o sambarelê da educação e os sem-educação

Há algum tempo eu vi em vários blogs por aí blogueiros postando fotos suas ou não junto de umas vacas coloridas. Arte, disseram muitos. Bom, cada um vê arte onde acha que a arte está. Poucas pessoas entendem meu humor, eu não sou de achar graça de muitas coisas que fazem os outros rolarem de tanto rir. Alguns dos vídeos mais “engraçados” da internet, por exemplo, me fazem afundar na cadeira envergonhado pelos protagonistas, sabem como é se sentir assim? Então agora porque não correr para tirar umas fotos de todas juntas (ou junto de todas) num evento cultural em Curitiba, o estacionamento leiteiro? Arte aqui é assim, desencanadamente descartável.

Os sem-terra estão realmente inovando em suas pretensões, agora eles protestam contra o agronegócio. Querem a reforma agrária, ou seja, são favoráveis a criação das favelas rurais. Sabem por que eles são contra o agronegocio? Porque a modernização do agronegócio, além de diminuir a mão de obra necessária pede mão-de-obra qualificada. Só assim o nosso agronegócio compete em nível mundial. Mas eu entendo perfeitamente que “qualificação” é palavra fora do dicionário dos sem-alguma-coisa, então preferem ser favelados em um quinhão de terra doado, já que não conseguem ser outra coisa que não favelados. É a parte da população que não precisa ter esperança porque não tem a menor chance de um dia deixar de ser o que são pelos seus próprios meios, como se vivessem num daqueles países africanos devastados por guerras civis durante anos. Pior de tudo é que essa gente passa a vida sendo manipulada por “outras gentes” sem qualquer decência, gente que vive teimando em não morrer nos diversos confrontos com polícia ou fazendeiros. Pode gostar deles se você quiser, não se influencie pelas minhas palavras.

Se eu estou completamente sem tempo pra escrever aqui, imaginem pra visitar a todos, mas ontem eu acabei chegando a um blog legal, o Travessia, da Bia. Ela comentou o tal do Programa Samabarelê da Educação, nem sei o nome mas é esse que tem aparecido na mídia. A tolerância dela ainda está maior que a minha e eu ainda fiz um daqueles meus comentários tão otimistas.

Já ouvi vários falando sobre o inoqueidade do tal plano e na minha sempre escabrosa opinião ele foi feito pra agradar quem vota, já que pelo visto o ensino básico e médio não foram tão lembrados assim.

Antes de continuar quero dizer que se você ficou todo entusiasmadinho com o plano para a educação, pode parar de ler aqui, volte daqui a 5 ou 6 anos e continue a leitura.

Realmente acho que esse lance de educação não está com nada. É verdade, a educação no brasil é mais um factóide em que todos tem “entrado bem”. Já falei sobre as universidades caça-níqueis e como elas despejam milhares de analfabetos funcionais no “mercado de trabalho” todos os semestres, tem até uma em frente a minha casa, o nível dos estudantes é pior que péssimo (pessimíssimo existe? Tudo bem, inoqueidade também não). Onde eles acham que vão chegar depois que se formarem em administração de empresas pagando 350 pilas por mês durante 4 anos? Eu conto, eles vão deixar de ser moto-boy pra ser o chefe de despacho “du selviço” na empresa de moto-boy. Ou vão deixar de ser o carregador do almoxarifado pra ser o auxiliar do encarregado do almoxarifado.

A maioria deles ainda não descobriu isso, e descobrirão tarde demais, quando suas crias estiverem amamentando, eles vão olhar pra trás e pensar que aquela grana que eles deram pras caça-níqueis não os levou muito longe, vão fazer planos de orientar seus rebentos a procurar por atividades não convencionais como ser camelô, vendedor de tênis pirata, coisas informais para ganhar a vida. O nosso problema com educação terá enfim terminado, ninguém mais vai se preocupar com ela, se é que me entendem.

Agora me digam, se o cara que termina a faculdade não vai muito longe na sua “carreira profissional”, para onde os sem-terra, os sem-teto e os sem-futuro pensam que estão indo?

Hoje rola umas brejas com o deputado Barbosinha no butiquim aqui ao lado e todos estão convidados, coisa rápida porque amanhã bem cedo, as 5:30am eu pulo da cama.

Vocês podem estar me achando meio arrogante ou completamente arrogante, ou meio mal educado, talvez completamente mal educado. Gostaria de lembrá-los que talvez eu seja tudo isso, talvez não.

