e 10 anos depois
A internet nos proporciona coisas legais. Muitos de vocês já sabem que conheci a Bianca através dela. Nesse final de semana, depois de 10 anos conversando pela internet sobre pesca e aquários, eu conheci pessoalmente o Eloy, e parecia que nos conhecíamos há anos.

Foi um final de semana agitado, mas sem pesca com mosca, sim, nada de fly fishing apesar de os 2 pescarem nessa modalidade. E olha que o meu wader Orvis lindão chegou no sábado de manhazinha. Comprei um Endura mais um par de gravel guards, fundamental para proteger as meias de neoprene contra os pedregulhos que tendem a entrar no wadding boot.
Alguns colegas fly fishermen que conheço só pela net costumam dizer que gastar 400, 600 pilas numa roupa que vai usar tão pouco é desperdício. Bom, se pescar na natureza dentro da água de 3 a 5 vezes por semana for pouco, não tenho motivos pra invejar quem pesca muito. Mas talvez alguns deles possam ter razão, eu realmente não vejo pra que gastar essa grana numa roupa se eles a usarão 2 ou 3 vezes por ano, nas oportunidades em que não estiverem num pesque & pague (rs). Enfim, c’est la vie. Como digo sempre, cada qual com seu cada qual.

Bom, o Eloy e da Patrícia estão passando a semana de férias na região e no sábado fizemos uma parte do roteiro básico das cervejarias artesanais e no domingão apresentei um dos rios da região onde eu pesco com mais freqüência. O amigo ficou impressionadíssimo com a quantidade de ninfas que encontrou por lá, nas mais variadas espécies e fases de vida. Sim, pescadores com mosca têm um “quê” de entomólogos, adoramos insetos aquáticos. Em alguns pontos olhando a água de cima podíamos ver o brilho dos lambaris se deitando para alcançar as ninfas entre as pedras. Um show. É uma parte legal do passeio, especialmente para um casal de geógrafo e engenheira cartográfica, além de pescadores com mosca.

E a estréia do wader? Isso vai ser matéria de outro texto. Provavelmente amanhã irei a Blumenau buscar algo que me sirva como wadding shoes e talvez na quarta eu já pule dentro d’água sem me molhar, daí eu conto ali como foi a estreia.
Filed under: monstro da semana | 16 Comments
a dama do lago
UPDATE: Agora sim, com o relato do evento oficial. Com a palavra, o vencedor.
Vamos falar de cervejas artesanais.
Ontem a Eisenbahn lançou os únicos 3000 litros da Dama do Lago, cerveja artesanal vencedora do “I Concurso Mestre Cervejeiro” promovido pela mais ousada e bem sucedida micro cervejaria brasileira, que não por acaso é minha vizinha (e onde vocês quase que certamente podem me encontrar todas as quintas).
O lançamento foi em São Paulo (onde eu não moro mais, pois agora sou vizinho da Eisenbahn, não se esqueçam) e eu não sei de mais nada além disso. O que importa mesmo é que eu tenho a minha.

E como eu fiquei inspirado, já estou de posse do schwarze buch der oma (o livro negro da avó), todo deutsche, onde encontrei a cobiçada receita da secreta e autêntica Cerveja de Gengibre de Brusque (Brusque Gengibre Bier), cobiçadíssima por cervejeiros premiados, mas que só eu tenho. Aham… agora vai heim, logo vocês conhecerão o Indiana Bier, arqueólogo cervejístico artesanal de Indaial.
Filed under: monstro da semana | 8 Comments
ProBlogger Corporativo

ProBlogger Corporativo, a sua companhia ainda vai ter o seu.
Se a sua empresa precisa de um blogueiro profissional para escrever para o seu blog corporativo, encontrou.
Calma pessoal eu não estou tentando entrar num novo negócio de ProBlogger, eu já estou nele. Agora eu sou ProBlogger.
Gaças ao meu blog, que nunca teve adSense, há alguns meses uma leitora e jornalista da área de marketing me convidou pra ser editor do blog corporativo da companhia onde ela trabalha.
Inicialmente fiquei bastante surpreso com o convite. Surpreso e contente, pois agora estou sendo muito bem pago para escrever 5 textos simples por semana e acreditem, eu poderia viver confortavelmente só com essa grana sem precisar ao menos sair de casa. Posso viver de blog se quiser. O “problema” é ficar coçando o resto do tempo. Preciso começar atar umas moscas.
Compreendam, um texto publicado de manhã e posso passar o resto do dia pescando, ou fazendo o que eu bem entender. Ou escrever 5 textos de uma vez só, programar sua publicação diária e ir pescar, ou fazer o que eu bem entender com meu tempo. E lembre-se que eu não tenho celular. No final do mês, graninha boa na conta. Não preciso escrever 498 textos para 15 lugares diferentes, todos que quase nada dizem, basta único texto por dia, um que diga algo aproveitável.
Aí com todo o tempo livre que me sobra, acabo inventando outras maneiras de ganhar dinheiro. Tenho até tempo de escrever mais textos, por enquanto de graça.
Mas porque essa empresa me contratou? Porque se eu tenho um blog e uma jornalista leitora do meu blog tinha a incumbência de encontrar alguém para escrever no recém inaugurado blog da empresa onde ela trabalha.
Qual a minha sorte? Escrever bem. O que nesse caso não significa escrever o que os outros gostam de ler, mas escrever como elas querem ler. No caso do Paulo Coelho é diferente, ele escreve o que muitas pessoas “precisam” ler, mas ele não ganha dinheiro com blogs (ainda).
Fica a dica para quem quer faturar com seu blog, escreva bem. Se quiser só levantar uns caraminguás do chopp mensal através dos pára-quedistas buscando as sem roupas intimas, tudo bem, invista no AdSense. Se quiser viver de escrever, escreva bem.
Aqui no escalafobético as coisas continuarão na mesma, alguns textos bem bloguinho sobre a minha vidinha simples de escritor/pescador/artesão do interiorrrrr, acompanhados de alguns textos mais contundentes sobre a infelicidade de ser um brasileiropocotó morando no terceiro mundo.
Tá, tudo bem eu confesso, não é bem assim, eu preciso participar de uma reunião presencial a cada 15 dias pra rever a pauta.
imagem: bárbara pluma
Filed under: a frigideira | 18 Comments
esse país é sério? suécia é?

