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Manual da adoção, por um adotado

Tá rolando uma blogagem coletiva bem legal sobre adoção, organizada pela Geórgia. Apesar de não ser bom em aderir a essas coletivas, resolvi “si envorvê” nessa, já que eu sou filho adotado. Talvez seja bacana as pessoas que escrevem sobre o assunto saberem o que pensa um deles.

Falar sobre as campanhas de adoção até pode ser bem legal, mas não devemos deixar de falar sobre a responsabilidade da natalidade. Crianças órfãs de pai e mãe é uma coisa, crianças abandonadas em orfanatos por falta de responsabilidade na hora de trepar é outra bem diferente. Não sei avaliar as consequências emocionais para uma pessoa que foi abandonada nessas condições, mas devem ser péssimas.

Não quero redigir um Manual da Adoção, só vou falar então de adotados órfãos de pai, de mãe ou ambos.

A primeira coisa a dizer a um adotado é a verdade sobre essa sua condição, mesmo antes de ele começar a entender essas coisas.

A segunda coisa é não dizer a um adotado que “pai e mãe são aqueles que criam, que educam”, e todo esse blá blá blá, por mais que todos queiram que seja assim, não é, e ele sabe disso, não passe por mentiroso.

A terceira coisa é: nunca tente se colocar emocionalmente no lugar de um adotado pra tentar entender seus sentimentos.

Os cientistas já entendem que quando a mãe amamenta o bebe pela primeira vez, acontece uma descarga única de um determinado hormônio em ambos, e isso gera aquela ligação incrível que há entre mãe e filho. Os cientistas dizem também que se o pai estiver presente isso também ocorre com ele. Mas não é só essa ligação feita através da amamentação e tals, filhos biológicos tem ligações estabelecidas com seus pais através de meses de gestação. Geralmente passam a vida tendo uma sensação que ninguém sabe de onde vem, mas que lhe diz que a sua mãe daria própria vida por ele e vice-versa. Vai entender, são os famosos “amor de mãe”, “amor de pai”.

Pergunte a um adotado se ele também sente isso, mas peça-lhe sinceridade, a maioria não gosta de falar a respeito. Você é capaz de adivinhar por quê? Porque ele não sabe sequer do que você está falando.

Então, as pessoas com quem o adotado tem essas ligações estabelecida não são as mesmas pessoas que o criaram. Ele sente essa ligação, só que em muitos casos por alguém que ele nem sabe quem é. Isso é ou não bem louco? Daí a busca desesperada de muitos adotados em reatar seus vínculos, sacaram?

Adotados não gostam de falar sobre esses assuntos, dificilmente se expõem como estou fazendo, pois quando o fazem sempre são repreendidos, ou são forçados a suprimir seus sentimentos, ou ainda fazê-los sentir o que não sentem. Mas tentem conversar sobre isso com um adotado de 15 anos, depois busque esse assunto com um de 40 (estou bem perto disso) e verás a diferença de quem levou anos pra entender as contradições dos seus sentimentos.

Filhos adotados sabem que são peixes fora d’água, eles podem passar a sua vida inteira sem exteriorizar esse sentimento, podem até tentar sufocá-los, mas eles sabem. A família que o recebeu certamente o fez por amor, certamente passou uma vida buscando tornar o adotado o mais legítimo possível, tratou-o o exatamente como aos seus “irmãos”, mas isso nunca vai criar artificialmente aquelas ligações que eu falei parágrafos antes, que existe entre os outros membros da família, menos com ele.

¿A vida de um adotado é uma droga por causa disso tudo?

Claro que não, é quase tudo igual a vida de todos, só é emocionalmente diferente, nada demais. Respeite esse fato e faça um adotado feliz (risos).

Quando você incentivar pessoas a adotarem crianças, órfãs ou abandonadas, incentive-as também a buscar apoio psicológico com profissionais especializados no assunto. Não a nada melhor para pais e filhos adotivos que trabalharem emocionalmente o fato de que no caso deles, apesar do amor que certamente nutrem uns pelos outros, a expressão “pais e filhos” não ir muito além de uma bela figura de retórica.

Post Scriptum: Aos meus pais, irmãos e irmãs, biológicos ou não que lerem este texto, saibam que eu lhes serei eternamente grato, e que os amo com todo meu coração.

