créditos de carbono, vendemos primeiro

por+do+sol

Antes do assunto do texto, quero agradecer a todos pelas congratulations no post passado, prometo updatá-lo com algumas fotos do evento comemorativo, mas não fotos demais. 🙂

Enfim fomos os primeiros em alguma coisa positiva. Sei que estou bastante afastado do prazeroso convívio com a comunidade blogueira, em especial com os queridos leitores do frigideira. Acontece que eu havia feito uma promessa secreta, a de só voltar a escrever alguma coisa quando encontrasse algo sobre o brasil que fosse positivo, do meu ponto de vista (e convenhamos, meus pontos de vista parecem não ser o meu forte).

Independentemente disso acreditem, investimentos como este não são vistos, não são lembrados na hora do eleitor votar, sabemos bem qual o perfil de “obras” que atraem o voto do pobre diabo brasileiropocotó. Mas é um exemplo sim, merece destaque e deveria ser seguido (no mínimo) por outras capitais, que são as cidades que mais geram lixo. É claro também que exemplos de coleta seletiva e reciclagem seriam exemplos ainda mais significativos, mas diante da pouca mobilização (de todos) nesse sentido, resolver um problema ao invés de evitá-lo já é um começo.

Mas em tempos em que o nosso presidente sai em público pra defender direitos de nações a produzir tecnologia nuclear, comparando-os ao brasil, saber que fomos os primeiros no mundo, através da prefeitura de uma cidade tão complicada, a fazer um leilão nesses moldes é no mínimo alentador.

Eu acredito que ao contrário do que algumas lideranças teimam em vender como idéia, o brasil não é um país pobre, mas um país de gente pobre. Somos um país extremamente rico de gente inculta, preguiçosa e por conseqüência, pobre. Mas deveríamos cada um de nós, começar a nos comportar como cidadão de um país rico, ou pelo menos como cidadão de um país em desenvolvimento, deveríamos pensar em como nos desenvolver junto com o mundo e não ficar brigando contra ele. Deveríamos pensar em nos comportar como os cidadãos de países livres da corrupção endêmica que temos aqui, no nosso dia a dia.

E por falar em corrupção, eu fiquei realmente puto com o lance da pirataria do filme Tropa de Elite, como nós queremos que o nosso cinema se desenvolva se pirateamos o produto da nossa própria cultura? Qual o estímulo de se fazer filmes que não darão retorno aos seus produtores e patrocinadores, ou que na melhor da hipótese perderá milhões em retorno por culpa da pirataria? Tinha pensado em escrever sobre isso, mas daí fiquei sabendo que na pré-estréia no Rio de Janeiro, na entrada do evento uma atriz pocotó, dessas que o pocotó baba ovo todas as noites disse que havia sim assistido a uma versão pirata e que achava que isso não era nada demais. Sabe quando você se acha um imbecil? Pois é, fiquei meio cansado de chover no molhado, afinal, gente de muito mais projeção dá exemplos bem diferentes dos meus. Tô maus né, mas pelo menos estou inaugurando um assunto novo na lista de assuntos.

Quem sabe numa outra vida, nascendo num outro povo. Mas daí talvez eu não pudesse me vangloriar de fazer parte do país que primeiro fez um leilão de créditos de carbono no âmbito do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) instituído pelo Protocolo de Kyoto.

Ai ai… tô meio cansado de chover no molhado sobre a desonestidade do brasileiropocotó que tem o que merece. Quando dizem que compram DVDs pirata porque os originais custam caro demais, eu penso: Se o preço do DVD original é motivo pra alguém comprar um pirata, como eu faço com o tênis, ou o casaco, ou o óculos, iPod, notebook, que custam mais do que posso pagar, roubo de alguém e depois saio descendo a frigideirada na corrupção dos políticos? Ãhn?

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Publicado em brasil
18 comentários em “créditos de carbono, vendemos primeiro
  1. Bianca disse:

    E serei a primeira a comentar algo positivo também? As fotos do evento comemorativo eu já vi. Todinhas. Mais de 1000. Mais de 1070. Agora, positivo mesmo é saber que no país “dos mano motoboy que sabem a importância de assinar os protocolo aí”, acontecem estes raros momentos de atitude de quem quer ser grande. Não por acaso aconteceu na maior cidade da América Latina, que a cada dia mais me surpreende, me encanta. Tem muita gente pensando grande. Positivo e operante. Tatt.