Update é legal e eu gosto em 18/07/2008: O número de mortos no transito reduz 63%, isso porque nem todos estão cumprindo a lei. Agora imaginem se todos cumprissem não só essa, mas todas as leis de transito?
A Suécia é séria sim (da Suíça eu falo outra hora).
Enquanto por aqui as pessoas continuam achando que podem beber e dirigir, fingindo desconhecer a verdade sobre a nova Lei Seca, na Suécia eles passam pelo terrível sofrimento da falta de problema, e o mundo não tá nem aí pra isso.
Lá o parlamento está discutindo de um garoto de 8 anos pode ou não ter a liberdade de escolher os convidados para sua festa de aniversário. Você já viu alguma reportagem mostrando suecos protestando contra o desmatamento da Amazônia ou a fome (o que é fome?) no nordeste? Não, eles discutem os direitos dos meninos de 8 anos. Eles se preocupam com a possibilidade de um “colega” excluído da festinha sofrer danos traumáticos permanentes.
E sabem por quê? Porque se lá uma lei diz que não pode, então não pode.
Ninguém precisa colocar no jornal de prenderam 300 só nas estradas federais. Se eles proibirem de beber e dirigir, as pessoas não dirigirão depois de beber. Quem não concorda com a lei pode ir ao parlamento discutir o assunto, mas enquanto isso, ele obedece. Por quê? Pelo simples fato de que a lei foi criada por representantes de uma maioria, a lei reflete o desejo da maioria.
Quando criaram a ridícula lei impedindo comerciantes de vender bebidas alcoólicas nas estradas, eu gritei. Mas não gritei por ser contra leis, mas por falta de bom senso daquela lei. Podem me dizer que tem lei demais e pra tudo e que mesmo assim as coisas vão mal. Podem dizer que lei demais é isso, que lei exagerada é aquilo.
Não é não.
Leis se proliferam onde o bom senso é escasso.
A quantidade de leis de um povo reflete diretamente a quantidade de bom senso desse mesmo povo.
Lei demais, bom senso de menos.
Alguém sabe me dizer onde tem 1/2k de bom senso pra vender? Ahhh não vende? Não, não se vende bom senso, não adianta falar que na Suécia tem bom senso porque eles tem o rabo cheio de dinheiro. O bom senso sueco é “berço”.
Eu não sou sueco e tenho bom senso para algumas cosias. Se sair pra beber, volto de táxi. A minha mãe sempre disse que nunca levaria cigarro pra filho em cela comum. Entendem que eu não posso sair por aí sendo preso? Tenho bom senso na base da lei. Ahh, mas você não tem dinheiro pro táxi? Então nem devia gastar dinheiro com a bebida, capicce?
Mas não é só porque o sueco tem bom senso, é porque o sueco é mais honesto que o pocotó e as suas leis. Sim, eles tem algumas. Se em alguma era o brasileiropocotó for um tiquinho honesto, talvez ele possa nutrir esperanças de, quem sabe um dia, poder ter preocupações tão significativas quanto às dos suecos. Enquanto isso não acontece, um brinde, e cana pros marginais (sem trocadilhos).
post scriptum: Sim, a Bianca bebe mais do que toda aquela cerveja.
post scriptum II: Hoje, mais tarde li no Enochatos, blog cujo redator já morou na Suécia (ui, gente coisa é outra fina) , que láááá na Suécia, aquele país chato, de gente chata que não pula carnaval por 15 dias, não anda pelada nas ruas, não ensina meninas de 5 anos dançar na boquinha da garrafa, de gente que não dome na calçada pra conseguir vaga em escola de lata ou pra conseguir ir no médico tratar da dengue, naquele país de gente que não passa frio nem fome, país em que a metade da população não vive de assistencialismo do governo. Lááááá nesse país, beber depois de dirigir da cana. Ele não tem opinião formada, mas postou a carta de repúdio de uma confraria que tem. Na carta o presidente usa o argumento de que as velhinhas que se encontram no final de tarde para um chá não poderão degustar bombons de licor. Pelamor né Sr presidente, argumentos assim derrubam a credibilidade de qualquer carta de repúdio. De qualquer forma, opinião é como cu, cada um tem um.
Filed under: brasil | 16 Comments
que venha o frio
Ontem eu tava no msn papeando rapidamente com meu amigo deputado num dos seus raros momentos em se dispões a conversar com raros privilegiados através dessa ferramenta tão modernamente irritante (ufa).
Ele dizia: Que venha o frio!
Eu gosto de frio e ontem fez 4° aqui. Mas eu gosto de frio acompanhado da lareira, meias de lã, do vinho e de fondue. Pra algumas outras coisas o frio é uma fria.
Mas depois de voltar da padaria, eu resolvi o frio com um remedinho bom, um feijãozinho gordinho no fogão à lenha (e não “fogão de lenha”, Norma, porque se o fogão for de lenha ele queima), e pau na imprensa, sempre ela.

O pessoal por aqui ama o frio, eles ficam na maior expectativa da geada, do meio da tarde pra frente é aquele comentário, o céu tá limpo, se parar o vento tem chiada. E quando ela chega (quase) todo mundo adora e comenta o dia inteiro. Nos finais de semana sobem a serra torcendo pra ter chiada. Nos jornais é matéria para cada edição, com imagens do branco sobre a relva, entrevistas com turistas nordestinos encantados com o frio de gelar a alma.
Eu, que sempre cri que a imprensa, assim como a Dilma, é manipuladora, tenho certeza, assim como tinha certeza que a seleção pocotó perderia pro Paraguai, que a imprensa manipula o gosto do pessoal daqui. Porque não é possível gostar tanto assim de frio.
Explico. Geada não é uma coisa boa, queima plantações levando os pequenos produtores, abundantes por aqui, a amargar prejuízos. Pessoas com menos recursos que nós, sofrem com o frio. Eu sofro com o frio, a enorme maioria das pessoas sofre com o frio. E eu vou parando de falar do lado mau do frio, continuem lendo e entenderão por que.

Vamos lá. Eu, do alto da minha mania soberana de achar que tudo é uma conspiração, porque é, vos digo:
Imaginem se além de todos se foderem com o frio, a imprensa mostrasse que o frio fode à todos?
Se a imprensa não conspirar a favor do frio, as indústrias fechariam as portas por falta de funcionários, ninguém mais sairia de casa por depressão térmica. Pessoas se auto-suicidariam a si mesmas, se matando. É verdade, pensem a respeito. A imprensa tem de fazer todos acreditarem que o frio e as geadas são cuti-cuti, e ela consegue, pura conspiração. Por isso eu vou voltar pro meu feijão.
Volto, mas depois de deixar vocês com algumas fotos (você pensava o que tinha que ver essas fotos com esse assunto, rs) que acabei de tirar quando voltava da padaria. Saca só o meu fim de tarde, e cuidem que esse não é o maior rio da minha cidade (nossa, sou fascinado por rios). Você vai ver algumas nuvens lindas que baixaram o moral do pessoal aqui, porque indicam que hoche nom tem chiada.