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Publicado em brasil, política
31 comentários em “o sambarelê da educação e os sem-educação
  1. cilene disse:

    Junior agora fiquei pensando numa coisa..eu tambem nao vejo graca quem quase nada..nao vejo graca nas coisas que outros adoram..sera que somos normais? o plano de educacao..nao conheco, mas aVeja disse que era bom numa reportagem quando ai nda estava no Brasil

  2. Dani F disse:

    Oi Junior!!!
    Quanto tempo não?
    Andamos sumidos..cois anormal neste mundo virtual.
    Mas que coisa..sambalelê..o quê? Cruzes!!!
    Me poupe deve ser coisa do Seu Lulalelé..
    Não me fale destes malditos arruaceiros..os sem terra..desculpem-me os fãs..mas não vejo futuro nem vontade de trabalhar..
    Trabalho?
    Onde?
    Ozzy..comedor de receitas..viu? Até ele é contra o progresso..dos teus quitutes…
    hahaha
    beijo

  3. Marcos disse:

    Como sou um sujeito com mais soluções que problemas, vou dar uma sugestão para resolver dois de vez: que mandem os sem-terra ordenhar as vacas do estacionamento. Que tal?
    Plano para a Educação? Sei… Desde Jarbas Passarinho que ouço essa história. Os mais velhos devem ouvir há muito mais tempo, 507 anos, talvez.

  4. Pelo menos há a tentativa (veja bem, tentativa) de mudar alguma coisa no quadro educacional público deste País. Não preciso nem dizer que é pífio, vergonhoso. Qualquer pobre diabo conclui isso.

    Se os 8 bilhões previstos para o PDE corretamente, e não se perderem nesse mundo político, é possível que agilize (ou inicie) o processo de melhora da nossa educação.

  5. Carla disse:

    As vaquinhas também estiveram aqui em BH e vi gente tirando fotinhas ao lado delas…hehehe! Tem gosto pra tudo nesse mundo, né?
    Quanto à educação, confesso que já fui mais otimista.
    Bjus.

  6. Tina disse:

    Oi Junior!

    Acho que a educação nesse nosso país ainda tem muito que aprender. O ensino universitário (salvo exceções) não dá futuro a ninguém e está banalizado.

    Gostei do post, viu?

    beijos querido,

  7. Carol disse:

    Friend, tive o desprazer de passar 4 anos na universidade pública e infelizmente ela não é muito melhor do que as caça-níquel. O seu, o meu, o nosso imposto tem sido desperdiçado de forma vergonhosa na educação do país – entre mil outras coisas.
    Bjs!

  8. Silvia disse:

    E eu, que vou dar uma palestra pra estudantes de uma fakul de Comunicações… que tal?? falo a verdade pra molecada?? Tadinhos….

  9. Júnior, já fiz um post e comentários e tudo mais e mostro aqui também minha indignação com este senhores que possuem o poder estão com as armas na mão para atacar o problema da péssima educação, péssimos salários, péssimo sistema de ensino que não pode reprovar ninguém e ninguém quer nada com nada a rigidez perdeu a banalização assumiu. É o sistema, quem é o sistema?

  10. Flavia Sereia disse:

    Junior, eu tb sou bem pessimista, não acredito que essas coisas dê certo, simplesmente pq o proprio governo não tá fazendo isso pra dar certo, somente para ganhar mais votos e com isso eles garantirem o sustento deles, é so isso no que pensam.
    Vc sabe quanto de aumento meu marido teve? ( ele é aposentado, e ganha mais de um salario minimo) 4,00 ( quatro reais) de aumento!
    Agora te pergunto: não dá vontade de pegar esses 4 reais e mandar enfiar naquele lugar do Lula???
    Ando tão revoltada que nem tô mais vendo jornal na tv, vou me tornar uma alienada, pelo menos assim não me estresso.

    bjs

  11. Aldo disse:

    Uma vez ouvi a seguinte frase não sei onde: “Você pode tirar o homem de dentro da favela. Mas, não consegue tirar a favela de dentro do homem”. Concordo. Abraços.

  12. Bruna disse:

    Oi Junior! 🙂 Vamos por partes…. risos…

    1) Eu adorei a Cowparade daqui de BH. Não por entender de arte, nem nada, mas por ver a reação das pessoas ao verem as vaquinhas. Muitos abriam largos sorrisos, e a grande maioria realmente queria fotografar. Bom. Eu gosto de ver as pessoas ao meu redor felizes, indiferente de ser um motivo ridículo, pra mim, a felicidade contagia.