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  1. 12/11/2008 às 1:00 pm | #1

    Puxa, nunca nenhuma pessoa adotada que eu conheço tinha dito algo assim. Gostei da sua sinceridade. Pra falar a verdade acho que tenho mais contato com pessoas que adotaram do que com pessoas que foram adotadas e quem adotou sempre o faz por amor.
    Como mãe posso falar que é muito fácil amar uma criança quer você tenha gerado ou não.

  2. 12/11/2008 às 1:12 pm | #2

    Não posso afirmar algo que realmente não sinto na pele, mas daí ficam os questionamentos. E a mãe que não pode amamentar? O pai que não pode conviver nem mesmo duas horas diárias com seu filho? E a mãe que tem febre puerperal? E os casamentos que entram em crise por causa do nascimento de um filho? Esses pais amariam menos os seus filhos? Sinceramente, Júnior! Eu tenho irmãos e sobrinhos adotados e vejo o quanto em casa todos se esforçaram para que não houvessem diferenças, mesmo que o pessoal na rua, insistisse em ficar lembrando. Talvez por isso também muitas pessoas não gostam de falar que os filhos são adotados ou os adotados dizerem o mesmo. A nossa sociedade não está preparada para um amor genuíno, não somente entre pais e filhos, mas entre um homem e mulher – um não tem que ser mais bonzinho que o outro para fazer uma ‘boa ação’. Não sei se me faço entendida. A honestidade de sentimentos conta muito na adoção e sou a favor da demora nos trâmites, até porque, quem está a fim de verdade, não desiste! Beijus

    Luma querida, realmente não podes objetar com mais propriedade que eu sobre esse assunto, apesar de poder fazê-lo sobre muitos outros. Mães que não podem amamentar… pais distantes… problemas de saúde… são outros assuntos, podem ser diferentes de tudo que eu falei, afinal, não sei o que é ser filho de uma mãe que não amamentou. A minha mãe biológica me amamentou por 10 meses e faleceu no 11° mês, e meu pai esteve ao nosso lado por todo esse tempo, depois não mais, apesar de querer muito. Você tem razão, as pessoas se esforçam pra que não haja diferenças, e se esforçam ainda mais para continuar acreditando que não há, as vezes até as escondem, como você mesmo disse. Essa é a beleza do subjetivismo humano. ;-) Beijos

  3. 12/11/2008 às 2:49 pm | #3

    Jr, primeiro muito obrigada por abrir essa excessao em relacao a blogagem coletiva.

    Gostei da sua clareza e foi direto no estômago da questao.
    Quem está do outro lado da linha nao pode mesmo entender os sentimentos e medos que estao dentro de cada ser humano e imagina num adotado.

    Como vc disse ele vai sempre se sentir um peixe fora d’água mesmo que para os pais adotivos nao seja assim. Mas olha, eu que nao sou adotiva muitas das vezes me senti assim quando minha mae deu preferência para uma prima que morava conosco. Minha irma tinha o mesmo sentimento em relacao a mim e assim por adiante. Eu acredito que todo ser humano tem suas fases, a maneira como vc encara cada coisa é que te trará solucoes diferentes e comportamentos diferentes. Eu vejo isso nas pessoas, por elas serem diferentes. Talvez um problema na minha vida eu possa enfrentá-lo melhor que outro ou talvez nao, depende do momento.
    Como vc escreveu: A vida é diferente aos 15, aos 30, aos 40…

    Muitíssimo obrigada pela particpacao e adorei a sua franqueza num diálogo bem aberto.

    Valeu e um grande abraco

  4. 12/11/2008 às 4:41 pm | #4

    Um ponto vista importantíssimo, meu caro xará. Talvez, o do maior interessado no assunto, não é mesmo ? rsrsrs Eu ia argumentar alguma coisa mas a Luma já fez e você respondeu. A família de minha mãe, lá do Mato Grosso, podia e adotava crianças sem pais ou filhos “dados”, como era comum no início do século XX (é claro…). Cheguei a conhecer alguns deles e todos, já adultos ou velhinhos, sabiam da condição de adotado e tinham muito amor pela família que os acolhera.
    Você tem razão: o tempo é sábio…
    Um grande abraço.