Filed under: costumes, fotos | 11 Comments
Update: Vídeo da Bianca cantando em alemon na Eisenbahn
Hoje é aquele dia heim, ô dia gostoso. Podem dizer que é só mais um dia, ou que todos os dias são “o” dia, podem até dizer que é data pra vender mais que tudo bem, eu adoro vender mais. Podem dizer o que quiserem, mas que é gostoso acordar nesse dia, como é gostoso acordar em todos, isso é, se é que vocês me entendem. Entendem?
E depois daquela acordada, nada melhor que continuar bem “esse” dia, como como é bom continuar bem todos os dias. Vou contar pra vocês qual foi a sugestão dela para o nosso dia dos namorados.
Uma tarde tranqüila pescando no ribeirão, curtindo o sol, o friozinho e a água chelada, porque ela “ainda” não tem o próprio wader…

…para depois, mais a noite umas dunkel, pile ale e rohwurst, kochwurst, brühwurst, bratwurst e outras wursts ali na Eisenbahn….

De manhã? Ahhh não conto mesmo, rssss
Pois é, essa é a Minha Vida

Agora se nos dão licença…
Filed under: variedades | 12 Comments
É temporada da tainha aqui no sul do país e as reportagens são muitas e diárias. A maioria delas dá até um tom turístico para o evento.
Em uma delas, da rede RBS, é especialmente focada nos golfinhos cuti-cuti que empurram os cardumes de tainhas para as redes dos pescadores, uma lindura de parceria entre o animal golfinho e o animal homem, na pesca de outro animal, o peixinho a caminho da desova. A emissora da um tom poético mostrando o homem simples retirando do bom mar o sustento da família. Nós adoramos ver cenas como essas, nosso litoral é lindo e imagens assim valorizam a força do nosso povo. Assista a linda reportagem, isso só acontece em 3 lugares do mundo blá blá blá…

Mas, e sempre tem um “mas”, no brasil, onde existe o defeso de diversas espécies de água doce, período em que é proibida a pesca dos peixes para que possam desovar e garantir o futuro da espécie é conhecido como piracema, é crime pescar nessa época. No mar existe o defeso do camarão, pra ir mais longe, no Canadá, quem for pego pescando salmão na subida da desova, sendo homem simples ou não, vai pra cadeia. Só os ursos têm vez.
Mas no brasil a Tainha não tem defeso, muito pelo contrário.
É exatamente na época que os cardumes de Tainha saem dos estuários mais ao sul para subir até os estuários do litoral do Paraná e sul de São Paulo, em especial no estuarino-lagunar de Cananéia (+ Ilha Comprida e Ilha do Cardoso) onde vão desovar e garantir as próximas gerações que elas são pescadas, antes da desova.
São centenas de grandes traineiras equipadas com sonares de ultima geração a cercar os cardumes nas saídas para o mar já mais ao sul, o que sobra é exterminado na região de Itajaí onde milhares de embarcações de pesca fazem seus arrastões. São milhares de toneladas de peixe morto, pouco antes de desovar.
E tem mais, no meio do caminho os cardumes são capturados por barcos especializados no processamento das Ovas da Tainha, que custam certa de R$40 o quilo enquanto o quilo da Tainha (o peixe em si) é de R$1,50. Esses barcos retiram as ovas e jogam o peixe fora. Em Itajaí, Santa Catarina, no ano passado só uma das 5 empresas que processam Ovas de Tainha enviou mais de 150 toneladas ao exterior.
É escandaloso, mas ano após ano pescam as Tainhas antes delas se reproduzirem, mas em 2008 os pescadores de SC estão tendo um “prejuízo incalculável” (sic) com o atraso dos cardumes. As emissoras de TV acham tudo lindo lindo, as empresas lucram, o “pescador artesanal” arreganha a boca desdentada para a alegria das Casas Bahia.

E eu aqui na minha emacacante ignorância me pergunto como serão os próximos anos com temperaturas cada vez mais altas e o vento sul cada vez mais demorado? Será que essa cultura retrograda vai persistir? Será que continuaremos assistindo ao lindo espetáculo da parceria entre homem e golfinho? Será que as empresas de exportação de ovas continuarão lucrando e gerando empregos? Ou será que a própria natureza se encarregará de dizimar com a espécie homem-simples-pescador-artesanal que rende belas reportagens.
Filed under: brasil | 8 Comments
belo panorama? ibirama
Nesse final de semana aprendi mais uma coisa, aqui por essas bandas, quando dizem que vai dar uma esfriada, eles estão falando sério e essa esfriada é coisa de gente grande. Você certamente viu nos jornais as temperaturas descendo abaixo de 0° no sul do país. Na minha região a parada não foi tão marvada assim, mas tivemos uma queda de 19° para 9° em menos de 4 horas, isso depois de uma boa sequência de dias de 30°. Caramba, como faz frio, apesar das pessoas por aqui dizerem que ainda não está frio.
Sábado foi dia de, após o tradicional churrasco de sábado, dar a tradicional passadinha no ribeirão pra ver umas ninfas, molhar (e perder) umas moscas, buscar “feijon” e “tanjerina” na casa do Herr Fritz, levar uns brinquedos pro VirrrRãm e passar algum tempo no meio do mato. Precisei até de lenço no pescoço, o vento era de cortar a alma. Como eu ainda não tenho meu wader e a água estava a menos de 16°, a saída foi pescar sem entrar na água. É meio frustrante, mas a tarde teve como ponto alto a Bianca pegando seu primeiro lambari (o professorzinho). Quando ela foi pegar o peixe eu a orientei que molhasse a mão pra não retirar o muco dele. Além da mão ela meteu o pé na água “chelada”.
Domingo (que teve “churasco” novamente) foi dia de ir a Ibirama, a cidade dos belos panoramas, conhecer novos tios Onkel Wylle e Tante Dolly, além de pegar mais “tanjerina”, claro. O caminho que sobe para a região que chamam Alto Vale é um espetáculo à parte, vai margeando o rio Itajaí com seus saltos, corredeiras passando por canyons e paredões de pedra.
Nessa região, tanto o rio Itajaí quanto o rio Hercílio (que por milagre não é Luz) são paraísos do Rafting. Você vê empreendimento especializados nisso à cada 50 metros (eu tô fora, rs). Em Ibirama tem um lugar chamado Floresta Nacional de Ibirama, fico imaginando que é uma floresta em Ibirama, que não deixa de ser nacional. rs

Mas foi lá na casa dos tios que aprendi que coisas como cenoura e alface se come com tempero doce e não salgado. E por falar em doce eu comi um de cuca sensacional feito pela “Nirlda”. Pra não deixar dúvidas, não tenho vergonha de contar que chorei de emoção com o sabor do doce. É literalmente de comer chorando. O mais engraçado é que não tinha ninguém chorando, então o problema devia ser comigo. rs. Talvez por eu estar sem fumar a mais de uma semana eu tenha sentido melhor o sabor, sei lá se já deu tempo de recuperar minhas papilas gustativas, mas que eu chorei, chorei.
Filed under: decolando, fotos, monstro da semana | 8 Comments
a river runs through it
Ontem eu fui pescar de vadeio no Ribeirão Encano, no Encano Central. A Bianca, fotógrafa da vida selvagem e minha padawan, não quis pescar, ao invés, passou o tempo fotografando, comendo “tanjerinas” selvagens, filmando e explorando os locais, além de ser a minha fotografa oficial.