  2. Cejunior disse:

    Junior, algumas pequenas centelhas de vida inteligente aparecem aqui e ali. No meio de tanta mediocridade, fatos como esse tem que ser destacados mesmo!
    Pena que pouca gente vai prestar atenção nisso mas, o importante, o simbólico, é que aconteceu.
    Um abração.

  3. […] Outra boa leitura é a que nos apresenta o Júnior do frigideira. […]

  4. DO disse:

    Pode ter ecrteza que vc faz falta entre nós,JUNIOR.
    Ainda bem que vc conseguiu achar algo de “positivo”,caso contrário suas “ferias” iriam sabe-se lá até qdo,hehehe
    Bom,gostei muito de uma frase do seu texto e vou tomar a liberdade de reproduzi-la por la na semana que vem.
    Grande abraço!!

  5. Lula disse:

    Vivaaaa! Óia o Jr aí divortaaaa!

    Taí, somos os primeiros a vender gases poluentes prosoutro. Tô feliz.

    Agora só falta postar as 1070 fotos (By Bianca) que foram tiradas na mega-festa do seu mega-niver, né?

    Abração, véiamigovéi. (some dinovo naum).

  6. Carla disse:

    Tem coisas, mesmo, que não têm jeito, né?
    Quanto à pirataria, acho um círculo vicioso: o DVD original sai pro consumidor a um preço absurdo, então, opta-se por comprar o pirata; perdem os consumidores na qualidade, perdem as distribuidoras…
    Complicado, mesmo!
    Bjão e vê se coloca as fotinhas logo!

  7. Marcos disse:

    Júnior, ando tão escaldado que o que a princípio é uma grande idéia, como a venda dos créditos de carbono, eu aqui fico cismando, “onde estão roubando? Quem está levando algum? Para onde vai essa grana?”. Às vezes eu torço para estar apenas sendo pessimista, mas nosso passado nos condena, o presente é uma vergonha e o futuro é nada alvissareiro.
    Filme pirata? Não assisto. Não tenho nenhuma vontade de ser o primeiro e sair por aí vomitando cultura. Já que os cinemas da minha cidade viraram Igreja Universal do Cofre de Deus, posso bem esperar sair o dvd. Daqui a pouco lançarei meu livro e vou ficar muito se alguém pirateá-lo, por iso não cometerei o mesmo erro.

  8. Flavia Sereia disse:

    E eu to aqui pensando, existem campanhas para que haja a diminuição de lixo para não poluir o ambiente, mas segundo essa reportagem ai, o lixo vai gerar energia ( via metano ) então quanto mais lixo mais energia, certo? hehehe oh doideira viu!! Então a gente pode “fazer lixo” a vontade sem se sentir culpado!!?? Não sei se vc entende onde quero chegar 😉

    bjs

  9. Thássius disse:

    Até me assustei com um comentarista anterior: Lula. Felizmente eles (o comentarista e o político) só compartilham o mesmo apelido.

    Eu gostei do leilão de carbono. É meio aproveitador, visto que as entidades internacionais falham em diminuir a poluição. Mas também é meio vantajoso, visto que coloca mais dinheiro no bolso do Brasil (seja da iniciativa privada, seja do Governo).

    Anotem o que eu digo: depois da venda de (créditos de) carbono ser esse sucesso, é capaz de criarem o imposto sobre oxigênio consumido. Veja bem, quando se inibe o consumo de oxigênio, inibe-se por conseqüência a liberação de carbono. Ou estou maluco?!

  10. Voltou com o pé direito! Hehhehehe…

    Caro Júnior,

    Como dizia Jack, o Estripador, vamos por partes.

    Também gostei da notícia. Acho que foi uma atitude ousada e certeira. Espero que seja transparente e de ótimos resultados.