  5. Norma Sueli
    12/11/2008 às 11:24 pm | #5

    Jr. meu mano de sangue…
    Fiquei muito emocinada com sua franqueza, e como te conheço desde que abriu os olhinhos para o mundo, sei exatamente o que você quer dizer quanto as diferenças emocionais de uma criança adotada, até já batemos longos papos sobre isto pelas madrugadas afora.
    Você também sabe o que sinto, quanto ao fato de irmãos serem separados e ter que conviver com esta condição, não por vontade própria, mas por uma lei do destino.
    Acho que realmente só quem vive esta situação de adotado ou de irmãos separados é que tem propriedade para exteriorizar sentimentos.
    Ainda bem que apesar disto, nossa vida não é uma droga! Somos felizes e temos o direito de ser emocionalmente diferentes!
    Beijos querido!

  6. DO
    13/11/2008 às 7:17 am | #6

    Decididamente esta blogagem coletiva foi show. Não bastassem as ótimas histórias que já li,agora deparo-me com alguém que vivencia isto ,de verdade,desde piquititico.
    Parabens pela abordagem,JUNIOR. Sinceramente eu nunca tinha lido nada tão claro e honesto a respeito.

    Abração!!

  7. 13/11/2008 às 10:47 am | #7

    O que dizer após ler esse post?
    Só posso dizer que ele toca o coração porque é sincero, transparente, sem mais delongas.
    Bjo.

  8. 13/11/2008 às 1:38 pm | #8

    Junior, você está de parabéns pela coragem desse post. Fiquei impressionada com a sua sinceridade e experiência. Valeu a pena ler a sua história. Beijocas

  9. 13/11/2008 às 4:56 pm | #9

    Junior…é a primeira vez que vejo alguém dizer de verdade o que se passa. E como tenho intençao de adotar uma criança, terei um pouco mais de cuidado na questao: cobrar, se fazer amado, demonstrar amor…porque cada um tem seu espaço né.
    Eu fui criada em duas familias (com a minha mãe – sou orfã de pai; e com a patroa dela quase que ao mesmo tempo e sou muito feliz com isso, nunca tive nehum tipo de confusao, mas na minha familia de sangue teve, pq meus irmaos me achavam “mais estimada, mais mimada” pq tinha duas pessoas me paparicando.
    Sei que a situação é bem diferente, mesmo pq se tratava de uma familia q nao tinha uma filha e “me adotaram” nao legalmente, apenas divia o tempo com eles. Foi bom pra todos! Mas tive bastante transtorno com as pessoas da cidade, sempre perguntando, bisbilhotando, tal…enfim, sobrevivi e vc tem razão, o laço com a familia biologica é Muuuuuuito diferente!
    Obrigada pela sua sinceridade!
    Big beijos e bom fim de semana!

  10. 13/11/2008 às 6:11 pm | #10

    Pois eu vou te confessar uma coisa: SOMOS IRMÃOS GÊMEOS!!!!! Eu sempre soube disso mas não queria te dizer. Sacumé, você é lindão (puxou mamãe, claro) e eu sou feião (acho que foi papai, ou sei lá quem).

    Cara! dá pra ver que vc é único, colocou tudo com a inteligência que lhe é pertinente e que todos sabemos que vc tem. Vejo que vc não se importa em saber quem foram, mas isso não faz a menor diferença, já que tenho certeza que foram ELES que perderam.

    E eu ganhei um irmãozão legal da pooooorra!!!!!!!

    Beijão geral (foi o Ozzy que te orientou nessa, né?)

    Vou dar uma olhada no site da Georgia, on my mind.

  11. 13/11/2008 às 9:56 pm | #11

    Certas coisas só quem vive a situação é que tem como opinar, foi bom ler o lado de um adotado, vc pós por terra alguns conceitos errados que as pessoas costumam ter com respeito a relação de pais e filhos adotados.
    Posto vai servir muito bem para quem pensa e quer adotar, que sigam seus conselhos postados aqui.
    bjs

  12. 14/11/2008 às 7:39 am | #12

    Junior, este texto vai se tornar, num futuro próximo uma cartilha para profissionais que lidam com tal situação, pois aborda as arestas da questão, difíceis de serem aparadas, e que você oferece um caminho a ser seguido. Parabéns pela coragem e pela colaboração sadia em prol da questão. Abração.

  13. 14/11/2008 às 2:39 pm | #13

    Muito legal o que você escreveu, e que vai de encontro ao que eu escrevi sobre o tema, no sentido da responsabilidade em ter filhos, não só os adotados.

