Fazer só a sua parte é egoísmo

Você pode continuar orgulhoso por acreditar que pequenas ações individuais são a maior força transformadora que se conhece, mas está na hora de começar a rever os seus conceitos, convenhamos, só fazer a sua parte até agora não tem ajudado muito.

faça a sua parte

Meus pais e avós, provavelmente como muitos outros pais e avós passaram a vida fazendo a parte deles e o planeta está nessa merda. Eles fizeram a parte deles, mas esqueceram que o planeta é coletivo e não individual, fazer a parte deles não foi suficiente pra nos livrar dos problemas que enfrentamos hoje.

Fazer a “sua” parte não vai livrar o “seu” filho de viver um futuro infeliz.

Se você não pretende ter filhos ou não se preocupa com o planeta, não precisa continuar lendo este texto. Caso contrario, você precisa fazer mais do que só a sua parte.

A frase “se cada um fizer a sua parte” não tem espaço nos comentários desse texto, essa frase nunca funcionou e nós já tivemos tempo suficiente pra perceber isso, só não queremos aceitar. A aceitação de que cada um fazer a sua parte não é suficiente implica em levar uma vida um pouquinho mais difícil, precisamos fazer mais do que achamos que nos cabe, devemos assumir mais responsabilidades do que achamos justo.

Enquanto nossos pais e avós faziam as suas partes, muitos outros pais e avós não faziam as suas. O indivíduo não consegue ser perfeito e a vantagem da coletividade é a capacidade de anular os efeitos das imperfeições alheias. Um indivíduo anulando os efeitos das imperfeições do outro e tendo um pouco dos efeitos das suas próprias imperfeições sendo anulado por um outro. No passado o coletivo não não anulou os efeitos dessas imperfeições do próximo, esse coletivo nos deixou com um pepino nas mãos.

Você pode me chamar de arrogante, achar que eu quero ser o dono da verdade, você pode encontrar 1 milhão de argumentos pra dizer o contrário e eu não ficarei espantado, as pessoas são assim há séculos e é exatamente disso que eu estou falando agora.

Fazendo mais que a sua parte na prática

Se você faz a sua parte não jogando lixo onde não deve, faça mais, recolha o lixo que encontrar pelo seu caminho. Todas as vezes que saio para o campo, levo uma sacolinha para recolher lixo que outras pessoas deixaram onde não deviam. Todas as vezes que vou ao rio trago de volta lixo dos outros, anulando um pouco do efeito das suas imperfeições e contribuindo pro coletivo.

Seja um agente fiscalizador. Quando você se informa começa a perceber mais desrespeitos às leis ambientais e as leis informais de bom comportamento coletivo. Não faça vista grossa, brigue, denuncie, cobre das pessoas, cobre dos governos e cobre das empresas, além de cobrar você mesmo.

Faça bons amigos, cerque-se de pessoas iguais a você. Prefira ter uma amiga que se pergunte quantos macaquinhos precisaram morrer para ela poder comprar aquele batom àquela amiga que faz piada quando você fala sobre o assunto.

Aproxime-se também daquela pessoa que não se importa com essas coisas, seja contagiante e ajude-a se interessar por essas questões. Se você faz a sua parte se informando, faça mais, informe as outras pessoas mesmo quando parecer que elas não se importam, informação é uma ferramenta maravilhosa. Colete e redistribua informação sobre como fazer mais pelo meio ambiente. Copie esse texto num email e envie a seus contatos sem se importar com o que eles vão pensar de você. Seus filhos terão orgulho de contar aos seus netos que os avós deles foram Ecochatos.

Quer chamar isso de Meme? Tudo bem, fique a vontade pra publicar algo a respeito de “Fazer mais do que a sua parte, porque só a sua parte não está ajudando”.

Post Scriptum: A Tatiana, já sinvorveu, como diziam na minha terra.

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Publicado em costumes, meio ambiente
18 comentários em “Fazer só a sua parte é egoísmo
  1. Cris disse:

    Concordo com vc, fazermos só a nossa parte é pequeno demais e não adianta. Uma vez, estava indo pra uma mata legal, com um riacho que tem aqui. Vi um amigo, mandando ver nas latinhas de cerveja, entre as árvores. Chamei a sua atenção, pra que ele não fizesse isso, e levei embora as suas latinhas, dando-lhes outro fim. E vc acredita que ele teve a infâmia de me dizer que da próxima vez, traria o dobro de latinhas só pra jogá-las ali, ficou bravo e tirou sarro de mim. Fiquei com vontade de socar as latas na boca dele, que idiota!

    Mas é bem isso que vc falou: é importante a gente tentar o máximo de pessoas possivel, fazendo disso uma grande rede, com um número cada vez maior de pessoas “fazendo a sua parte”…

    Vou colocar uma ideias suas em prática.

    Cris, precisamos mudar o discurso, o de cada um fazer a sua parte não tem se mostrado eficiente, tem?

  2. tatiana disse:

    muito bom, otimo pra refletir (e agir, ne)
    junior, pq os feeds estao demorando pra chegar? any idea?