Quando eu já tinha capturado (fotografado e soltado) o primeiro lambari, apareceu o Sr. Fritz local, que se chama Fritzke, mas essa pronuncia também é só o que a Bianca entendeu, pra mim continua sendo só Fritz, rs. O tal homem chegou no rio cheio de marra, dizendo que não se podia pescar ali, que pegaria a placa do meu carro e ligaria para a “Ambiental” e tudo mais. Bom, argumentei que tenho licença do Ibama, que estava praticando Catch & Release e que tinha sim o direito de pescar naquele local, afinal, margem de rio é de acesso público. Claro que argumentei com muito tato e educação. Mas nunca vou esquecer que quando eu disse que tenho licença do Ibama ele soltou: “Ahhhh mas vai dizê!” com aquele tom de deboche. Sensacional.

Mas ao perceber que eu falava sério, o Sr. Fritz deu meia volta e resolveu prosear mais com a gente antes de tomar atitudes tão radicais. Apontando para uma curva mais acima no rio, nos contou sobre uma cobra que mora por lá, que tem por baixo uns 12 metros e só a cabeça já era maior que um dos seus porcos de 300kg, contou a história de como um dia ela veio descendo o rio para se levantar 3 metros fora d’água e engolir numa só bocada uma capivara de mais de 20kg. Era realmente muito perigoso andar por aquelas bandas.

No meio da prosa com a Bianca, porque eu já tava caminhando ao encontro aos lambaris (e da monstruosa serpente devoradora de capivaras), o Sr. Fritz ofereceu “feijon” colhido 2 dias antes, e claro, “uns tanjerinas” da sua “plantaçon”. A Bianca combinou que queríamos sim, pegaríamos depois.

Fiquei feliz pela atitude do homem, que mais tarde se desculpou por ter chegado “ralhando” daquela forma. Explicou que tem muita gente que chega ali com suas tarrafas e mata tudo, ele achou que eu poderia ser um deles. Não sei qual é a graça em pescar com tarrafa, além de ser permitida somente para pesca profissional em algumas regiões, visa somente a produtividade, pegar o peixe e nada mais.

Pescar esportivamente - expressão que eu não gosto muito, mas que ainda é a única que se encaixa no que fazemos – não prioriza o fim, que é o peixe, prioriza o meio, que é a maneira de pegar o peixe e tudo relacionado a isso. Compreende o estudo das espécies, seus hábitos de reprodução e alimentares, o estudo do clima e ecossistemas das regiões, passando pelo estudo das fases da vida de tudo aquilo que serve de comida dos peixes pretendidos durante o ano. Isso só pra simplificar as coisas, no caso da pesca com mosca (fly fishing) tem muito mais. Caminhar pelo rio revirando pedras na tentativa de fotografar e posteriormente identificar ninfas de insetos e compreender o ciclo de eclosão durante o ano, entre outras coisas, também faz um bom pescador. Tudo isso proporciona ao cabra um extremo convívio com a natureza, o faz respeitá-la, e consequentemente desperta uma vontade incontrolável de preservá-la. Ninguém se interessa muito em preservar aquilo que pode, aparentemente, não lhe fazer falta, e é complicado de convencer alguém da falta que vai fazer o mico-leão-dourado ou o caranguejo real do Alaska. Sacaram como pescar é, além de prazeroso, muito educativo?

Mas voltando ao Fritz, depois de mais uma horinha pescando e antes de partir para outro ponto do rio, resolvemos subir até a casa do homem pra buscar o feijão recém colhido a 4,50 pilas o quilo. Minha nossa, o homem fala mais que a mulher da cobra e pobre na chuva juntos. Ele me mostrou seus porcos e o chiqueiro quase caindo, explicou que não consegue arrumá-los porque “a ambiental” quer cobrar 20 pilas por árvore que ele derrubar para usar a madeira, e isso porque ele vai plantar outras no lugar. “Mas eu não to roubando, to tirando da minha propriedade”. A “Ambiental” pelo visto prefere que ele compre a madeira pra arrumar o chiqueiro de porcos, isso lhe faz algum sentido? De onde viria a madeira que ele compraria? Heim? Fiquei pensando no que pode passar pela cabeça do pobre quando vê que a Amazônia ta indo pro saco, ta virando ainda mais grana na mão de milionário amigo de político, mas resolvi nem comentar.

Achei mais recompensador brincar com o piá loirinho de olhos azuis Willian, que o homem pronunciava algo como “VirrrRãm”, segundo eles eram 9 netos, e todos começavam com “V”, rs.
Filed under: decolando, fotos | 16 Comments
Eu me mudei, vocês já sabem. Mas nem cheguei a contar como foi a partida e a chegada na nova cidade. Parti depois do brother (valeu mesmo irmão, te amo um monte) me ajudar a “colocar umas coisinhas na mala do carro”. O cão Ozzy estava junto, e foi um ótimo companheiro nos 700km de viagem.

A chegada, depois de um dia inteiro na estrada, foi muito show, teve fogos e faixa de boas vindas pra mim e pro cão Ozzy, com direito a espumante só pra mim.

Bom, depois disso, vocês já sabem pouco né. Mas no final de semana passado eu fui na Festa do Encano Baixo, teve “pandinha” e “churasco”. Depois eu coloco o link pro vídeo que eu fiz.
E agora babem, eu dei um pulinho ali no clube às margens do rio Itajaí, que corta a cidade. Fui dar uma pescadinha e a natureza se escancarou (em minha homenagem) pras lentes da Bianca. Veja mais. Eu tava ali, pequenininho querendo que o mundo literalmente acabasse em “baranco”.