    Muita gente diz que blogagem coletiva não tem importância, porque não gera efeitos práticos.

    Eu discordo, especialmente com o que representa ESTA blogagem sobre a adoção.

    Isso porque, o grande efeito desta blogagem é fazer com que uma pessoa que esteja pensando em adotar, tenha subsídios para decidir pelo sim ou pelo não, em razão do fato de que os muitos post sobre ela, mostram as várias faces da questão.

  14. 16/11/2008 às 10:21 pm | #14

    Júnior, você acrescentou um detalhe na resposta ao meu comentário que faz toda a diferença. Você foi amamentado pela sua mãe. Entendo perfeitamente a necessidade emocional de conhecer as origens, pais e irmãos. No final do ano passado, tive que viajar com a minha sobrinha menor para o Paraná, porque ela queria conhecer a mãe ‘verdadeira’. Essa minha sobrinha tinha 12 anos à época e quando se deparou com a mãe, pode entender toda a situação, o por quê ter sido adotada. A mãe apenas 10 anos mais velha do que ela. Todo o sentimento que tinha anteriormente, de ter sido arrancada da mãe se dissipou. Hoje, ela entende melhor que as fantasias, nem sempre levam a um lugar de sonho. Boa semana! BEijus

  15. 17/11/2008 às 1:34 am | #15

    Esclarecedor seu post.

    Tivemos, algumas situacoes em nossa familia, sobre, “quem era a mae”, geradas por omissao da verdade.

    A verdade deve ser dita sempre, desde do inicio.

    Beijinhose boa semana.

  16. 17/11/2008 às 5:40 am | #16

    Júnior, não vou questionar, discordar ou argumentar seu post.
    Sei exatamente do que vc está falando.
    Meu marido é adotado, e já passou por todas essas fases que vc citou. Está hoje com mais de cinquenta.
    Há mais de trinta acompanho os sentimentos, as vezes claros, as vezes contraditórios, as vezes cômodo, outras incômodo.
    Acho que o que sobra, depois de um balanço, é o amor imenso que se sente e pode ser sentido por uma criança.
    Um beijo

  17. 17/11/2008 às 5:00 pm | #17

    Oi Junior!

    Fiquei emocionada com seu post. Parabéns pelo escrito e pelo descrito. Só quem sente na pele sabe dizer. Gostei muito mesmo.

    beijos querido e boa semana.

  18. 19/11/2008 às 9:13 am | #18

    Junior, apesar de não ser adotada, perdi meu pai com 3 anos de idade e entendo esta sensação interna da “ligação” rompida. Eu o chamo de “vazio”, de “ausência”. Muita gente insiste em falar que é “falta” mas eu acredito que só sentimos falta do que a gente conheceu, e eu não conheci meu pai.

    Sinto muitíssimo por sua mãe ter falecido quando você era apenas um bebê. Sinto muitíssimo por ela ter perdido a oportunidade de criar o seu filho, imagino que não foi uma escolha que ela pôde fazer. E sinto muitíssimo por você ter passado o que passou.

    Beijo.

  19. 19/11/2008 às 2:26 pm | #19

    Jr, ainda precisa falar sobre como vc escreveu maravilhosamente bem este texto, colocando vida entre as palavras? Nah, acho que não. O chato de aparecer pra comentar depois de tanta gente boa é ainda achar alguma criatividade e conseguir escrever algo que valha a pena de ser lido.
    MInha prima é adotada, mas “ela que se adotou”. Explico: era filha da empregada dos meus tios e um dia pediu pra mãe pra ser filha deles. Todos conversaram e se entenderam. Eles fizeram a adoção perante a justiça e a mãe caiu no mundo. A filha não sabe dela e nem quer, pois adora a vida de princesinha que leva com meu tio (minha tia faleceu tempos depois da adoção, tinha câncer).
    Um dia desses li sobre “órfãos de pais vivos”. O nome é meio idiota, mas descreve a relação que tenho com meu pai e que meu meio-irmão tem com o pai dele. Meu meio-irmão conviveu mais tempo com meu pai do que eu e herdou dele todas as manias insuportáveis. É uma sensação estranha essa de ter convivido com ele até os 15 anos, depois cada vez menos, até que ele sumiu totalmente.
    Acho meio piegas isso de se falar da ligação indissolúvel que a criança tem com a mãe. Sempre me dei pééééééééééssimamente mal com a minha e tenho muitas amigas (acho que a maioria delas) que vivem coisas parecidas. Vc fala sobre um acompanhamento psicológico para casos de adoção, eu acho que deveria haver para pais em geral – próximos, distantes, ausentes. É complicado conviver com a loucura alheia.
    Bjs.