  3. […] “Fazer só a sua parte é egoísmo”, escreveu Junior. E não é que ele tem razão? By vivendonoexterior Texto muito bom do “escalafobético” Junior sobre o papel de cada na vida: Fazer só a sua parte é egoísmo […]

  4. Carol disse:

    Posso ser chata?
    🙂
    Eu acho que a questão é o que é “a sua parte”. Acho que cada um pode fazer “a sua parte”, se reconhecer que “a sua parte” envolve recolher a mesma quantidade de lixo que produz diariamente, por exemplo. A minha parte não é apenas apagar a luz da “minha casa” e sim do meu escritório e de outros lugares.
    Fui aluna da universidade pública e via que as pessoas têm dificuldade com o que é o “seu”. É fácil vermos a nossa casa, que pagamos com tanto custo, como “nossa”. Mas um viaduto pichado na rua, um rio poluído, uma trilha com lixo, tudo isso é “nosso”. E, sendo nosso, cuidar deles é a nossa parte.
    Espero que vc compreenda este meu “fazer a minha parte”. 🙂

    Minha Linda, a quanto tempo esse discurso tá aí e as coisas vão de mal a pior? Agora não temos mais tempo de ficar ensinando o que é nosso ou o que é meu, pra em seguida esperar que o “cada um fazendo a sua parte” funcione. Isso é mais do mesmo.

  5. Douglas disse:

    Cara, veja bem, eu acredito que FAZER A MINHA PARTE VISANDO O BEM ALHEIO (e o NOSSO também, afinal recolher o lixo alheio, por exemplo, é uma ação individual que quem se beneficia são todos) é uma boa forma de colocar isso, é o mesmo que fazer a nossa parte, trabalhando em conjunto, como você defende nesse post.

    E assim, eu (nós) fazendo a minha parte não necessariamente anulo os erros alheios. Já trabalhei por mais de um ano com uma pessoa com uma atitude errada e ciente disso, e mesmo todos tentando uma atitude menos agressiva, visando justamente uma melhora nas ações dela, não adiantava. Isso não é regra, a gente pode muito bem influenciar outras pessoas com nossas boas atitudes, mas não devemos esperar que todos as acatem ou se unam.

    É uma maneira boa de pensar, um tema que pessoalmente me alertou pra coisas “pequenas” que eu deixo de fazer.

    Abraço.

    Eu entendi o que você falou,

    Douglas queridão, é exatamente isso que eu to dizendo, não podemos mais esperar que as pessoas mudem ou aprendam, não dá mais tempo, temos de fazer por nós e pelos outros que não fazem. É duro de engolir, claro, mas chegou a hora de a gente começar a engolir, pois nossos antepassados acharam duro de engolir e a bomba sobrou na nossa mão.

  6. Douglas disse:

    PS: Na última frase me desligueie não terminei, quis dizer “entendi o que você falou, e concordo”

  7. Herika disse:

    Morando no Japão é muito mais fácil “fazer a sua parte”. Aqui já somos obrigados a separar o lixo para facilitar a reciclagem. Existem mutirões para limpar as ruas, o Monte Fuji, as matas (é, moro em interior), promovidos pela prefeitura e associações de cada bairro. Por um aluguel anual irrisório é possível alugar um pedaço de terra para fazer uma horta (projeto de uma cooperativa agrícola do governo). A conscientização para a preservação ecológica é feita de forma cansativa e pedante, mas tem dado resultado positivo.
    Sei que falta muita coisa ainda, não é o sistema perfeito, mas caminha-se nessa direção.
    E concordo com a Carol, o que falta é o entendimento do que É a sua parte. Sua parte não consiste em cuidar apenas da sua casa particular. Sua casa é o bairro, a cidade, o país, o planeta que você habita.
    Afff, #mimpolguei = p
    Me manda um email? Quero te fazer um convite 😉

  8. Carla disse:

    Eu diria que faço a minha parte e, na medida do possível, a dos outros também, como vc mencionou.
    Acredito que a gente tem que começar de alguma maneira e, de repente, se o outro também vê meus atos, numa visão otimista, também vai seguir meu exemplo.
    Acho que é por aí, sem querer radicalizar.
    Bjo.

    Carla querida, é isso aí, só a sua parte não resolve, tem de fazer um pouco da do outro também. Beijos

  9. raquel disse:

    alguém falou aqui em cima que o mais difícil é definir o que é a “parte” que nos cabe.

    complicado a gente contar com o +1 além do que já “devíamos” fazer quando sabemos que muitas pessoas desconhecem suas responsabilidades. ou, quando conhecem, bancam o desentendido ou simplesmente não agem por pura falta de vontade.

    é uma espécie de laissez faire nas relações sociais, sabe?

    nesse ponto, acho que cabe aos mais conscientes fazer esse papel, o do ator que cumpre o seu e o do outro. e que, além disso, dissemine a idéia. não adianta dar o peixe sem ensinar a pescar, né? um beijo!

    É isso aí Raquel, minha querida amiga, é difícil definir o que é a parte de cada um, por isso esse discurso de “eu faço a minha parte” é furado. Precisamos ser como os atores que cumpre o seu papel e o do outro. beijos

  10. DO disse:

    Pois já estou salvando-o e mandando pra minha lista de emails,JUNIOR.
    Abração!