Ahh pessoal, só pra lembrar, o domínio frigideira.net vai sair do ar em breve e ninguém mais vai conseguir acessar o escalafobético através dele, por isso, cuidem de guardar o endereço novo que ta aparecendo na barra de endereços aí encima, apesar de que, é muito mais fácil você assinar novo feed.
Ahh (de novo) pessoal, a Luma (sempre ela, a sensacional Luminha) fez um post sensacional que todos devem ler sobre peixes, pesca predatória, pesca comercial, meio ambiente e tals. Repito, o post é sensacional, e tem um comentário meu em destaque (vieldankeschön Luminha). Mas vamos combinar, nem precisa ler meu comentário, vai direto pro post, vale muito mais a pena.
Filed under: fotos, monstro da semana | 4 Comments
os monstros
Finalmente os monstros estão presos. Sim, você deve estar aí pensando que são monstros somente os que atiram seus entes queridos pela janela. Posso garantir que só estou conseguindo escrever porque os 2 monstrinhos da casa estão presos no quintal. Quais monstros? Veja o vídeo.
No começo os 2 se estranharam. O cão Ozzy conhecia bem a Bianca e era bem acostumado com ela. A Ballerina também a conhecia bem, claro, afinal ela chegou na casa da Bianca aos 40 dias de idade, não faz muito tempo, mas elas já convivem há 6 meses.
Só que o cão Ozzy e a Ballerina ainda não haviam sido apresentados, e a apresentação foi meio punk.
O pequeno cão Ozzy achava que a Ballerina, muito maior que ele, poderia ser uma ameaça, poderia feri-lo, ou pior, ferir eu ou a Bianca. Mas isso só na cabeça de cão fiel dele, claro, pois o que a Ballerina queria mesmo era festa. O que ela conseguiu? Um puta cão pentelho pra caramba.
Agora é assim, a gente passa o dia mandando os 2 pararem com essa zona dentro de casa. Quando o cão Ozzy ta quieto a Balle vai cutucá-lo ele fica irritado com ela, quando ela ta quieta é a sua vez de dar uma de Tia Pringue e ir encher o saco dela (mas pode ser ao contrário, se vocês preferirem).
A propósito, a voz que não é de cachorro que você ouve no vídeo é da Criadora de Presentes, faça uma encomenda e ela fica ainda mais feliz.
Filed under: trick or treating | 10 Comments
Pois é, pouco mais de uma semana de SC. Muito trabalho.
Passei a semana trabalhando numas encomendas que a Bianca tinha.
Passei a semana aprendendo. Pinta o fundo de branco, lixa tudo bem lixadinho pro toque ficar agradável. Primeira demão de tinta na cor criada exclusivamente para aquela peça, que é exclusiva praquele cliente, feita especialmente praquela ocasião tão especial. Lixa novamente, segunda demão da tinta, sente com os dedos se precisa lixar novamente, terceira demão? Sim, porque tudo tem de ficar perfeito. Mesmo tendo acompanhado à distância o trabalho da Bianca por todo esse tempo, não imaginava o trabalho que dá pra produzir as suas tão famosas e exclusivas peças.
Como a Bianca tinha muitas “artes” pra fazer, passei bastante tempo sozinho no atelier. Tive tempo de sobra pra pensar em como tudo estava diferente, pensar em mim ali com um pedaço de lixa nas mãos, os dedos deslizando pelas bordas das peças, sentindo a madeira, quem diria? Justamente eu que nunca lixei nem as unhas. Aquele silêncio, um puta visual, os pássaros fazendo algazarra, galos cantando e galinhas cacarejando crescendo soltas no bosque… A Bianca chegando com uma caneca de café quentinho e um pedaço de cuca de nata. Gostou? Eu adorei.
O cão Ozzy também gostou, depois de uma semana ele e a Ballerina estão acostumados um com a outra (ou o contrário, como queira). Já são raros os arranca-rabos dos primeiros dias, mas ele ainda corre atrás das galinhas e seus pintinhos.
Depois de só uma semana eu já tô falando “passear com o cachoro”, “subir o moro”, “dirigir o caro”, “morer de fome”, “fazer churasco”. To até chamando lâmpada de “foco”. Até falo “tu uma fez” no final de todas as frases. Rss
Aqui tem mão inglesa, a gente ta dirigindo normalmente e ao virar uma esquina, topa com uma placa indicando que aquela rua tem mão-inglesa. É engraçado, mas a gente anda com o carro pelo lado esquerdo da rua, só que sentado do mesmo lado esquerdo do carro. O resultado disso é que não dá pra ultrapassar. To até pensando numa invenção nova, um assessório novo pra instalar nos carros e facilitar as ultrapassagens nas ruas de mão inglesa, chamarei de frontevisor.
Tenho muitas fotos bem legais, vou colocar depois, ainda não consegui nem mesmo ligar meu pc e até esse post não está saíndo como eu gostaria, faltam fotos. Também está difícil de escrever, além de ser quase impossível comentar os posts de vocês. Mas passamos o domingo pintando as paredes do nosso futuro “studio”. Sim sim, como se não nos bastase o atelier, teremos também um studio, chiq não é mesmo?
Não tenho mesa, mas tenho 2 cavaletes usados e um projeto. Conversei com o Seu Adão, um dos marceneiros que fornece peças sensacionais para Bianca, ele disse que eu posso dar uma revidara no “pinguero” da marcenaria, que é uma pilha de taboas usadas ou velhas, ou ainda sem uso. Assim, minha mesa será construída por mim mesmo usando materiais usados, e vai ter aquela cara de improviso despojado que eu gosto tanto. Aguardem.
Estive tão ocupado essa semana que também não consegui sair pra pescar. Mas têm muitos ribeirões de água cristalina há 10 minutos qualquer lado que eu vá, lugares sensacionais pra eu poder pescar com fly. Sim eu pesco com fly. E também pratico o catch & release, solto praticamente tudo que capturo. Vai ser engraçado quando o pessoal daqui me vir lá no meio do ribeirão, com água quase pela cintura, pescando daquele jeito diferente, com aquela linha grossa voando pra frente e pra trás sobre a cabeça.
A Bianca disse que eu vou virar atração turística, falou que ao passar de carro pela beira do ribeirão a Frida vai falar pro Fritz:
Nei, nein, nein, hast du gesen? Das farechkte Man ess schon vieder da in das fluss mit zeine komishe fishange!
(Não, não, não, tu viu? O homem maluco está lá no rio novamente com a sua varinha de pesca esquisita).
Rsss. Será que é legal ser atração turística? Não sei, mas daí eu conto pra vocês.
Filed under: monstro da semana | 9 Comments
às margens do rubicão
Eu sabia que esse dia chegaria, e chegou. Além de dar ao Frigideira um novo endereço e um novo nome, despeço-me da cidade onde morei os últimos 17 anos, não sei se ad eternum, nem por quanto tempo.
Andei falando aqui que deixaria o brasil pra trás e muita gente achou que eu iria para o exterior. Não, aquilo foi só pra provocar, uma brincadeira com uma coisa que eu ouvi há 2 anos atrás quando uma pessoa em cidade de do sul onde o comércio funcionava normalmente numa terça-feira de carnaval disse: Carnaval? “Ahh isso é uma festa que acontece lá no brasil.”
O estado é Santa Catarina, a cidade é Indaial.
Há tempos eu estava pensando em levar uma vida mais leve, mesmo que isso não signifique menos trabalho ou menos responsabilidades. Com certeza significará menos stress, menos preocupações com coisas as quais definitivamente não deveríamos nos preocupar. A vida é muito mais simples sem algumas coisas que temos numa megalópole.
São Paulo é uma cidade fascinante e eu sou apaixonado por ela, mas o seu povo deixou de me fascinar. As pessoas estão em guerra, umas contra as outras. As classes sociais estão em guerra. Quem tem menos declarou guerra contra quem tem mais, quem tem mais se defende atacando quem tem menos. Onde está a cordialidade? Onde está o respeito ao próximo? A educação? Os sorrisos? Essas coisas não cabem numa cidade monstruosamente grande ou essas coisas não cabem na vida do brasileiro? Do paulistano?
Fico pensando se Indaial ou qualquer outra cidade pequena, no brasil ou não, crescesse como São Paulo, esses valores também deixariam de ter espaço na vida das pessoas? Não sei, mas quero espaço para essas coisas na minha vida e quero conviver com pessoas que também tenham esse espaço nas suas.
Eu e a Bianca pensávamos que uma evolução lógica do nosso relacionamento seria a sua mudança para Sampa, por alguns anos, talvez. Mas eu não quero que ela se torne o que eu me tornei, quero ser mais parecido com ela, não a suportaria se ela se parecesse comigo.
Falar que estava deixando o brasil foi só uma brincadeira com uma lembrança de uma terça de carnaval, uma lembrança que me motivou a vender minha empresa e recomeçar em um lugar mais tranqüilo. Nada melhor que fazer isso ao lado de quem se ama, seja lá onde for, mas por enquanto, é aqui em Indaial, por quanto tempo? Não faço a mínima idéia. O que farei por aqui? Menos idéia ainda.
Mas está feito, alea jacta est.
Filed under: internet, monstro da semana | 18 Comments
terra abençoada? Nããoo….
Quando ouvia alguém dizer que o brasil é uma terra abençoada me ocorria alguns pensamentos emacacantes. Um deles ia de encontro à máxima de que Deus não nos deu desastres naturais, mas que para compensar nos deu esse povinho. Nunca achei que Deus seria incoerente à ponto colocar o povinho pra viver num local tão abençoado, sempre descartei essa idéia incoerente.
Outro dia, logo após uma tempestade pocotó, vi um metereologista dizendo na tv que os cones de vento, ou tornados, como queiram, não eram incomuns no brasil, mas que agora, com a popularização das digitais eles estão ganhando espaço na mídia, aparecem na tv.
Sempre considerei como fato que o brasil não era um país sem terremotos, o brasil era um país sem sismógrafos.
Esqueçam esse lance de terra abençoada, ta na hora de acordar, e de crescer, crianças.
Filed under: brasil | 9 Comments
arma de destruição em massa
Se não tiver com saco ou se for carioca, pule direto para a receita contra o mosquito da dengue lá no final.
Antes de eu falar das Margens do Rubicão, que deixarei para outro post, vou me me contradizer, já que não queria mais me manifestar sobre alguns assuntos. Embarquem nessa.
Eu to passando longe dos noticiários sobre dossiês e dengue. Mas ontem vi 2 reportagens na plin-plin.
Uma mostrava a Dilma vociferando com uma folha de jornal nas mãos. Olha, eu tinha medo (e ainda tenho um pouco) do Dirceu, pessoa perigosíssima. Da Dilma eu não tenho medo. Apesar daquele seu jeito medonho de ser, a mistura de um tio e uma tia que eu tenho (medo), ela não é nada, só ela não sabe disso; Quem ela pensa que é? Em que tipo de país ela pensa que vive (essa eu respondo mais adiante) pra falar daquele jeito grosso, petulante e arrogante o tempo todo? Ela sempre foi arrogante assim ou só depois que o lula resolveu adotá-la? Sim, porque se o lula der as costas ela acaba. Chegou ontem no pt e não tem força nenhuma dentro do partido. A pergunta é, porquanto tempo o lula vai bancar o ridículo dessa mulher?
Depois eu vi uma reportagem (a única que vi até agora) sobre a dengue carioca que mostrava a peregrinação em busca de socorro de crianças e seus pais por 24h no Rio de Janeiro. Socorro por quê? Percebi que essa gente pede socorro, primeiro por morar no brasil, segundo por ser brasileiro, terceiro estar sob uma administração petista. A mesma administração que quer buscar socorro em Cuba, porque os norte americanos são maus (rss). Lá na cidade maravilhosa são 40 mil os infectados até agora. No ano que vem os infectados desse ano vão morrer com dengue hemorrágica, escutem o que eu to falando, 2009 será “o” ano.
Pra mim foi uma reportagem denuncia que mostra o que o brasileiro quer esconder dele mesmo. Que aquele neguinho alegre, dono daquele sorriso largo dos dias de carnaval na verdade é um pobre diabo fodido e mal pago que vive em meio ao lixo e a podridão.
Sabe o que eu vejo quando assisto coisas assim? Vejo o terceiro mundo saltando aos olhos do primeiro mundo. O brasil é isso aí. O brasileiro lindo, alegre, caloroso, dançante das manchetes é aquele fodidinho da reportagem, vivendo nas lixeiras que são os seus quintais.
São os enormes sorrisos do carnaval incapazes de viver num ambiente limpo nem dentro das próprias casas que abarrotam os hospitais públicos mal administrados. Pra que dar assistência pública de qualidade a quem não mantém suas casas limpas? Essa gente tem o que merece, os governantes que merecem e os serviços públicos à altura do que são, brasileiros.
Aí a reportagem pula para hospitais num outro estado onde a epidemia é menor, mas diz que é o estado que tem os médicos menos preocupados em se preparar pra atuar contra a dengue, óbvio, são médicos brasileiros.
Até agora vocês não entenderam em quem eu to descendo a frigideirada, não é mesmo? Pra ficar fácil explico. Os argentinos saem às ruas de panela nas mãos por muito menos que isso, o fazem pra protestar contra as medidas de quem eles mesmos colocaram no poder. O brasileiro caga na hora de eleger e caga na hora de cobrar. Ninguém protesta ou vai as ruas mostrar seu desgosto. Tão se fodendo mas tão aprovando. Querem que eu tenha dó? Em 2009 teremos 40 mil deles a menos pra fazer merda.
Então, queridos leitores, não se enganem, não cheguem aqui dizendo que eu sou arrogante, pedante, inguinoranti… Aceitem a pobreza-terceiro-mundista que vive dentro de vocês ou caia fora dela, mas não tentem se enganar, o brasil é uma lixeira, e o brasileiro sorridente é a sua própria arma de destruição em massa.
post scriptum
Pra não falarem que eu sou o capeta, vou deixar uma receita infalível contra o Aedes véio de guerra companheiro inseparável do brasileiropocotó, segue:
Ingredientes:
1 tampa de garrafa;
1 palito de fósforo;
1 pedrinha bem pequena de mais ou menos 2mm;
1/4 de copo de pinga;
Modo de Preparo:
Coloque a tampinha no chão encha ela de pinga; 3cm longe dela coloque o palito de fósforo; 3 ou 4cm depois coloque a pedrinha. O mosquito pensará que a pinga é água, vem e bebe, sai bebão e cambaleante, tropeça no palito, bate com a cabeça na pedrinha e morre. Funciona muito bem.
Filed under: brasil | 18 Comments
everything can happen!

