A mídia e o Corredor do Interior

Este é o segundo começo para este post, o primeiro era mais pessimista e menos focado, essa falta de foco me fez abandoná-lo para ir direto ao que interessa. Ser um corredor no interior é diferente de ser um corredor na capital, que por sua vez é diferente de ser corredor no eixo Rio/São Paulo. Ao que parece, mídia e jornalismo esportivos não sabem disso. Lendo as revistas e os grandes portais voltados à corrida a gente realmente se sente em um mundo à parte.

revistas

Nas revistas encontramos dicas maravilhosas como esta, “você pode fazer gratuitamente seu teste de pisada na sua loja preferida de materiais esportivos”, mas no meu caso, só tenho uma loja de material esportivo disponível, será que ela é a minha preferida? E por falar em lojas, na cidade vizinha de 300 mil habitantes (5,5 vezes maior que a minha, portanto) eu não consigo encontrar o Adidas Energy Boost meses após o lançamento. Que ele existe, todo mundo já ouviu, mas nunca viu. Meias, polainas de compressão? Heim?

Então você curte a página do portal de corrida no facebook e recebe dezenas de atualizações técnicas sobre corrida e em quase todas alguém te diz que quase nada pode ser tão prejudicial quanto correr sem a assessoria de especialistas no assunto. Como assim, produção? Eu procurei todas as academias da cidade buscando treinos de musculação, dizia que era corredor e os treinadores sequer sabiam o que é pace. Imagina uma assessoria esportiva especializada em corrida?

Corredor? Grupo de corrida? Eu e mais uma dúzia quase somos celebridades por aqui. Somos os malucos que correm. Os exagerados.

Aham! Sim, eu sei que sempre podemos contratar uma assessoria à distância. Sempre podemos fazer um montão de coisas à distancia, conhecer outros corredores, consultar especialistas e tudo mais. Mas sabe aquela manhã, ou final de tarde no parque sentado na grama dando aquela esticada enquanto conversa com outro corredor e comenta sobre aquela sua dorzinha na panturrilha, ouvi experiências dos outros, seus relatos, suas piadas e vê exemplos, recebe dicas? Isso não tem.

Mas se não tem a gente cria.

Então a gente começa a se agregar, se aproximar dos outros malucos e descobre que na cidade vizinha menor ainda que a sua, tem um grupo forte de corrida. Por que não se juntar à eles, ou então porque não formar um grupinho na sua cidade? Sim, com criatividade tudo dá certo, tudo se ajeita. Afinal, basta um par de tênis e disposição, não é p que dizem? Então quem quer vai lá e faz, quem não quer encontra suas desculpas e fica reclamando, você já ouviu isso, eu sei.

E a gente corre, corre atrás de tudo isso.

Não é impossível, porque somos corredores e não gostamos dessa palavra.

Só é diferente de ser corredor no Rio ou em São Paulo. Nossas lojas são diferente, nossas provas são diferentes. Seria bem legal se a mídia e os jornalistas percebessem isso, #ficadica.

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Publicado em Running
Um comentário em “A mídia e o Corredor do Interior
  1. Nossa, Josa. Penso assim também. Existe um abismo entre muita coisa que é publicada na revista e a nossa realidade. E olha que moro em Floripa, onde tem parques e beira-mar pra correr e reunir a turma. Mas, no quesito lojas, atenção com corredor zero. Muito bem observado por ti.
    abraço e boas corridas.
    Helena
    correndodebemcomavida.blogspot.com
    @Correndodebem

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