    Obrigado DO, beijáo pra ti

  11. Lu Souza disse:

    Eu gostei da idéia de mandar o e-mail para os amigos.
    Como vc, sou a “catadora de lixo” como dizem uns amigos quando vou a praia. Sou ecochata, mas refletindo sobre o que você disse, acho mesmo que estou no patamar “faço a minha parte”. Sempre que posso, oriento as pessoas sobre a importancia de separar o lixo, levar sacolas de pano ao supermercado quando comprar poucas coisas e caixas de papelão pra nao trazer as malditas sacolinhas que tanto mal fazem ao meio ambiente.
    Economizar agua, fazer multiroes de limpeza no bairro. Sempre que possível, não compro produtos que utilizem “muitas embalagens”, a começar por estes salgadinhos. Fico feliz em não estar de braços atados, inclusive chamo a atençaõ de pessoas na rua q jogam lixo no chão, na maior cara dura, mas entendo que falta…falta muito ainda. Há muito a ser feito e o que temos feito não é suficiente meeeeeeeesmo!
    Bjos!

    Lu, querida, captou a idéia, fazer só a nossa parte não tem sido suficiente, e não dá tempo de esperar as pessoas mudarem, aliás, elas não mudaram até agora. Beijos e obrigado por colaborar

  12. Claudia Chow disse:

    Junior obrigada pelas felicitações! 🙂

    Esse seu post fez eu me sentir culpada. Ultimamente nao tenho feito mais q a minha parte e sei q nao é o suficiente, sempre pensei sobre isso, mas acho q nos ultimos tempos ando um tanto desanimada e cansada. Esse é o motivo de só fazer a minha parte… Mas seu post serviu de puxão de orelha e vou lembrar sempre! 🙂
    Mais uma vez obrigada!

  13. Lula disse:

    Sem querer polemizar, polemizando:

    http://www.bbc.co.uk/portuguese/cultura/2009/04/090414_lixo_praia_dg.shtml

    (Perguntinha que não quer calar: – Será que o fotógrafo recolheu o lixo após bater as fotos?)

    Abração, JR.

    Tôcocê, forévis.

  14. tatiana disse:

    A prefeitura de Sao Francisco aqui na California baixou lei proibindo o comercio de fornecer sacolas plasticas para as mercadorias que os clientes compram. Agora e tudo de papel. Um bom exemplo de “fazer + do que a sua parte”–o governo teve que impor uma medida pois sabia que a populacao por si so nao ia agir de forma eficaz para reduzir o uso das tais sacolinhas.

    A Amazon iniciou ha algum tempo a campanha Frustration Free (http://www.amazon.com/gp/feature.html/ref=grn_lft_edFFP?ie=UTF8&docId=1000276271&pf_rd_m=ATVPDKIKX0DER&pf_rd_s=left-1&pf_rd_r=1BKQWKSE2YNQZA3GQE3J&pf_rd_t=101&pf_rd_p=473867091&pf_rd_i=1260993011) como objetivo de incentivar a venda de produtos com pouca embalagem e faceis de abrir (ja notaram o monte de plastico e papel/papelao e aqueles araminhos ridiculos que vem nos brinquedos, por exemplo???–tudo que nao tem utilidade depois do produto aberto, um desperdicio absurdo).

    O Walmart nos EUA tem uma campanha que da dinheiro para as escolas publicas que reciclarem sacolas plasticas. Eu mesma estou envolvidissima nessa ideia: tenho juntado todas as sacolas que vejo para levar para a escola da minha filha. As escolas precisam da grana, e o meio ambiente precisa se ver livre do plastico.

    Mas uma coisa que tem me preocupado muito mesmo ultimamente e a questao da agua…pois ela ta sumindo, e em breve vai ser artigo de luxo no mundo inteiro e nao apenas nos campos de refugiados e paises pobres do cantao da Africa. Entao, deixar agua correr enquanto lava o carro; ao fazer a barba; a famosa brincadeira de mangueira no jardim etc estao com dias contados… ta na hora, ne…

    Aqui no Brasil, diversas prefeituras tomaram a mesma decisão, acho que a primeira foi a de Guarulhos, seguida pela (se não estou enganado) Belo Horizonte, e depois por algumas outras. Tenho certeza que muitas ainda irão pelo mesmo caminho. Isso porque, como você bem disse, a população sozinha não muda pra melhor. A questão da água é gravíssima, em nosso estado (SC) o oeste está perdendo indústrias por falta de água. Beijos e mais uma vez, obrigado por contribuir.

  15. fernanda disse:

    gostei muito muito muito muito muito

  16. fernanda disse:

    gostei muito

  17. […] do uso das sacolas é uma opção saudável, uma maneira louvável de fazer a sua parte. Mas fazer a sua parte não é suficiente… Divulgue a campanha, faça com que mais pessoas se informem sobre o problema, seus filhos e netos […]

  18. […] isentar de fazer mais e deixar a vaca ir para o brejo de vez? Está mais do que provado que “cada um fazendo a sua parte é utopia“, há quantos séculos já sabemos […]

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