  20. fabricia
    28/07/2009 às 5:02 pm | #20

    Oi,sou adotada e realmente do fundo do meu coração nunca vi diferença entre eu e meus irmãos ,pq minha familia que me adotou ,é maravilhosa pra mim,é como se os meus irmão realmente fossem de sangue pra mim,nao entendi algumas coisas que vc quis dizer mais é como se eu tivesse saido da barriga da minha mãe e meus irmão são tudo pra mim…Graças a Deus nunca tive revolta com nada até pq não tem motivo nenhum….Deus foi muito bom comigo…e o que eu sinto pelos meus irmãos é incondicional..e pelos meus pais tbm…!

  21. Matheus henrique
    30/08/2009 às 9:29 pm | #21

    Puxa,também sou adotado depois de ver esses depoimentos acho que os seus verdadeiros pais são aqueles que de criaram,fico um pouco triste não sabem quem são os meus pais biológicos,me alegro porque acho que os pais que me criaram são os melhores pais do mundo(choro)…………

  22. Walter José
    19/11/2009 às 8:33 pm | #22

    Sou adotado, tenho 26 anos. Vc falou tudo! sem mais comentários…

  23. Marcos Natan Trindade
    07/09/2010 às 1:05 pm | #23

    Preciso urgentemente da ajuda de vc Primeiro eu acho que sou adotado por parte de pai Tenho varias provas .-. varios indicios que levam a minha afirmação estar certa ._.
    Minha mãe ._. sumiu a algum tempo nunca mais me procurou moro com meus pais ALIAAS moro com minha vó pq meu pai eu emeu pai a gente nao se da bem …

    Mais la vai a história certe vez aconteceu uma briga entre min a familia da minha mãe No caso meu padrasto veio me conta uma história muito cabulosa dizendo que tinha uma coisa pra me conta sobre meu pai só que só iria me conta quando eu fosse maior de idade …. Eu era criança na época que ele me falou isso hj estou prestes a fazer 18 anos e essa frase nunca me saiu da cabeça ._.
    minha madrasta sempre que conversa sobre essa história com meu pai, ela fala que ele muda de assunto,Metade do mundo diz que eu não tenho nada a ver com meu pai …
    Minha vó, meu tio,minhatia, minha madrasta, só nunca ouvi isso do meu própio pai que alias ja perguntei pra ele varias vezes e ele fica brabo do nada …

    Enfim não sei o que fazer e eu me encaixo nesse sentimento ….

    “Filhos adotados sabem que são peixes fora d’água, eles podem passar a sua vida inteira sem exteriorizar esse sentimento, podem até tentar sufocá-los, mas eles sabem.” EU ME SINTO IGUALZINHOO QUANDO ESTOU NA FAMILIA DO MEU PAI

    ” Geralmente passam a vida tendo uma sensação que ninguém sabe de onde vem, ”
    Lol sempre senti isso, Tipo como se fosse o diferente da familia o estranho …

    Cara minha cabeça De uns dias pra ta um caos por causa disso nao deveria ter mechido nessa história… e minha situação e totalmente tensa minha mãe sumida no mundo, agora sem pai pqp eu devo ter jogado merda no cabelo de guizuis ._.

    Quero conselho de vcs preciso saber o que fazer PLizzzzzzzzz ._.