Sei que estou distante daqui e dos seus blogs, eu sei, mas tenho motivos pra isso, mesmo que eles não lhe convença.
O primeiro motivo é que estou escrevendo para 2 outros blogs e para isso to precisando estudar mais, estudando mais sobra pouco tempo pra escrever e quando escrevi, foi para os outros 2.
O segundo motivo é que eu ando bem cansado de falar e ler sobre o que eu vinha falando e lendo. Acho que a vida pode (e deve) ser mais leve, e eu, mesmo sem me alienar, não quero deixar que certas coisas me afetem como vinha afetando. Whatever, muito em breve vou deixar o brasil no passado.
Vou continuar visitando a todos, mas não prometo comentários, muito menos com algum conteúdo (rs). Vou continuar escrevendo no frigideira também, claro, está fora de cogitação terminá-lo. Mas escreverei sobre coisas menos contundentes, mais leves.
Esperem e confiem. Everything can happen!
Ahhh quase ia esquecendo, eu disse que estou escrevendo para 2 outros blogs e não falei quais são, né? (rs)
Filed under: a frigideira | 20 Comments
Chegou o carnaval, um dos poucos feriados prolongáveis de 2008. Chegou também a mais nova canetada do lula, proibindo a bebida alcoólica nas rodovias federais.
Na Regis Bittencourt aqui em SP, na região de São Lourenço da Serra, logo depois do Embu das Artes tem um restaurante/empório chamado Rancho do Vinho, fica as margens da rodovia e é um lugar muito bacana. O empório tem coisas gostosas produzidas no sul do país, queijos, salames, doces, coisas de boa qualidade e procedência. Também tem uma adega onde comercializa várias marcas de vinho lá do sul, desde as grandes vinícolas até alguns deliciosos vinhos de produtores familiares. O restaurante serve, entre outras coisas, uma deliciosa costela bovina assada bem devagar durante horas.
Conheço o proprietário, acompanhei a sua luta desde há muitos anos, vi o quanto ele batalhou pra transformar o seu botequinho no empório que é hoje, acompanhei as suas dificuldades porque o Rancho do Vinho era parada obrigatória nos finais de semana a caminho do sitio à margem da represa Cachoeira do França nos finais de semana. Parada obrigatória de muita gente, minha e até do Rolando Boldrin. Sempre parávamos no Rancho do Vinho para comprar coisas como frios, pão italiano, lingüiças, queijos e claro, vinho para nos abastecer pro final de semana no meio do mato. Assim como nós, muita gente fazia a mesma parada mas ninguém saia bêbado dirigindo na rodovia.
Agora o Rancho do Vinho vai perder 60% dos seus clientes, assim como todas as churrascarias às margens da Regis Bittencourt. Seus proprietários vão demitir garçons, cozinheiros, faxineiros, manobristas… Essas pessoas vão entrar no bolsa família? Ou os pais de família se tornarão pobres sem oportunidades que entraram no crime?
Então o brasil é um país onde empresários passam uma vida investindo dinheiro e suor num negócio lícito, gerando emprego e pagando impostos para um presidente semi-analfabeto e arrogante mudar as regras no meio do jogo. Tudo porque o brasil é um país que não tem competência para fiscalizar e punir os motoristas irresponsáveis. O motorista irresponsável vai continuar dirigindo bêbado e ninguém vai prendê-lo, ele vai ficar rindo da cara do lula, do empresário responsável, da sua e da minha cara. Incompetentes que somos, resolvemos culpar a janela pela paisagem ruim.
Na cabeça do lula e dos brasileiros que votam pendurados no saco dele, sabe o que um empresário brasileiro tem à mais que um empresário de outros páis? Têm mais é que se fuder.
Vamos ser repetitivos: Como o brasil não tem competência para fiscalizar motoristas irresponsáveis ele resolve punir empresários responsáveis. O motorista irresponsável sai da rodovia e almoça num restaurante 2 quadras dentro de uma cidade qualquer, enche o rabo de cerveja e volta pra rodovia. O motorista irresponsável sai pra viajar com uma caixa termina lotada de cerveja gelada no banco de trás, como muitos que eu conheço. Ninguém vai prender esse cara.
Pior que tem gente que defendendo a medida, gente tosca de pensamento limitado, gente que deve ter comido mal na nos primeiros 3 anos de vida e não teve seu sistema nervoso completamente desenvolvido assim como o presidente. Gente curta.
Por isso o mundo não leva o brasil a sério, porque ele não é sério. Nem o brasil, nem o brasileiro. É isso aí, vamos curtir o carnaval na grande zona que é o brasil. Eu vou ali, volto logo.