    2) Concordo em gênero, número e grau sobre o que você falou dos sem terra.

    3) Tudo está errado mesmo na educação. E eu sinceramente tenho pena das pessoas que dão o sangue pra pagar a faculdade. O que eu admiro é a vontade de melhorar, a vontade de vencer. Quem não quer uma vida melhor? O problema é o sistema, a falta de oportunidades e tudo o mais de ruim deste país. 😦

    Abração!

  13. Susana disse:

    Junior,

    O que me deixou de cara no chao (na chom) foi , depois de muito tempo aqui fora, receber noticias de uma ex-colega de profissao (professora), que fez um Mestrado relampago (daqueles tipo curso de ferias) e, hoje, esta’ dando aula numa Universidade.
    Fiquei me questionando a respeito da qualidade do ensino oferecido, e , fiquei com pena dos alunos que esperam que aquilo va’ resolver todos os seus problemas.
    Estamos caminhando ao passado: daqui a pouco arte vai ser pendurar o Diploma na parede da sala, junto com a foto de beca…

    Sds,

    Susana

  14. Kaya disse:

    Oi Junior! Caaara, é verdade, hein?! Fazia tempo que não “nos víamos” por essa blogolândia..rs
    Vc sabe que eu sou fã desse seu jeito. E gostaria SIM que mtas pessoas tivessem essa ousadia que vc tem de assumir o que aprova e desaprova e não ficar de poser nas situações… aff, até empolguei agora. :p
    Eu concordo com o que vc escreveu neste post. E a “educassão é realmente um pobrema” cruel aqui no Brasil.
    Digo uma coisa, pq vc já falou td no post e eu não vou repetir td novamente: se ser mal educado é agir como vc está agindo, então prefiro ser mal educada tbm.

    Bjus***

  15. Kaya disse:

    Eu ando sumida do seu blog e dos demais pq estou sem net em casa, já faz um bom tempo 😦
    Por isso o meu sumiço……. snif!

  16. Lino disse:

    O Marcos deu uma bela sugestão. Se ela for aceita, arranjamos alguma coisa para os sem terra – sem fazer nada? – fazer. E parar de enxer o saco da gente.
    Quando à educação, alinho-me ao seu pessimismo.

  17. Cejunior disse:

    Oi Júnior!
    Essa história de favelados (e isso eu conheço bem, afinal sou carioca…) é igual aquela da seca no nordeste: no dia que resolverem isso, vai ter muita gente boa passando fome!!!
    E além disso, depois que inventaram o tal do “bolsa-família”, trabalhar prá quê ?? Prá perder a boquinha ??? Aqui no Rio além da bolsa federal ainda tinha a bolsa estadual, inventada pelo Sr. Garotinho…
    Para terminar, alguém ainda leva a sério essa mania do governo do Lula de fazer planos ???? Parece o Cebolinha querendo pegar a Mônica, faz um monte de planos e nenhum funciona!
    Um abraço.

  18. DO disse:

    Ah,com o eu gostei do que vc escreveu aqui,JUNIOR.
    Sobre os sem-terra,nem preciso me estender,pois são tão “sem-nada” que até sem -cérebro eles já são.Isto pra não dizer BANDIDOS mesmo.
    Qto ao tal plano para a educação,disse o mesmo que vc. Pago pra ver este blablablá todo funcionar.
    Não interessa a este governo ( e a governo nenhum ) dar educação ao povo.
    Abração!!

  19. Dominus disse:

    Mas as faculdades não precisam mesmo ter qualidade, todo mundo faz faculdade para depois fazer concurso público, não é mesmo? No caso de universidades públicas é ainda pior, pois pelo menos aqui no DF os alunos tem até o almoço “subsidiado” com o dinheiro dos nossos impostos, além de termos que pagar a parte deles quando vamos ao cinema, entre outras coisas. Ano passado estavam prostestando para ter também transporte gratuito a qualquer hora.

  20. Quanto aos Sem-Terra há divergências em nossas interpretações, mas quanto as fábricas de diplomas eu concordo inteiramente!

    Abraços!

    Ah! Eu estou cadastrado no Blogblogs, mas não sei como funciona aquele ranking. Pelo Technorati estou com mais de 60 links, mas segundo o blogblogs apenas seis.