  24. Manu
    09/04/2011 às 10:09 pm | #24

    Então, sou filha adotiva, minha mãe biológica me teveaos 17 anos de idade, fruto de uma aventura amorosa com um médico recém-formado, ele não assumiu a paternidade e como ela não tinha condições psicológicas para me criar, fui dada aos meus pais adotivos com 24 horas de nascida. Na minha família sou o único caso de adoção entre os 5 filhos por parte de pai e um irmão por parte de mãe. Fui recebida como a caçulinha da família. Tive os melhores brinquedos, os melhores colégios, as melhores roupas de marcas e fui muito amiga de todos os meus primos da mesma idade que eu. Tive uma infância feliz e fui amada de forma incondicional por todos ao meu redor. Como toda criança adotada, tive meus receios de ser rejeitada, de ser tratada de forma diferente. Mas na minha família a palavra adoção não era pronunciada porque eu era filha como todos, e pronto! Preconceitos? Só vivi da porta da casa pra fora…princpialmente depois de adulta quando alguém insiste em comentários ridículos do tipo: você não parece com seus irmãos, ou, que coragem dos seus pais, adotar é complicado porque a gente não sabe a índole da pessoa… idiotices que vivo frequentemente com a família do meu marido. Fora isso, hoje sou mãe de 3 meninas, e posso falar com maturidade de um amor incondicional de mãe e filho. Amor que sinto pelos meus pais verdadeiros que me ensinaram o que é a vida, o poder da auto estima, a auto confiança, e o mesmo amor que sentia da minha mãe para mim, é o que sinto pelas minhas filhas. Logo, adoção como tudo na vida é relativo porque não estamos tratando de estatísticas, de experiências em ratos de laboratórios, mas da psique humana, de personalidades distintas, da educação que se recebe, da capacidade individual de superação de cada um, do estímulo recebecido por cada um, do equilíbrio emocional de adotantes e adotados. Conheço filhos biológicos tão desequilibrados, que sustentam relações de carências e dependência emocional tão latentes oriundas das brigas que assistiam entre seus pais, ou de famílias desajustadas, que todos os dias agradeço a Deus por ter sabiamente me dirigido a uma família pronta e completa. Assim pude me transformar numa mulher também inteira.

  25. Nic
    11/05/2011 às 1:33 pm | #25

    Oi Pessoal,
    Encontrei esse blog, e achei super interessante!! Primeiro gostaria de parabenizar o Jr por falar a mais pura verdade, e ter a coragem de falar isso assim abertamente. Eu fui adotada recem nascida, minha mãe se quer me viu.. eu nasci em um hospital e lá fiquei até minha mãe adotiva ir me buscar por meio de um orfanato (que era pra onde eu iria). Eu sabia que era adotava desde pequena, porém, a história sobre a minha adoção teve várias versões, minha mãe me contou primeiro que meus pais tinham morrido em um acidente de carro logo que nasci, tinham saído do hospital para comprar roupinhas para mim. Como sempre fui uma pessoa muito curiosa, as vezes perguntava sobre a história e notava diferenças nas histórias contadas… bem, pra resumir, a verdade era que minha mãe era pobre engravidou do meu pai com 18 anos, eles tiveram um breve namoro, ele não quis aceitar e meus avós também não.. então ela foi morar com uma tia e quando me teve me deixou no hospital.. Quando eu tinha 19 anos eu quis conhecer minha mãe biologica, queria ver se eu parecia com ela (sei que pode parecer bobeira) não sei bem como explicar, mas eu tinha muitas fantasias sobre esse assunto. Então fui com a minha mãe adotiva, e conheci o orfanato, e minha mãe biologica que tem mais 5 filhos… e sabe o que eu senti… indiferença…. olhei para aquela mulher, que era a minha cara.. mas não senti nada… e então a minha busca por pertencer a algo, foi em vão… eu fui muito amada pela minha familia adotiva, aliás eu sou muito amada, fui para uma familia rica, então tive sempre tudo do bom e do melhor… mas lá no fundo existe um vazio… eu não consigo sentir vínculo… eu amo a minha familia, não me levem a mal.. mas parece que falta algo… diferente do Jr. eu nunca fui amamentada pela minha mãe biológica, minha mãe adotiva ia a um banco de leite materno, e mais tarde uma prima mais velha me amamentou quando teve sua filha… Tenho sérios problemas de relacionamento com a minha mãe adotiva, não me sinto aceita, ela gostaria que eu fosse como ela (em matéria de vaidade, ambição e o jeito de ser em geral) então eu tenho o sentimento que não fui aceita pela minha mãe biologica e nem pela minha mãe adotiva… e vivi minha vida toda correndo atras do amor dela, que nunca foi incondicional, eu sempre tive tudo e fui a melhor filha do mundo desde que fizesse tudo o que ela queria, assim que fazia algo diferente isso tudo mudava, e ouvia palavras horríveis, e me colocava pra baixo etc… o meu grande amor foi meu pai adotivo, era o meu maior fã.. porém infelizmente ele se foi dessa vida para uma melhor. No momento coretei relações com a minha mãe adotiva, e o pior de tudo é que não sinto saudades, não sei se é por causa desses problemas todos ou se é pela adoção… Gostaria muito de ter um vinculo real com alguém, talvez isso só aconteca no dia que eu tiver meus filhos.

