bons tempos

Esse primeiro parágrafo eu escrevi por último, mas escrevi aqui encima, e daí? Não preciso dizer que fiz isso pra avisá-los que o texto que segue não é agradável, não acrescenta nada e não deve ser lido.

Para onde estamos levando a nossa vaquinha? Passei algum tempo escrevendo sobre coisas que me deixam indignado, daqui pra frente talvez eu passe a escrever sobre coisas que me fazem rir. Não se alegrem, são os mesmos assuntos. Agora eu rio de coisas que antes me aborreciam, o que é bom, não sou uma daquelas pessoas que estão sempre rindo, esboço sorrisos, me divirto, mas rio pouco. Faço rir e rio pouco, como um palhaço triste.

Mas, para onde diabos estamos levando a nossa vaquinha? Mêu, se olharmos para o mundo, não temos mesmo muitos motivos pra rir. Tirando o nosso mundinho privado, coisas do nosso dia-a-dia, pequenas conquistas individuais, alegrias pessoais e familiares, a humanidade rasteja na merda.

Tá, eu sei que muitos preferem fingir que não vêem a situação caótica do humano social, talvez sejam eles os felizes e esse seja esse o segredo dos seus risos incompatíveis. Pode ser possível, talvez provável, que eles nem estejam fingindo, estúpidos que são, não vêem mesmo um palmo diante do nariz, num nível ideal da evolução que impossibilita uma visão maior do status quo atual das coisas (não sou burro, a redundância foi propositada); Se não influem em nada com a sua inércia, também não contribuem para emerdear ainda mais o mundo, apesar de infelizmente continuarem a se reproduzir, são em verdade, os que mais o fazem. Não inflóen nem contribóem. De qualquer forma existem os que não vêem e os que fingem não ver. Você, viva como quiser.

Passo por pessoas com preocupações parecidas com as minhas, o lula, os políticos, os jovens violentos, as vacas que macdonalds mata (essa não é uma preocupação minha), os duendes. Todos segurando com as duas mãos junto ao peito uma listinha de razões; Uns proclamam que a classe média é uma carapaça de bosta ressecada que durante décadas sufocou os pobres diabos das classes c, d, e, f, g… (desculpem, mas é assim que eu leio alguns escritos); Outros decidem que se um lago secar em algum fim de mundo qualquer, a culpa claro, é e sempre será dos estadunidenses (sorrio sorrisos sarcásticos cada vez que encontro essa palavra) por causa do ultrapassado kioto. Vi um norte-americano que roda os carros da família com bio-diesel que ele fabrica na garagem da sua casa, HÁ 20 ANOS. E nós, os tais dos bios, nessa punheta há 30. Eles também rastejam na merda, uma merda mais cheirosa que a nossa mas, merda.

É tudo tão parecido, tão repetitivo, tão sem criatividade, tudo tão mal argumentado, de péssima escrita. Eu claro incluso entre eles. Faço parte dessa pobreza. Mas esses são os indignados, ruim com eles, pior sem.

Às vezes sinto vontade usar meu tacape.

Eu tenho um tacape. Trabalhei alguns anos numa empresa e os colegas me apelidaram de Capitão Caverna, me presentearam com um tacape. Numa bela manhã ao entrar na minha sala encontro-o sobre a mesa, enfeitado com um lindo laço. Com o tacape nas mãos, olhei pelas paredes de vidro da sala com o meu melhor sorriso de satisfação, tinha sido afinal, compreendido. Nunca fui um cú-de-frango, como dizem lá no buraco de onde eu, talvez, nunca devesse ter saído. Pensando em buracos, talvez o único problema do mundo seja eu subtrair da minha vida as noites que passava enfiado em botecos infectos e escuros me entupindo de nicotina e whisky 8 anos ouvindo o rock que já fizeram um dia. Bons tempos.

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Publicado em monstro da semana
13 comentários em “bons tempos
  1. cilene disse:

    Junior nao vou seguir vc nao…vou continuar vendo o mundo cinza…a cor rosa nao combina comigo..mas desejo que vc consiga

  2. Lula disse:

    (Sacanagem, meu! Você colocou aquele aviso lá em cima com segundas intenções, pra obrigar a gente à ler, safado!)

    Hehehehe…

    Também acho que se vc voltar ao submundo de nicotina e més mil em que me recuso terminantemente a sair, veria a mundo como eu vejo: “Furtacor” (como diz minha santa mãezinha).

    Abração, véiamigovéi.