    Mas como tenho que implicar com algo, duas frases merecem comentários a parte: “Somos um país extremamente rico de gente inculta, preguiçosa e por conseqüência, pobre”. Poderia até ser polêmica, se não fosse uma dessas “verdades” que se repete a todo instante. Conhece o termo “profecia de auto-realização”? Acho que isto define bem esta frase. Acreditamos que somos ricos (e de fato, o somos, mas a riqueza não pertence a todos, apenas uma minoria). Não creio que somos preguiçosos. Podemos provar isso com diversos exemplos, mas aí ficaríamos somente em exemplos e o debate não iria se enriquecer. Prefiro pensar que somos improdutivos e cultivamos isso em todas as esferas da sociedade. Desde o obreiro que quer levantar uma laje poupando tempo e fazendo mal feito, até o “doutor” que estudou em Havard e quer aplicar métodos de administração em cultura que nada tem de haver com a sua. Ambos não são preguiçosos, são improdutivos. Incultos? Sim, mas de que cultura estamos falando? Por que a cultura popular brasileira é extremamente rica. (essa foi para pertubar seu juizo hehehehehe)

    Gositei particularmente desta: “deveríamos pensar em como nos desenvolver junto com o mundo e não ficar brigando contra ele”. Você foi extremamente feliz em usar “junto” e não “como” ou “igual”. Perfeito!

    Abração e um excelente final de semana!

  11. Bruna disse:

    Oi Junior,

    Somos o país que mais paga impostos no mundo e nem por isso temos as melhores condições de vida, a corrupção não deixa 😦 mas também não dá pra ser pessimista o tempo todo. Taí um feito pra ser grifado. Gostei muito das tuas colocações.

    Beijos

  12. Tina disse:

    Oi Junior!

    Saudade de te ler, mas sem saudade do lugar: continuo querendo mudar, do jeito que esta nao da para aguentar.

    Quando der, passa la no BM para ver vida nova /linda que tenho. E parar para pensar. Eu parei.

    beijos querido e bom fim de semana,

    PS: A falta de acentos se deve ao teclado local.

  13. NEGÃO disse:

    Dessa vez o governo de São Paulo deu um exemplo a ser seguido pelos outros Estados. Nota 10!

  14. Jôka P. disse:

    Jr., aqui em Copacabana eu compro de um tudo fake: dvd, cd, óculos, tenis, t-shirt. TODO MUNDO compra, acredite.
    Se existissem mais coisas bem-fake, eu compraria também.
    abç!

  15. Hiranabif disse:

    Pois é…. Quem diria que um dia nos sentiríamos incomodados e imbecis por fazer coisas certas e hinestas. Fico com pena dos pais, daqueles que querem ensinar honestidade aos filhos e os exemplos ficam cada vez mais escassos.

  16. Junior, qdo eu digo que não compro nada pirata parece que sou de outro mundo. Devo ser. Pirata para mim é aquele de historia infantil.
    O novo diretor da Policia Federal, diz: “No discurso, todo mundo é contra. Mas todos tem um CD ou alguma outra coisinha pirata em casa. Não quero repetir um discurso simplista, mas fazer passeata pela paz durante o dia em Copacabana e comprar cocaina à noite não dá.”.
    Liliane

  17. Douglas disse:

    Ah sim, carbono…brasil…país, sucesso (ok, seria melhor manter outra postura, mas está tarde, eu ainda não dormi e amanhã acordo cedo, então fico meio sincero nessa circunstância).

    Cara, existem vários argumentos contra e a favor da pirataria, eu atualmente não penso nisso, o que me faz ser o “grande monstro pirateador irresponsável e alheio” ou não. Se preciso ver um filme, baixo, e depois a legenda em seguida. Pode ser pragmatismo, falta de compromisso, e várias outras palavras bacanas. Embora semana passada eu comprei 5 cd’s originais do Dream Theater na Americanas a 14,90 cada um. Fiz meu bom ato do ano.

    Abraço e boa sorte ao Brasil.

  18. Luma disse:

    Meu DVD player não roda pirata. Mas ouvi dizer que a primeira cópia do filme partiu dos bastidores da produção e pasme! Foi dobrado o número de cópias originais para o dia de lançamento.
    Os americanos não assinaram o protocolo de Kyoto, justamente para não se verem obrigados a comprar os tais créditos de carbono. Poderão a grosso modo, se instarem em paises emergentes sem esse ônus. Qualquer grande empresa que quiser se instalar nesses paises terão que comprar esses créditos, no caso em questão, do Brasil, foi um Banco holandes, que agora tem direito a 50% dos créditos de carbono gerados pelo aterro em qustão. Acredita mesmo na boa ação dos interessados? No futuro haverá um outro leilão e quanto acha que esse banco lucrará? Tem até um outro banco [alemão] interessando nos outros 50% que pertence ao consórcio Biogás. Os créditos, me corrija se estiver errada, é apenas um passaporte para países desenvolvidos despejarem mais carbono na atmosfera.
    Boa semana! Beijus

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