  26. sou mae
    12/07/2011 às 10:58 pm | #26

    ..oi,sou mãe…sempre penso em como contar pra minha luz sua história…não tenho filhos genéticos,mas acho que deve ser diferente amar um filho genético…Sabe,deve ser mais fácil,noto minha irmã intimamente aninhada com seu filho que recem chegou…Deve ser difícil falar vc é adotivo…deve causar indagações…em mim,também causa diariamente medo…medo de perde-la,pois minha filha não vai me perder,quer goste ou não de mim…é dificil vc ouvir comentários sobre seu filho querido,sua luz…mas somos humanos todos,e abraço minha bebê nesses momentos,e assim mesmo agradeço pela minha escolha.As vzs vc houve assim:e a mãe,onde está?Como ela fez isso?Eu não a conheço,sei que era nova,mas quem é a mãe…Penso que eu,um ser humano cheio de erros,transitando pelo mundo,com um ser de luz nos braços,que faz parte da minha família,agora tem meu jeito de andar,se expressar e opinar …somos alma e coração…Ela está em mim ligada pelo meu código espiritual…eu a amo sem nada pedir em troca,daria minha vida por ela,sou eu quem retirou seu pequeno cordão,quem a nina,quem leva p/brincar…Sou eu que segura sua pequena mão no mundo rumo a um caminho que acho ser o certo,o do bem.Sua mãe genética,aonde quer que esteja,estou sempre rezando por esta,mandando muita luz,para um ser que como eu é infinitamente humano …Gostaria que um dia,quando vc for mãe de qualquer um destes modos,lembre:mãe é fonte de amor,seja quem for,do modo que for,quantas forem,pois de todos os modos fizeram o melhor que puderam,e nao o que vc gostaria…Se eu pudesse proteger minha bebe do mundo protegeria…Se pudesse tirar sua dor,com certeza eu a faria…
    assinado:mae de alma.

  27. NaNa
    11/02/2012 às 12:41 am | #27

    Essa questão é complicada. Sou adotada, tenho 24 anos e sinceramente eu acho que meus pais não conseguiram ser abertos comigo. Na verdade sofri bullying quando pequena por ser adotada, já que eu sou negra e meus pais são brancos. Até que um dia, minha empregada manda eu perguntar a minha mãe, quando eu tinha uns 7 anos, se eu sou adotada, e eu como era uma criança besta lá fui fazer a pergunta para ela. Depois de ouvir a verdade de minha mãe, nunca mais houve essa conversa. Ninguém da minha família toca nesse assunto e nem eu. Para falar a verdade, para mim é um assunto muito difícil e delicado, não deveria ser assim, mas infelizmente é. Quando tinha uns 19 anos sofri novamente bullying de um primo de meu primo, que do jeito que ele me descreveu, a forma que ele me tratou, poderia dá em processo, porém a família dele conversou com a minha e “ficaram na boa”. Lembro que nesse dia fiquei tão nervosa pelas palavras ofensivas que tive um ataque de pânico, fiquei muito nervosa e sem ar. Falar isso em voz alta parece idiotice, ou achar que sou louca, mas é a mais pura verdade.

  28. NaNa
    11/02/2012 às 12:50 am | #28

    Estava lendo os outros comentários e a verdade é essa: a pessoa se sente diferente, um vazio mesmo. Na minha família eu tenho um irmão (filho biológico de meus pais) e as vezes sinto que a relação deles é bem diferente da relação que eles tem por mim. Quando vejo o carinho dos 3, sinto que eu sou a pessoa que está sobrando nessa história. Eles me adotaram porque minha mãe tinha dificuldade de engravidar. Ela fez vários tratamentos e quando eu tinha 7 anos e ela 40 anos, ela deu a luz a meu irmão. A história dela a meu respeito é que meu pai morreu antes de eu nascer e minha mãe não tinha condições de me criar sozinha… espero um dia ter coragem e perguntar novamente sobre minha adoção, eu tenho quase certeza que a história será diferente da que eu ouvi quando pequena.

  1. 15/11/2008 às 6:27 am | #1
  2. 21/11/2008 às 6:35 am | #2
  3. 18/03/2009 às 4:33 pm | #3

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