Não que haja um real motivo para evitar qualquer “árabe”, que cruze nosso caminho, mas nem todos conseguem entender que são poucos os radicais que maculam a cultura dos povos que habitam as terras ora secas, e ora férteis, da península arábica.

    Abraço Junior

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