24/04/08: Alguém tinha de fazer alguma coisa, e os parlamentares fizeram. Também aumentaram as punições de quem for pego dirigindo depois de beber, além de salvar a pele dos empresários que mantém estabelecimentos dentro das zonas urbanas. Isso se chama coerência.
Filed under: brasil | 25 Comments
a amazônia gringa
Ontem eu tava conversando com a Carol e ela falou sobre aquelas polêmicas em torno dos mapas mostrando a Amazônia como território internacional dos eua. Demoro! A gente não consegue cuidar daquilo mesmo, não tem jeito.
Não era novidade nenhuma, ao menos para pessoas realistas, a insanidade que nunca deixou de acontecer praqueles lados. Uma porrada de organizações que monitoram essas atividades gritavam isso para o mundo inteiro e a Marina Silva (o nome completo dela já é uma agressão) tentava com aquela voizinha chata dela, gritar o contrário. A comunidade internacional passou a vêl-a como uma mentirosa, demoraram. O The Guardian disse que o governo brasileiro mentiu e que imagens de satélite provam isso, que feio.
Eu dizia a amigos: “olha, eles derrubam a mata com aqueles tratorzão emparelhados puxando uma correntona gigante (hoje o normal são as queimadas todos os dias). Aí plantam um pasto que cresce super rápido para criação extensiva de gado”. Por quê? Porque se der algum problema com a lei, enfiam o boi nos caminhãozão e ninguém perde nada.
Mas quando não acontece nenhum problema mais sério, tipo punições por infringir a lei e cometer crimes ambientais, o gado fica lá, por até 1 ano, só depois ele é retirado pra dar lugar à soja. E pra onde vai o gado? Para mega-frigoríficos ilegais financiados por programas oficiais do governo, empresas criadas com dinheiro público. Muito inteligente.
Mas e a soja? Sim, desmatar só pela madeira é coisa do passado, coisa de colonizadores. Hoje é a soja que manda fogo nas florestas, é uma commodity super valorizada no mundo. Ela é uma das maiores responsáveis pelo equilíbrio da nossa balança comercial. Acontece que o greenpeace (que muitos (inclusive eu, mas não desaprovo) acham que defendem interesses norte-americanos) tem esfregado na cara de governos europeus relatórios preocupantes, mostrando que a Europa, ao comprar soja brasileira está financiando a destruição da Amazônia, e isso é verdade. Não demora muito até pararem de comprar nossa soja e o equilíbrio da nossa balança comercial ir pro beleléu (o Márcio pode explicar melhor os problemas disso acontecer, mas só depois que voltar de férias).
Quando o presidente fala que não precisa derrubar árvore pra plantar soja ou criar gado, ele ta certo, o país é bem grandão. Mas ele se esquece que o brasil ta cheio de brasileiros, e esse é o nosso problema, um país enorme cheio de brasileiros. É muito mais barato gastar dinheiro pra derrubar floresta que comprar terra legal pra fazer pasto ou plantação.
O fazendeiro tem aquela fazendona toda onde 80% dela têm, por lei, que continuar floresta, ele só pode plantar em 20% da sua terra. Que porcaria, vai ganhar menos din-din, todo mundo gosta de ganhar bastante din-din. Agora imagina se ele faz tudo isso que eu falei aí encima e ninguém faz nada? Passado 10 anos, ele ainda pode reflorestar o que desmatou e ganhar créditos de carbono (mais din-din) pago por bancos europeus. Legal né? Eu também quero.
Eu também quero que a Amazônia deixe de ser dos brasileiros, e seria muito mais saudável que isso acontecesse por meios pacíficos. E não me venham com aquele papo de que países desenvolvidos são hipócritas porque no passado desmataram suas florestas, isso é papo de lulopetista (gente cega, coniventes ou ingênuos) que acha que porque todo mundo roubou o pt também pode. A gente vai ficar sem floresta mesmo, prefiro ficar sem uma floresta em pé do que ficar sem uma floresta que não existe mais.
Ouça, pode ser que você não goste dos norte-americanos, que os ache feios e obesos, não goste e não saiba falar o idioma deles, pode ser que você se ache muito diferente ou melhor que eles, ou até pode ser só inveja ou birra, whatever. Só tente abrir a sua mente e pensar bem sobre tudo isso, mas pense rápido, a Amazônia não tem muito tempo.