  3. Junior, nunca ouvi e expressão “….de frango”. Por aqui, não deve ter. Acho que não vale a pena a gente se gastar com coisas que não vai dar jeito. A eleição de canalhas é uma dessas coisas. Se o povo quer isso aí, vou fazer o que? Lembre que eu sempre digo: “odeio povo e adoro gente”.
    Bom, agora voltar para nicotina e noites de farra, não acredito que vá valer a pena.
    Ozzi vai bem? Aqui as gatas de 4 patas e cadela, estão bem que só vendo.
    Liliane de Paula

  4. DO disse:

    Eu já nem sei mais o que é certo,ou que é errado,Junior. Não sei se adianta ficar brigando e discutindo com “o mundo”,ou fingir que sou cego,surdo e mudo e não estar nem ai pra tudo de podre que tem este país,este mundo.
    Mas uma coisa eu te digo,nada de nicotina,meu amigo. Vc tem que gostar de voce.

    Abração!!

  5. Luma Kimura disse:

    Pode ser triste, feio, alienação, ou qualquer coisa do tipo falar assim, mas a verdade (a “minha verdade”, claro…) é que eu ESCOLHI não enxergar muitas coisas. Cansei de ficar literalmente doente por absorver as dores do mundo em uma época em que eu ainda acreditava que podia fazer a diferença, podia lutar, sei lá… um romantismo que perdi com as desilusões. Agora olho o mundo ao redor, formo minhas opiniões, mas não tenho mais pique para “lutar” e no final das contas, fico na turma dos que vêem o mundo ao redor somente para lamentar e vivo as minhas alegrias pessoais para continuar caminhando, porque não acredito mais que haja conserto… Copiando a Liliane aí em cima: “Acho que não vale a pena a gente se gastar com coisas que não vai dar jeito.”

  6. Carla disse:

    É cruel, mas é a pura verdade, todo esse seu post.
    Fora nossos pequenos momentos de felicidade pessoal, o mundo tá uma merda.
    E não tem pra onde correr não.
    Se pudéssemos, mudar de planeta e começar tudo de novo seria o ideal.
    Mas um planeta só de crianças.
    Porque se levar adulto, já viu, né?
    Bjo e otimo findi.

  7. Claudio disse:

    Você vai publicar uma foto sua com o tacape, dando uma de capitão caverna?

    abs

  8. Yvonne disse:

    Júnior, o pior de tudo é constatar que estamos perdendo o hábito de nos indignar com essa atual situação brasileira. São várias fases, agora é do torpor. Eu leio raras notícias e não fico mais raivosa. Somos todos uns palhaços das perdidas ilusões. Beijocas

  9. Tina disse:

    Junior:

    O pior, no meu ponto de vista, é a passividade com que olham, como se não fosse com eles, contra eles mesmos… Bons tempos:esses com certeza não voltam mais.

    beijos querido, bom fim de semana!

  10. Saramar disse:

    Somos, somos todos imbecis e passivos.
    Somos mesmo.
    Para mim, tudo isso é resultado de um processo de alienação (ai, ai, já estou falando como esquerdistas, que Deus me livre).
    Já nos acostumamos com o torpe, o medíocre e o indecente. Nada mais nos faz estremecer.
    Infelizmente.

    beijos

  11. Luma disse:

    👿 tacape. Me lembrou Tecate. Boa idéia! Vou fingir que estou nos bons tempos. A ilusão protege os sonhadores. Bom fim de semana!! Ah, antes que me esqueça; é muito mais do que disse. Beijus, Luma

  12. Cejunior disse:

    Rapaz…você ganhou um tacape e estava numa sala com paredes de vidro por perto ???? Mas não é irresistível ???
    Por mais que me esforçe em não ver nada, é impossível. Basta estar vivo para ver. E prefiro mil vezes ficar roxo de ódio do que ir guardando cada uma dessas cacetadas aqui dentro da alma… a gente acaba ficando doente ou vira zumbi!
    Eu me recuso a achar que o Lula, Renan, Roriz e outros por aí sejam pessoas normais. Não são não! Ou então eu não sou normal..sei lá!
    Xará, tem tempo que larguei a nicotina, o uísque e o bom rock de antigamente…. mas que dá saudades, dá! Ainda mais nesses tempos estranhos…
    Um abraço e bom fim de semana.

  13. Bruna disse:

    Junior, bons tempos o tempo que eu não tinha muita consciência. Minha avó é uma sábia quando diz que a ignorância é uma bênção.

    Eu quero um tacape também!!!! 🙂

    Ah! O Luka mandou um abraço pra você. hehehe

    Beijos.

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