  21. A intenção é boa. O que não qeur dizer quase nada. Eu gostaria que desse certo mas o certo neste país é aumentar os salários dos donos do poder.O país pode estar ajoelhado mas o deles não falta.

  22. Luciane disse:

    Bah,Júnior! Quando eu li a palavra enoquedade até pensei “como o Jr. está escrevendo difícil!”. Pra tu veres que meu português tá ficando ruinzinho, ruinzinho.
    Eu concordo com o que a Bruna escreveu sobre a educacão, item 3. O mercado exige cada vez mais de quem procura emprego, mesmo que seja um emprego no almoxarifado. E entre pagar 350 mangos e conseguir o emprego ou não pagar e continuar desempregado, é preferível pagar.
    O problema é estrutural mesmo, e eu acho que para se garantir qualidade na educacão, o governo deveria investir mais nas universidades públicas. O certo seria que o ensino superior fosse grátis e não, uma empresa sem compromisso nenhum com a qualidade.
    Beijo pra ti e pra Bianca e pro o cão Ozzy e pra vossa excelência o deputado tanbién.

  23. Luma disse:

    Os professores estão protestando por reajuste da lei, do piso salarial, do PDE e querem mudanças. álias, é uma pena que dia primeiro seja feriado! Os trabalhadores desse país deveriam parar em protesto a esse aumento ridículo de salário.
    Não vejo um pai de família trabalhar contente e chegar em casa disposto a ensinar e brincar com crianças. Talvez se o salário fosse recompensador.
    Sem-ânimo! Beijus

  24. Nivaldo disse:

    Junior, isso aqui como sempre, antenadíssimo. Os sem-qualquer-coisa deveriam ir mesmo para o buraco! E tenho dito.

    Um abraço e bom fim de semana, amigo!

  25. Lara disse:

    Júnior, isso só me faz lembrar o período que dei aulas para 6º série na periferia do DF. É tudo uma questão de mentalidade, algo que começa cedo. Os alunos tinham um completo chilic se tivessem que ler e debater comigo sobre o assunto de uma página do livro, ao invés disso sugeriam copiar o capítulo todo. A cópia ia da mão para o lápis, do lápis para o caderno,e NADA passava pela mente…era o que parecia: Mais fáil criar calos na mão de tanto copiar do que procurar refletir algo de fato…
    Bjus

  26. O que me deixa arretada é vê esses “sem terra mas com m….na cabeça” bagunçar a vida de todo mundo e os ministerios públicos não fazerem nada. Que terra que nada. Vão trabalhar vagabundos.
    Tive uma excelente educação primária e pública. Tive excelentes professores.
    Liliane

  27. Negão disse:

    É lamentável, mas é verdade. O que o esponja analfa entende disso. A realidade dos analfas pós-universidade é dura, mas tem que ser dita (e divulgada), doa a quem doer.

  28. Bia disse:

    Caro Junior: vim retribuir sua visita gentil e deixar um abraço.
    Mas, permite-me comentar – e discordar – da sua opinião sobre os sem-terra.
    Uma coisa é o movmento – MST – visivelmente político e “de soluções”, nem sempre adequadas ao problema. Outra é a situação real de milhões de brasileiros sem oportunidades de trabalho, sem qualificação, sem condições de produzir.
    Certamente os trabalhadores rurais não querem viver em favelas rurais. Mas, enquanto o governo isenta os usineiros de biljhões de dívidas, não há crédito suficiente nem assistência técnica no campo. Não há preços justos para a produção agrícola, nem estradas, etc…
    O agronegócio é importante para a economia e para o desenvolvimento rural. Mas apoio aos que produzem o arroz que nós comemos também é fundamental.
    Gostei do seu perfil. Um abração.

  29. ediney disse:

    há essa tragédias que sempre estão a nossa volta, é por isso que há os que se deixam e os que sabem fazer de si cominhos para mundos melhores

  30. Tuts disse:

    Eu não assistia Arquivo X, mas me contaram e quem assistia vai se lembrar do episódio do Gênio.
    Paz na Terra é o meu desejo!

  31. […] Pensem o que vocês quiserem com essa minha analogia cinematografística, mas lembrem, não sou contra alimentar famintos e pagar faculdade caça-níquel pra carregador de almoxarifado ser promovido à auxiliar do encarregado do almoxarifado e ter um aumento de 40 pilas no salário só eu paguei pra ele ter um canudo. Sabem a dança das cadeiras? Então, tem muita gente “jirando, jirando” e quando a música para, alguém sobra em pé. […]

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