30/01 - Vocês se lembram daquela historinha do Menino e o Lobo (ou algo assim)? Pois é, funciona assim, você diz uma coisa e as pessoas acreditam em você, diz outra e elas também acreditam. Suddenly, os outros descobrem que você tava mentindo, como eu disse aí encima. O que acontece? Eles não acreditam mais em você. Graças ao governo lula, teremos carne mais barata.
Eu falei que os Europas tinham razão em desconfiar, não falei? O Ministro da Agricultura também falou.
Filed under: brasil | 10 Comments
Lindo, mas mentiroso.
Me fez lembrar quando, há uma dúzia de anos, cobrei laptops para o meu pessoal, prometeram-me que se cumpríssemos nossa meta anual de vendas, teríamos os laptops. Batemos a meta em 120% e recebemos os parabéns por provarmos que não precisávamos dos brinquedos para fazer o nosso trabalho, mas não levamos o mimo.
Quando todos pagarem os insanos impostos brasileiros, receberemos os parabéns. Congratulations, folks!!
Pela minha lógica, quem paga 50 por nada, paga 60, basta aumentar de 1 em 1.
Se eu fosse presidente de alguma pocilga – como o lula o é – e todos (cidadãos e empresas) pagassem os altos impostos, eu aumentaria meio ponto percentual ao ano (sempre no carnaval, mas na worldcup subiria 2 pontos) só pra mostrar ao país como ele é ótimo e dá conta do recado, motivo de orgulho. Propaganda é tudo, eu mesmo consegui convencer meus vendedores a se acharem o máximo sem recebem o mimo prometido, eu era bom, o presidente também é.
O lula me pareceu indignado ao dizer que “muita que não paga imposto e se queixa que o imposto é alto”. Ora bolas, senhor presidente, se o cara achasse que o imposto é baixo, provavelmente não sonegaria, a lógica é inversa ao que o senhor faz parecer.
Mas eu disse que ele é bom, consegue convencer você a pagar mesmo tendo dito que conhece o caminho para aumentar a arrecadação por outros meios.
Pela minha lógica, se o imposto fosse menor sonegaríamos menos e os governos arrecadariam mais. Pela minha lógica, se recebêssemos os impostos de volta no formato de serviços públicos de qualidade, sonegaríamos menos. Simples assim.
Os jornalistas também são bons com o lula. Reparem que o título da matéria leva o incauto leitor subliminarmente a pensar que o presidente nega que aumentará impostos, mas ao ler o texto, coisa muitíssimo complicada para a estúpida maioria (literalmente) das pessoas desse país, percebesse com pouco esforço (para a estúpida minoria, ou minoria estúpida) que ele só está mentindo ao negar que aumentou impostos no ano passado, além de aumentar mais ainda nesse ano.
Somos todos muito bons, o presidente que convence a estúpida maioria (literalmente) é bom; os vendedores jornalistas ou não, são bons; a estúpida maioria que compra o presidente vendido pelos jornalistas é boa; nós que chegamos até aqui pagando, sonegando, felizes ou indignados somos bons. Mas boa, boa mesmo é e a economia americana que se segura com todas as forças pra não atrapalhar o nosso “espetáculo do crescimento”. Até quando?

22/01 - Ontem eu ouvi alguém (não vale citar sequer o nome) dizer que isso é bom porque essa gente tem muito e precisa aprender o que é não ter nada. Jesus, Maria e José, foi a coisa mais estúpida que eu já ouvi na vida, é o ódio ao lucro, praga entre brasileirospocotó.
Filed under: brasil, política | 11 Comments











